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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A Virgem Maria e Santa Brígida !!!


"Sê devoto de Maria Santíssima e serás certamente feliz". Dom Bosco

Um anjo disse à Santa Brígida: “Não há ninguém que reze a Maria sem receber da sua caridade algum favor”.

Maria Santíssima revelou à Santa Brígida: “A Mãe a vista do filho exposto ao fogo inimigo, põe tudo em obra para o tirar desse perigo. Assim faço e hei de fazer sempre para todos os pecadores que implorarem a Minha misericórdia; assim para com todos os meus filhos, por maiores pecadores que sejam, conquanto recorram a Mim para obterem o Meu socorro. Sou a Rainha do Céu e a Mãe de Misericórdia, a Alegria dos Justos e a porta por onde penetram no céu os pecadores.

Dos pecadores mais afastados de Deus e possuídos pelo demônio, foge imediatamente o inimigo, logo que els invocam em seu auxílio, com verdadeira vontade de emendar-se, os dois poderosíssimos nomes de Jesus e Maria.

Não há na terra pecador tão empedernido, que invocando meu nome com a boa vontade de se converter, não force o demônio a fugir logo. Todos os demônios tremem diante do meu nome. Só ao ouvirem esta palavra: Maria, logo são forçados a largar a alma que já segurava em suas garras.

De quaisquer pecados que o homem seja culpado, se vem a Mim com verdadeiro arrependimento, apresso-me sempre a recebê-lo. Não examino se está carregado de pecados, mas somente se com boa vontade se apresenta, então não desdenho tratar-lhe e curar-lhe as chagas: porque me proclamam, e realmente Sou, A Mãe de Misericórdia.

Eu Sou a porta aberta dos pecadores para irem a Deus. Eu Sou a Mãe de todos os pecadores que se querem corrigir. Não há em todo o mundo um só homem assaz maldito por causa de seus pecados, que não tenha parte na minha misericórdia.

Enquanto não se está definitivamente condenado, nenhum homem está de tal sorte rejeitado por Deus, que não se possa realmente volver para Deus e obter Dele graça e misericórdia, desde que me chame em seu socorro. Infeliz… aquele que, podendo neste mundo recorrer a mim, tão boa para com todos, tão desejosa de socorrer os pecadores – descurar de me implorar…

Quando os Meus servos estão por um triz da morte, então, Eu que lhe Sou a Rainha dileta e a eterna Mãe, acorro aos pés deles, a fim de que da minha mão recebam força e consolo”.

O Senhor Jesus a Sua Mãe Santíssima: “Minha Mãe pedi o que quiserdes: nunca Vos hei de negar coisa alguma; e fica sabendo que prometo despachar favoravelmente a todos que solicitam de mim alguma graça por Vosso amor, mesmo que sejam pecadores, contanto que tenham o firme propósito de emendar-se”.

(Extraído do livro Coração de Mãe cheio de bondade, Servus Mariae, Edições Paulinas, 5ª Edição, 1976, págs. 85/86)

O pequeno número dos que são salvos !!!

O número de cristãos que são salvos é maior que o número de cristãos que são condenados?

Fico horrorizado quando ouço São Jerônimo declarando que, embora o mundo esteja cheio de padres, somente um em cada cem está vivendo de uma maneira que esteja em conformidade com a sua situação; quando eu ouço um servo de Deus testemunhando o que aprendeu por revelação, que o número de sacerdotes que cai no inferno a cada dia é tão grande que parecia impossível para ele que houvesse sido deixado algum sobre a terra; quando eu ouço São Crisóstomo exclamando com lágrimas nos olhos, "Eu não acredito que muitos padres são salvos; eu acredito o contrário, que o número daqueles que são condenados é maior."

Ouçamos Cantimpre; ele vai relatar um evento, e você pode tirar as conclusões. Houve um sínodo realizado em Paris, e um grande número de prelados e pastores que tinham o encargo de almas estavam presentes; o rei e os príncipes também compareceram para acrescentar brilho aquela assembleia por suas presenças. Um famoso pregador foi convidado para pregar. Enquanto ele estava preparando seu sermão, um demônio horrível apareceu para ele e disse, "Deixe seus livros de lado. Se você quiser dar um sermão que será útil a estes príncipes e prelados, contente-se em dizer-lhes que da nossa parte, ‘Nós os príncipes das trevas agradecemos, príncipes, prelados, e pastores de almas, que, devido à sua negligência, um maior número de fiéis são condenados; também, estamos guardando uma recompensa para vocês, por esse favor, quando estiverem conosco no inferno.’”

