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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O prêmio da escravidão a Maria Santíssima

Qual a vantagem de se consagrar à Virgem Mãe de Deus como seu escravo de amor? Um tal ato não tira a liberdade do homem? Não seria melhor a entrega de si ser feita diretamente a Jesus Cristo?

Pe. Juan Carlos Casté, EP

Obra máxima de São Luís Maria Grignion de Montfort, o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, em nossa opinião, pode ser considVirgem Maria.jpgerado o cume da mariologia de todos os tempos. Pois, ensinando a escravidão de amor a Nosso Senhor por meio de Maria, São Luís nos aponta o caminho perfeito para alcançarmos nosso fim último, que é a união total com Jesus.

Uma devoção com as mais remotas origens

Essa forma de devoção não foi descoberta pelo missionário francês, falecido no começo do século XVIII. Trata- se, pelo contrário, de uma antiquíssima prática cujas origens se confundem com as da própria Igreja Católica.

São João de Ávila, futuro Doutor da Igreja, afirma ter ela sido praticada já por São José: "Quão rico, quão gozoso estava o santo varão por ver- -se designado para servir a tal Filho e a tal Mãe. [...] E quando considerava ser Ela a Mãe de Deus, ficava fora de si, de tanta admiração, e louvava a Deus por tê-lo tomado para esposo da Virgem, e a Ela se oferecia como escravo!".1

Na esteira do Patrono da Santa Igreja, Santo Ildefonso de Toledo compôs, no século VII, esta belíssima oração, lembrada por João Paulo II por ocasião de sua visita à Espanha, em de 1982: "Sou vosso escravo, porque meu Senhor é vosso Filho. Sois minha Senhora, porque sois a escrava de meu Senhor. Sou escravo da escrava de meu Senhor, porque Vós fostes feita Mãe do meu Criador".2

A Escola Francesa de Espiritualidade

Durante o "Século de Ouro" espanhol, a escravidão de amor à Santíssima Virgem vai tomar um renovado impulso.

Na espiritualidade da época, o termo "escravo" era corrente a ponto de o próprio Santo Inácio de Loyola considerar-se "como um indigno escravozinho" de Jesus.3 Contudo, coube a uma freira concepcionista franciscana, Sóror Inês de São Paulo, a honra de erigir a primeira Irmandade das Escravas da Mãe de Deus, fundada no dia 2 de agosto de 1595, em Alcalá de Henares.

Da Espanha, a devoção passou para o outro lado dos Pirineus, sendo difundida pela Escola Francesa de Espiritualidade, especialmente pelo Cardeal Pedro de Bérulle, São João Eudes e o venerável Tiago Olier.

Este último fundou em Paris no ano de 1642, a pedido do Cardeal de Bérulle, o Seminário de São Sulpício no qual o jovem Grignion de Montfort estudou e tomou conhecimento dessa devota prática, por ele levada às alturas que hoje admiramos. Com São Luís Maria, ela adquiriu uma profundidade cristológica, trinitária e missionária como nunca antes tivera, mas acrescida de uma singular característica: o Santo a descreveu em termos acessíveis ao povo fiel e pregou-a em suas missões populares. E essas peculiaridades não se perderam quando, no final de sua vida, a plasmou no famoso Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, o qual coaduna de modo incomparável a elevação do pensamento teológico com uma linguagem quase coloquial.

Somos escravos de Deus por natureza

A pedra angular da doutrina exposta por São Luís Grignion é uma verdade por vezes olvidada: "Antes do Batismo, nós pertencíamos ao demônio como seus escravos, e o Batismo nos transformou em verdadeiros escravos de Jesus Cristo".4

"Ignorais que não vos pertenceis a vós mesmos?" (I Cor 6, 19), pergunta o Apóstolo. E São Luís acrescenta: "Pertencemos inteiramente a Ele como seus membros e seus escravos, comprados por um preço infinitamente alto, o preço de todo o seu Sangue".5

Assentado este princípio, o missionário francês explica a diferença entre o servidor assalariado e o escravo, realçando nos mais vivos termos a inteira sujeição deste último em relação ao seu senhor: "Pela escravidão, um homem depende inteiramente de outro por toda a sua vida e deve servir seu senhor sem pretender nenhum pagamento ou recompensa, como um dos animais sobre os quais ele tem direito de vida e de morte". 6

Essas palavras podem ferir os ouvidos do homem moderno, mas mostram com inegável clareza a necessidade de pertencermos totalmente a Cristo de forma perpétua, incondicional e gratuita.

Por natureza, afirma São Luís, todos os seres são escravos de Deus. Os demônios e os condenados o são também por constrangimento, os justos e os santos, por livre vontade. Este último gênero de escravidão é, obviamente, "o mais perfeito e o que dá maior glória a Deus, o qual olha o coração, pede o coração e é chamado o Deus do coração ou da vontade amorosa, porque por esta escravidão, a pessoa escolhe acima de tudo Deus e seu serviço, embora não obrigada a tal pela natureza".7

Jesus e Maria, unidos como o fogo e o calor

Mas por que ser escravo de Jesus por meio de Maria? A devoção a Ela não acaba por desviar nossa atenção de Cristo?