A seguinte narrativa de São Vicente Ferrer vai esclarecer o que você pode pensar sobre isso. Ele relata que um arquidiácono de Lyons desistiu de seu cargo e se retirou para um lugar deserto para fazer penitência, e que morreu no mesmo dia e hora que São Bernardo. Após sua morte, ele apareceu ao seu bispo e disse-lhe: "Sabe, Monsenhor, que na mesma hora em que eu morri, 33.000 pessoas também morreram. Desse total, Bernard e eu fomos para o céu sem demora, três foram para o purgatório, e todos os outros caíram no Inferno."

Adicionando a autoridade dos Padres gregos e latinos ao dos teólogos, e descobre-se que quase todos eles dizem a mesma coisa. Este é o sentimento de São Teodoro, São Basílio, São Efrém, e São João Crisóstomo. Além do mais, de acordo com Baronius, esta era uma opinião comum entre os Padres gregos, pois esta verdade foi expressamente revelada a São Simeão Estilita, e que após esta revelação, para garantir a sua salvação, ele decidiu viver em pé em cima de um pilar por 40 anos, exposto ao tempo; um modelo de penitência e santidade para todos. Agora, vamos consultar os Padres latinos. Você vai ouvir São Gregório dizer claramente: "Muitos alcançam a fé, mas poucos o reino celestial". São Anselmo declara: "São poucos os que são salvos." Santo Agostinho afirma ainda mais claramente: "Portanto, poucos são salvos em comparação com os que são condenados." O mais terrível, porém, é São Jerônimo. No final de sua vida, na presença dos seus discípulos, ele disse estas palavras terríveis: "De cem mil pessoas cujas vidas sempre foram ruins, você vai encontrar provavelmente uma digna de indulgência".

Fonte: Catolicos Tradicionais !!!

Nossa Senhora salva um jovem do Inferno !!!



Exemplos de graças dispensadas por Nossa Senhora aos Seus fiéis servos
(Livro Glórias de Maria de Santo Afonso de Ligório)


Pelo ano de 1604, viviam numa cidade de Flandres dois jovens estudantes, que, desleixando dos estudos, se entregavam a orgias e devassidões. Uma noite entre outras foram a certa casa de tolerância. Um deles, chamado Ricardo, depois de algum tempo, retirou-se para casa, e o outro ficou. Chegando Ricardo a casa, estava para acomodar-se, quando se lembrou que não havia rezado umas Ave-Marias, como era de seu costume fazê-lo em honra da Santíssima Virgem. Acabrunhado pelo sono, sem nenhuma vontade para rezar, fez, contudo, um esforço e rezou as Ave-Marias, embora sem devoção e por entre bocejos de sono. Deitou-se e depois adormeceu. Mas não tardou a ouvir bater à porta com muita força. E imediatamente, sem ele a abrir, vê diante de si seu companheiro de farras, mas desfigurado e medonho.__ Quem és tu? – perguntou aterrorizado.__ Tu não me conheces? – respondeu o outro.__ Mas como te mudaste tanto? Tu pareces um demônio.__ Ai, pobre de mim! – exclamou aquele infeliz, - que ao sair daquela casa infame, veio um demônio e me sufocou. O meu corpo ficou no meio da rua, e a minha alma está no inferno. Sabes, pois, acrescentou, que o mesmo castigo te tocava também a ti. Mas a bem-aventurada Virgem, pelo teu pequeno obséquio das Ave-Marias, te livrou dele. Ditoso de ti, se tu souberes aproveitar deste aviso, que a Mãe de Deus te manda por mim. Depois destas palavras, o condenado entreabriu a capa e mostrou as chamas e as serpentes que o atormentavam e desapareceu. Então Ricardo, chorando copiosamente, com o rosto em terra, deu graças a Maria, sua libertadora. Enquanto pensava como mudar de vida, ouviu tocar Matinas no convento dos franciscanos. Logo pensou: É aí que Deus me quer para fazer penitência. E foi pedir aos frades que o recebessem. Cientes de sua má vida, não queriam eles aceitá-lo. Contou-lhes então entre lágrimas o que havia acontecido. Dois religiosos foram à rua indicada, achando efetivamente o cadáver do companheiro, sufocado e negro como um carvão. Depois disso foi Ricardo admitido e levou uma vida penitente e exemplar. Mais tarde foi como missionário pregar nas Índias e em seguida no Japão, onde teve finalmente a graça de morrer mártir, queimado vivo por amor de Jesus Cristo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

São Francisco explica visão de Frei Leão


Uma vez em que São Francisco estava gravemente enfermo e frei Leão o servia, o dito frei Leão, estando em oração perto de São Francisco, foi arrebatado em êxtase e levado em espírito a um rio grandíssimo, largo e impetuoso. E estando a olhar quem o atravessava, viu alguns frades carregados entrar naquele rio, os quais eram subitamente abatidos pela impetuosidade da corrente e se afogavam, outros iam até um terço, outros até ao meio do rio, outros ainda até à outra margem; todos no entanto, pela impetuosidade do rio e pelo peso que levavam às costas, finalmente caíam e se afogavam. Vendo isto, frei Leão tinha deles grande compaixão, mas subitamente, estando assim, eis que vem uma grande multidão de frades sem nenhuma carga ou peso de coisa nenhuma, nos quais reluzia a santa pobreza; e entraram no rio e passaram além sem nenhum perigo. E vendo isto, frei Leão voltou a si. E então São Francisco, sentindo em espírito que frei Leão tinha visto alguma visão, chamou-o a si e perguntou-lhe que era o que tinha visto: e logo que lhe disse frei Leão, por ordem, toda a visão que tivera, disse São Francisco: O que viste é verdade. O grande rio é este mundo; os frades que se afogavam no rio são os que não seguem a profissão evangélica e especialmente quanto à altíssima pobreza; mas os que sem perigo passaram são aqueles frades que nenhuma coisa terrena, nem carnal buscam nem possuem neste mundo; mas, tendo somente o viver moderado e o que vestir, estão contentes em seguir ao Cristo nu na cruz; e o peso e o jugo manso de Cristo e da santa obediência levam alegremente e voluntariamente; e assim facilmente da vida temporal passam à vida eterna.
Fonte: cafefresco.blogspot.com

terça-feira, 18 de outubro de 2011

SÃO JOSÉ: Predestinação e Eminente Santidade !!!

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Entrevista com Pe. Paulo Ricardo !!!

A Equipe do SALVEM a LITURGIA divulgou uma entrevista com o Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, sobre a situação litúrgica atual do Brasil e do mundo. Ele é Reitor do Seminário Cristo Rei, de Cuiabá (MT), além de ser o único brasileiro que é consultor do Vaticano para assuntos de catequese. Tornou-se muito conhecido nos últimos anos pela sua participação frequente na programação da Canção Nova e pelo site que mantém - http://www.padrepauloricardo.org -, onde podemos acessar suas palestras e artigos.


Irmão Teodoro com o Santo Terço, diante do inimigo !!!

(Carnê da Virgem, nº 15, 1952, relatado no Florilégio Mariano nº 11 de Irmão Albert Pfleger)


Em 1812, Irmão Teodoro, monge de Sept-Fons, fazia parte da armada de Napoleão. Ameaçada pela estratégia após ter sido incendiada, a armada francesa bate em retirada.

Um dia, a coluna da qual participava Irmão Teodoro, arrasada pela fome e pela fadiga, se defronta com a bateria inimiga. O que fazer? Voltar? Impossível! Atacar? Nem pensar! De repente, um oficial francês avança, sabre na mão, e grita: "Que os corajosos avancem!" Ninguém ousa, apenas Irmão Teodoro.

- Se o senhor quiser, irei sozinho - disse-lhe, ajoelhando-se na neve -, e reza as dez primeiras Ave-Marias do terço, na presença de seus camaradas. Em seguida, pega o fuzil e, a galope, corre para enfrentar o inimigo, com a coragem de um chefe que teria uns 10.000 homens. Ao avistarem-no, os russos pensaram que fosse uma armadilha para ocupá-los com um único homem, enquanto os outros estariam a cercá-los... Fugiram, então, imediatamente, abandonado bagagens e canhões...