É a pergunta tantas vezes repetida ao longo da História, à qual o Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen gentium, dá cabal resposta: "Todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece".8
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"Sagrada Família" - Basílica de Maria
Auxiliadora, Turim (Itália)

O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem é, no seu conjunto, uma resposta irrefutável a essa objeção que, entretanto, põe- -se muito explicavelmente em grande número de pessoas, mesmo piedosas e desejosas de uma íntima união com Cristo. Até o jovem Karol Wojtyla chegou a sentir dificuldades a esse respeito, mas elas foram todas resolvidas pela argumentação teológica exposta no Tratado.9 Porque, como brilhantemente mostra São Luís nessa obra, longe de desviar ou apartar de Jesus Cristo, Maria Santíssima nos conduz à plena união com Ele.

"Seria possível que Aquela que achou graça diante de Deus para o mundo inteiro em geral, e para cada um em particular, impedisse uma alma de encontrar a grande graça da união com Ele? Seria possível que Aquela que foi cheia e superabundante de graças, e tão unida e transformada em Deus que este n'Ela Se encarnou, impedisse uma alma de ficar perfeitamente unida a Deus?" pergunta-se o Santo.10

É claro que não, afirma São Luís, porque "Vós, Senhor, estais sempre com Maria, e Maria sempre convosco; nem pode Ela estar sem Vós, pois senão deixaria de ser o que é; de tal modo está Ela transformada em Vós, pela graça, que já não vive, já não existe: sois Vós que viveis e reinais n'Ela, de maneira mais perfeita que em todos os Anjos e Bem-aventurados. [...] Maria está tão intimamente unida a Vós que mais fácil seria separar do sol a luz, e do fogo o calor".11

A mais completa doação de si mesmo

O ato de perfeita consagração nas mãos de Maria, propugnado por esta devoção consiste em entregarmos a Ela "nosso corpo, com todos os seus membros e sentidos; nossa alma, com todas as suas potências; nossos bens exteriores que chamamos de fortuna, atuais e vindouros; nossos bens interiores e espirituais, que são nossos méritos, nossas virtudes, nossas boas obras presentes, passadas e futuras".12

Mesmo após uma cuidadosa releitura das palavras de São Luís, difícil nos será aquilatar a radicalidade da entrega que fazemos de nós mesmos ao nos tornarmos escravos de Maria. Por esse ato, explica o missionário francês, a pessoa entrega a Jesus Cristo "tudo quanto Lhe pode dar, e muito mais do que por outras devoções, pelas quais ela Lhe dá uma parte de seu tempo ou de suas boas obras, ou uma parte de suas satisfações e mortificações. Aqui, tudo é dado e consagrado, até o direito de dispor dos seus bens interiores, e as satisfações obtidas por suas boas obras, dia a dia".13

E isso, sublinha São Luís, não se faz nem mesmo numa ordem religiosa. "Nestas, consagram-se a Deus os bens de fortuna, pelo voto de pobreza; os bens do corpo, pelo voto de castidade; a vontade própria, pelo voto de obediência; e por vezes, a liberdade do corpo, pelo voto de clausura. Mas não se Lhe dá a liberdade ou o direito de dispor de suas boas obras, nem se despoja tanto quanto possível daquilo que o cristão tem de mais precioso e caro: seus méritos e satisfações".14

Acrescentando um novo aspecto à visão mariológica do Tratado, que ajuda a compreender ainda melhor quão íntegra deve ser a nossa doação a Maria, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira comenta: "A devoção de São Luís Grignion de Montfort consiste na doação completa de nós mesmos a Nossa Senhora, na qualidade de escravos. Escravos, porque demos a Ela mais do que um filho pode dar. As relações de um filho com sua mãe são muito mais íntimas, muito mais próximas, muito mais profundas, do que as relações de um escravo com seu senhor. Mas, em face de sua mãe e de seu pai, o filho conserva direitos. Em face de seu senhor, o escravo como que não retém direitos. A renúncia de si, feita por aquele que tem a promessa de escravidão a Nossa Senhora é, em certo sentido, mais profunda do que a renúncia que faz aquele que se considera simplesmente filho d'Ela".15
Beato João Paulo II.jpg
"Beato João Paulo II" - Acervo
fotográfico do Museu Arquidiocesano
de Cracóvia (Polônia)