Nosso herói, com uma simplicidade admirável, clama: "Vejam... basta apenas uma dezena do terço para nos livrar dos embaraços." O oficial pregou a própria condecoração no peito do Irmão Teodoro, monge de Sept-Fons.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Carta Apostólica "Porta Fidei" !!!

Carta Apostólica Porta Fidei de Bento XVI em forma de “Motu Proprio” com a qual se convoca o Ano da fé, (11 de outubro de 2011)


BENEDICTI PP. XVI
SUMMI PONTIFICIS
CARTA APOSTÓLICA EM FORMA DE “MOTU PROPRIO”
PORTA FIDEI
COM A QUAL SE CONVOCA O ANO DA FÉ

SANTO INÁCIO de ANTIOQUIA !!!

O Coliseu romano guarda até hoje o calor dos feitos heróicos que se passaram em sua arena. Ali, a graça do martírio penetrou profundamente e legou à Cristandade uma de suas mais gloriosas páginas. O exemplo do primeiro bispo de Antioquia encerra toda a doçura e a força com que a Santa Igreja lançou suas divinas raízes
 
Quem já teve a oportunidade de viajar para Roma e conhecer seus antiqüíssimos monumentos - obras-primas da inteligência e da capacidade de nossos ancestrais - certamente terá experimentado uma forte atração ao deparar com o anfiteatro Flaviano, mais conhecido pelo nome de Coliseu.
Sólido e bem edificado, com suas galerias de arcos tipicamente romanos, ele atravessa os séculos, insensível ao tempo, como imagem de um passado que poucos sabem admirar. Com efeito, hoje em dia o Coliseu é objeto da incessante curiosidade dos turistas que o visitam durante todo o ano. Muitos formam intermináveis filas para nele ingressar, com o desejo de fotografá-lo e depois vangloriar-se de ter estado num dos locais mais famosos do mundo; outros percorremno com o mero intuito de constatar seu valor artístico e estrutural; poucos são, porém, os que para lá se dirigem na intenção de rezar.
Santo Inacio da Antioquia_.jpg
"Instigai os animais para que neles encontre o meu sepulcro e nada reste de meu
corpo para não ser pesado a ninguém. Suplicai a Deus por mim, que por este
meio me torne uma hóstia para Deus"
Santo Inácio de Antioquia sendo devorado pelos leões
Igreja de São Clemente - Roma

O Coliseu, teatro de crueldades
O imperador Vespasiano, invejoso da afetuosa lembrança que o povo guardava a respeito de César Augusto e sabendo que este, antes da sua morte, prometera construir um imenso anfiteatro que excedesse em esplendor todos os edifícios do mundo, concebeu a idéia de realizar este plano e assim rivalizar em fama com aquele seu predecessor. No segundo ano após sua ascensão ao trono (72 d.C.), Vespasiano iniciou sua obra. Entretanto, também a ele não seria dado ver o objeto de suas ambições, e a morte colheu-o antes de ser completada a construção, que só seria dedicada no ano 80 d.C., por seu filho Tito. Este último teve grande parte na ereção do anfiteatro, empregando nos trabalhos aproximadamente 50 mil prisioneiros, trazidos de sua vitoriosa campanha na Judéia.
Construída especialmente para ser palco daqueles jogos de gladiadores que os romanos tanto apreciavam, a gigantesca mole estava, porém, reservada para servir de quadro a combates de fé e de heroísmo muito mais gloriosos do que desprezíveis eram aqueles espetáculos pagãos! Se os divertimentos do Coliseu deixaram uma mancha no passado por causa das horríveis cenas de crueldade ali representadas, outros fatos, sob o ponto de vista sobrenatural, constituem uma das mais belas páginas da história da Santa Igreja.
Pedestal de bem-aventurados
É com espírito de piedade que deve penetrar no Coliseu o verdadeiro peregrino católico. Bastará permanecer em silêncio por um curto tempo, para perceber os imponderáveis e inverossímeis de fé, força e coragem que habitam sob essas numerosas arcadas. É evocativo esse edifício, no qual cada pedra tem um belo fato para contar e até as gramas e os musgos mais recentes desejariam dizer uma palavra sobre aquele passado feito de sangue, dor e glória. Contemplando mais detidamente essa arena, outrora pedestal de tantos bem-aventurados, podemos ainda divisar os compartimentos onde as feras eram mantidas na fome. Vê-se também ao lado destes as celas que aprisionaram os que hoje constituem uma verdadeira legião, no gozo da visão beatífica. Essas veneráveis ruínas, nas quais refulge um misterioso brilho sobrenatural, parecem cantar, ao longo dos séculos, a célebre frase latina: sine sanguine non fit remissio; lembrando aos homens que, para ser verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, é necessário primeiro segui- Lo até as ignomínias do Calvário para depois participar do triunfo da ressurreição. Sim, foi sobre essas pedras benditas, banhadas de sangue católico, que nasceram as raízes da era em que a filosofia do Evangelho dominou sobre todos os povos.
Ouçamos, pois, atentos, um dos emocionantes feitos que esses valos, essas muralhas e arcadas têm a nos narrar.
Inácio, o Teóforo
Corria o ano 106 da era cristã. O imperador Trajano festejava sua vitória sobre Decébalo, rei da Dácia. Querendo manifestar seu reconhecimento aos deuses, a quem atribuía seu recente sucesso, Trajano organizou uma perseguição contra os cristãos que negassem a existência dessas divindades. Entre os condenados estava um venerável ancião, presa de grande valor, - pois se tratava do bispo de uma das cidades de maior importância naquela época - varão que gozava de muita estima e autoridade entre os fiéis da Ásia Menor, por ter sido discípulo do evangelista São João e designado pelo próprio São Pedro para assumir o cargo naquela Igreja: Inácio de Antioquia.
Segundo uma antiga tradição, o primeiro encontro entre o imperador e Inácio dera-se quando este último, sabendo da passagem do césar por sua diocese, fora apresentar-se voluntariamente a ele. Submetido a um interrogatório no qual Trajano tratou-o de "espírito malvado", respondeu o santo com majestade: "Ninguém pode chamar a Teóforo de espírito malvado". "Quem é o Teóforo ou portador de Deus?" perguntaram-lhe."É aquele que leva a Cristo em seu peito..." Instado pelo imperador para que se explicasse mais sobre essa afirmação, o homem de Deus declarou: "Está escrito: ‘Habitarei e andarei no meio deles'" (2 Cor 6, 16). Assim, por essas palavras, ele mesmo dava testemunho de um milagre que viria a ser confirmado após o seu martírio.
Trajano ordenou, pois, que Inácio fosse acorrentado e conduzido a Roma, sob a custódia de dez soldados, para ali ser lançado às feras no anfiteatro Flaviano.
Dolorosa viagem, desfile triunfal