Por Maria, com Maria, em Maria e para Maria

No final da sua obra, São Luís aconselha algumas "práticas interiores muito santificantes para aqueles que o Espírito Santo chama à mais alta perfeição".16 Consistem elas em fazer todas as ações "por Maria, com Maria, em Maria e para Maria, a fim de fazê-las mais perfeitamente por Cristo, com Cristo, em Cristo e para Cristo".17

a) Por Maria - Segundo o padre Alfonso Bossard, "trata-se de conformar- se e deixar-se conformar por Ela, no espírito que A anima, o qual não é outro senão o Espírito Santo, fonte e princípio de toda a vida em Cristo".18

b) Com Maria - É o esforço que devemos fazer para imitar Maria, "na medida de nossas capacidades". Ela é "o único e grande molde de Deus", no qual é preciso lançar-se para se converter em "imagem perfeita" de Jesus Cristo.19

c) Em Maria - "É mais propriamente um resultado ao qual se pode chegar, fruto que o devoto pode obter ‘por sua fidelidade', como uma imensa graça, por ter posto em prática o ‘por' e o ‘com' Maria. Viver em Maria não é experimentar [...] a presença amorosa de Maria?".20

d) Para Maria - É consequência lógica da consagração: fazer tudo para sua Senhora, desde pequenos serviços até os maiores empreendimentos. Não, porém - insiste, São Luís - como fim último de nossas ações, o qual só pode ser Jesus Cristo, mas como fim próximo, intermediário e meio mais eficaz de chegar a Ele.

Precisamos de um mediador junto ao próprio Mediador

Os tópicos 135 a 182 do Tratado estão dedicados a expor os motivos que tornam recomendável esta devoção, entre os quais o de ser essa piedosa prática um caminho "fácil, curto, perfeito e seguro para chegar à união com Jesus Cristo, na qual consiste a perfeição do cristão".21

Ora o que, em nossa opinião, constitui a principal razão para nos consagramos a Jesus pelas mãos de Maria é desenvolvido numa parte anterior da obra, na qual se enumeram e desenvolvem as verdades fundamentais da devoção a Maria. A quarta delas é: precisamos de um mediador junto ao próprio Mediador.

Grignion de Montfort faz notar que "por via de regra, nossas melhores ações são manchadas e corrompidas pelo fundo de maldade existente em nós".22 Assim, não podemos estar seguros de ter as disposições adequadas para nossos pedidos serem atendidos. Tomando isso em consideração, pergunta ele: "Não precisaremos de um mediador junto ao próprio Mediador?". 23 E sua resposta é: necessitamos da intercessão de Nossa Senhora para suprir nossas imperfeições e podermos, através d'Ela, nos apresentar diante do Medianeiro por excelência, Jesus Cristo, que é Deus, em tudo igual ao Pai e ao Espírito Santo.

Pelo que conclui o santo missionário: "Digamos, pois, ousadamente com São Bernardo que temos necessidade de um mediador junto do próprio Mediador, e que a divina Maria é a mais capaz de cumprir essa missão caritativa".24

Como não lembrarmos, ao ouvirmos esses ensinamentos de São Luís, da Redemptoris Mater? Nessa encíclica, o Beato João Paulo II, em perfeita harmonia com a doutrina mariológica do Concílio, realça a "função maternal" dessa mediação. 25 E cita, para isso, a solene Profissão de Fé feita pelo Papa Paulo VI em 30 de junho de 1968, bem como o discurso de 21 de novembro de 1964, no qual o mesmo Papa proclamou Maria "Mãe da Igreja".

O grande paradoxo: a escravidão que liberta
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"São Bernardo", por Philippe Quantin -
Museu das Belas Artes, Dijon (França)

Como conclusão das presentes considerações, cabe lembrar o paradoxo evangélico segundo o qual o homem deve perder a sua vida por Cristo para salvá-la (cf. Lc 9, 24). Ou, por outras palavras, a necessidade de aniquilarmos a nós mesmos, assumindo a condição de escravos, para termos "o mesmo sentir e pensar que o Cristo Jesus" (Fl 2, 5).

A escravidão de amor, aquela praticada pelos justos e pelos santos, outorga a plenitude da verdadeira liberdade. E é este um dos pontos mais entusiasmantes da doutrina montfortiana: nossa total entrega a Jesus, tornada efetiva pelas mãos de Maria, constitui o meio mais poderoso para nos liberar do jugo dos vícios, dos nossos pecados atuais e dos efeitos do pecado original.

Da glória que traz esse paradoxo para quem o pratica, é Nossa Senhora paradigma perfeito. Pois Aquela que quis ser apenas a escrava do Senhor, "terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial".26

A mais íntima união com Maria que uma criatura possa jamais obter

Ora, ao conceber a sagrada escravidão a Jesus pelas mãos de Maria, explica o professor Plinio Corrêa de Oliveira, "São Luís Grignion não teve a intenção de excluir o apelativo de filho; ele acumula ambos. É por nos sentirmos filhos de Nossa Senhora, e por reconhecermos n'Ela, além de uma Mãe perfeita e incomparável, a Mãe de Deus, que a este título somamos à condição de filhos também a de escravos".27

E o líder católico brasileiro - cuja vida foi, do início ao fim, o mais belo ato de louvor a Maria que o autor destas linhas teve
oportunidade de conhecer - conclui dizendo: "Não se trata apenas, no ato de escravidão a Nossa Senhora, de se conseguir uma união muito íntima com Ela. Trata-se de obter a união mais íntima que uma criatura, nas nossas condições, possa jamais obter. É a nota característica da devoção de São Luís Grignion. Não se pode dizer apenas que é um método de união muito estreito a Maria Santíssima. É muito mais. Por muito que