Grande foi a consternação dos fiéis ao conhecerem a sentença que recaíra sobre seu amado pastor. Ele, pelo contrário, regozijava-se e não deixava de dar graças a Deus por ter sido achado digno de tão grande misericórdia. Já antes da partida, embarcando no porto de Selêucia, a notícia de sua detenção espalhara-se por aquelas regiões e de todas as partes acorriam os cristãos para vê-lo passar e dar um último adeus àquele que os precederia no Reino dos Céus. A dolorosa viagem viu-se, então, transformada em verdadeiro desfile triunfal. Em Esmirna, o bispo São Policarpo, acompanhado de seu rebanho, acolheu- o com manifestações de homenagem e respeito. Também as comunidades de Éfeso, Trales e Magnésia foram- lhe ao encontro em grande multidão, desejosas de pedir sua bênção e testemunhar os padecimentos daquele atleta de Cristo. Ele, de seu lado, não esquecera a missão que o Senhor lhe confiara e continuava a exercer seu ministério, apesar de ter as mãos apertadas por grilhões. A muitos batizou pelo caminho, a outros edificou pelas suas palavras cheias de unção, e a um número incontável inflamou na caridade, arrastando-os com seu exemplo a acompanhá-lo no martírio.
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 A dolorosa viagem transformou-se em verdadeiro desfile triunfal. Por onde passava as comunidades
cristãs iam ao seu encontro em grande multidão, desejosas de pedir sua bênção
Seu zelo incansável levou-o a escrever sete cartas, dirigidas àquelas mesmas Igrejas que tão fervorosamente o haviam recebido. Seus escritos, verdadeiros tesouros de doutrina e espiritualidade, podem ser considerados como "a segunda formulação doutrinária cristã" 1.
Zeloso pregador da doutrina
Uma de suas principais preocupações estava na união que os fiéis deviam manter com Jesus Cristo, através da legítima hierarquia: bispos e presbíteros. Assim, exortava ele na carta aos magnésios: "Esforçai-vos por ficar firmes na doutrina do Senhor e dos apóstolos, para que tudo quanto fizerdes tenha bom êxito na carne e no espírito, pela fé e pela caridade, no Filho, no Pai e no Espírito, no princípio e no fim, com vosso digno bispo e a bem entretecida coroa espiritual de vosso presbitério, juntamente com os diáconos agradáveis a Deus. Sede submissos ao bispo e uns aos outros como, em sua humanidade, Jesus Cristo ao Pai, e os apóstolos a Cristo e ao Pai e ao Espírito, para que a união seja corporal e espiritual." 2 Em outra passagem, aconselhava a seu amigo Policarpo: "Tem cuidado pela unidade, pois nada há de melhor."3
Ao bispo de Antioquia é devida a honra de ter dado à Santa Igreja, por primeira vez, o glorioso título de católica: "Onde estiver o bispo, ali estarão também as multidões, da mesma forma que onde estiver Jesus Cristo, ali estará a Igreja Católica".
4 Também foi ele o defensor de um ponto que só viria a ser elevado à categoria de dogma séculos mais tarde: o parto virginal da Santa Mãe de Deus. Assim escreveu aos efésios: "ao príncipe deste mundo foi ocultada a virgindade de Maria, seu parto e também a morte do Senhor".5 Aos seus caros esmirnenses também afirmava: "Crendo de igual modo que verdadeiramente nasceu da Virgem, foi batizado por João ‘para que nele se cumprisse toda a justiça.'" 6
A doutrina de Inácio era clara e segura; ele a haurira dos lábios daquele discípulo a quem tantos mistérios haviam sido revelados ao repousar a cabeça sobre o peito do Verbo Encarnado e nos longos anos de convivência com Maria Santíssima.
"Procuro aquele que morreu por nós!"
Entretanto, se as cartas deste insigne doutor manifestam toda a riqueza de seu ensinamento teológico, uma outra ainda, aquela enviada aos romanos, deixa entrever o sublime ardor de sua alma, elevada aos píncaros da mais pura mística. Tendo-lhe chegado a notícia de que os fiéis de Roma procuravam interpor toda sua influência para afastar dele a mortal condenação, apressou-se em dirigir- lhes, desde Esmirna, uma comovedora súplica: "Tenho escrito a todas as Igrejas e a todas elas faço saber que com alegria morro por Deus, contanto que vós não mo impeçais. Suplicovos: não demonstreis por mim uma benevolência intempestiva. Deixai-me ser alimento das feras, porque, através delas, pode-se alcançar a Deus. Sou trigo de Deus: que seja eu triturado pelos dentes das feras para tornar-me puro pão de Cristo!
Instigai, ao contrário, os animais para que neles encontre o meu sepulcro e nada reste de meu corpo para não ser pesado a ninguém, depois de adormecer. Então serei verdadeiro discípulo de Cristo, quando o mundo não mais vir sequer o meu corpo. Suplicai a Deus por mim, que por este meio me torne uma hóstia para Deus. [...]
Que nada, tanto das coisas visíveis quanto das invisíveis, segure o meu espírito, a fim de que eu possa alcançar a Jesus Cristo. Que o fogo, a cruz, um bando de feras, os dilaceramentos, os cortes, a deslocação dos ossos, o esquartejamento, as feridas pelo corpo todo, os duros tormentos do diabo venham sobre mim para que eu ganhe unicamente a Jesus Cristo! [...]
Procuro aquele que morreu por nós: quero aquele que por nós ressuscitou. Meu nascimento está iminente. Perdoai- me, irmãos! Não me impeçais de viver, não desejeis que eu morra, pois desejo ser de Deus. [...]
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 Construído para ser palco dos jogos de gladiadores, o Coliseu estava, porém,
reservado para os combates de fé e de heroísmo dos mártires
Vivo, vos escrevo, desejando morrer. Meu amor está crucificado. Não há em mim um fogo que busque alimentarse da matéria, apenas uma água viva e murmurante dentro de mim, dizendome em segredo: ‘Vem para o Pai!' [...]
Se for martirizado, vós me quisestes bem. Se for rejeitado, vós me odiastes." 7
Expressões de tão heróica caridade só poderiam brotar de um coração tomado pela graça do martírio de maneira superabundante. Com efeito, assim nos explica São Tomás de Aquino: "Entre todos os atos de virtude, o martírio é aquele que manifesta no mais alto grau a perfeição da caridade. Porque tanto mais se manifesta que alguém ama alguma coisa, quanto por ela despreza uma coisa amada e abraça um sofrimento. É evidente que entre todos os bens da vida presente aquele que o homem mais preza é a vida e, ao contrário, aquilo que ele mais odeia é a morte, principalmente quando vem acompanhada de torturas e suplícios por medo dos quais ‘até os próprios animais ferozes se afastam dos prazeres mais desejáveis', como diz Agostinho. Deste ponto de vista, é evidente que o martírio é, por natureza, o mais perfeito dos atos humanos, enquanto sinal do mais alto grau de amor, segundo a palavra da Escritura: ‘Não existe maior prova de amor do que dar a vida por seus amigos.'" 8.
Um lutador resignado só pode ser traidor
Esta excelência da caridade que pervadia o interior de nosso santo, só tendia a crescer à medida em que se sucediam as etapas da viagem que o aproximavam da tão almejada meta. Embarcando no porto de Dirraquio - sempre sob o olhar vigilante dos guardas, os quais ele mesmo chamava de "dez leopardos", a causa dos maus tratos que lhe infligiam - enfrentou uma longa travessia, bordejando o sul da Itália e, por fim, desembarcou em Óstia, a 20 de dezembro do ano 107, último dia das festas públicas que se celebravam em Roma.
Na orgulhosa metrópole dos imperadores comemorava-se ainda o triunfo de Trajano sobre os dácios. Durante 123 dias haviam-se prolongado os espetáculos nos quais morreram 10.000 gladiadores e 12.000 feras. O bispo Inácio era esperado com ansiedade pela turba pagã, pois as vítimas ilustres e de aspecto venerável exerciam maior atração nos jogos circenses. Por isso, os soldados para lá conduziram-no sem demora. Os cristãos receberam-no às portas da cidade, com manifestações de sincera admiração e respeito. Alegravam-se ao vê-lo, mas lamentavam, ao mesmo tempo, que lhes fosse arrebatado tão cedo. Rogaram-lhe, então, que obtivesse de Deus o favor de que algumas relíquias suas lhes fossem deixadas após o martírio. Embora contra sua vontade - pois ele desejava ser devorado por inteiro - o santo varão acedeu bondosamente em fazerse cargo de pedido tão filial.
Arrastando suas cadeias, Inácio atravessou as ruas pavimentadas da capital do império: ao longe podia divisar os imponentes muros do Coliseu dominando o vale, circundado pelos montes Palatino, Esquilino e Célio. Aquele edifício representava para ele o termo de seus anelos, a realização de suas esperanças mais íntimas, a consumação de seu holocausto. Caminhava apressadamente, não com a resignação de um condenado, mas impelido pelos ardores de entusiasmo que não mais cabiam dentro de sua alma, convicto de que o lutador resignado é traidor. Aquele edifício servir-lhe-ia de túmulo e de altar, ao passo que seria o pedestal de onde seu espírito voaria ao céu.
"Desejaria ser triturado como o trigo"
Uma numerosa multidão acorrera ao Coliseu para presenciar o sangrento espetáculo e se deliciar com o destroçamento do corpo do mártir. Este, sereno e alegre, não manifestou a menor vacilação quando as grades foram abertas e entrou no vasto anfiteatro, à espera do trágico momento em que as bestas ferozes fossem soltas. As vaias e os escárnios daqueles pagãos para ele nada significavam. Pelo contrário, eram-lhe uma razão a mais para crer na invisível coorte de bem-aventurados a esperá-lo com uma palma e uma coroa.
Ouve-se um hurra na turbamulta, sucedido por silêncio e um grande suspense: os famintos leões irromperam na arena e, impetuosos, avançaram sobre a pura e inocente vítima para devorá-la. Entretanto, com a majestade e império que possuem as almas tomadas pelo Espírito Santo, o mártir estancou-as a meio caminho, com um simples gesto de mão.
Num movimento solene, ajoelhou-se e, elevando os braços ao céu, clamou em alta voz: "Senhor, aqueles que me acompanharam e que são também vossos filhos, pediram-me que rezasse a fim de que algo lhes sobre deste martírio, para estímulo de sua fé. Eu, porém, desejaria ser triturado como o trigo para vos ser oferecido como hóstia pura. Senhor, fazei a vontade deles e também a minha, eu vos peço".
Após a oração, assistida com estupefação pela horda criminosa e pagã e pelas feras, com respeito, eis que ainda mais grandioso e nobre gesto permitiu a estas últimas sair de seu miraculoso encantamento e dar vazão aos instintos de sua voraz natureza.
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 Vista interna do Coliseu
Em poucos minutos, lá entravam os gladiadores a agrilhoar aqueles animais que acabavam de saciar seu bestial apetite com as carnes de um novo serafim. A arena vazia, o espetáculo terminado, retirou-se vagarosa e frustrada a assistência. Que demonstração de fé e de nobreza haviam presenciado!
"Põe-me como um selo em teu coração"
Os cristãos por ali ainda permaneceram à espera do cair do sol. E quando o manto da noite passou a cobrir a cidade de Roma, penetraram na arena à procura das poeiras tornadas relíquias ao serem embebidas pelo sangue daquele que agora os precedia na glória celeste.
Um milagre! Encontraram intactos um fêmur e o coração! Tomados de sobrenatural entusiasmo, caminharam sem medir distâncias, rumo às catacumbas e depois de algumas horas, constataram, à luz das lamparinas, outro milagre: num círculo, as veias e artérias do coração do santo mártir, constituíam as célebres palavras: Iesus Nazarenus, Rex iudeorum.
Inácio, o Teóforo, o portador de Deus, atestara seu nome com aquele comovedor prodígio. Seu coração amante fora subjugado e modelado pelo Amado, segundo aquele pedido do Cântico: "Põe-me como um selo em teu coração" (Ct 8, 6). Nem as tribulações, nem as correntes, nem os suplícios, nem a própria morte o haviam podido separar do amor de Cristo. Por sua santa vida, rica em pregações, em caridade e exemplos, assemelhara-se ao Divino Mestre, imitando- o enquanto verdadeiro Pastor das ovelhas. Por sua generosa entrega levada ao extremo da imolação, alcançara para sempre aquela "única coisa necessária" (Lc 10, 42): o convívio eterno com Aquele a quem só procurara na Terra, Jesus!
A este santo varão de Deus bem poderiam ser aplicadas as belas palavras de um autor medieval: "Forte é o amor, que tem poder para privarnos do dom da vida. Forte é o amor, que tem poder para restituir-nos o gozo de uma vida melhor. Forte é a morte, poderosa para despojar-nos do revestimento deste corpo. Forte é o amor, poderoso para nos roubar os despojos da morte e no-los entregar de novo.
Forte é a morte, a ela o homem não pode resistir. Forte é o amor que pode vencê-la, embotar-lhe o aguilhão, travar- lhe o ímpeto, quebrantar-lhe a vitória." 9
E uma vez mais caiu a noite sobre a grandiosa mole do Coliseu. As areias do circo pagão, regadas pelo sangue daquele que portara a seu Redentor no peito, transformaramse de novo em campo arado e fértil, de onde germinariam muitos outros filhos da Esposa Mística de Cristo.
(Revista Arautos do Evangelho, Out/2007, n. 70, p. 32 à 37)

domingo, 16 de outubro de 2011

Santo Ezequiel Moreno sobre os "católicos doces" !!!

"Muitos dos que se dizem católicos ajudam os revolucionários. São esses, sempre moderados, que estimam a tranquilidade pública como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam Viva a Religião! e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja".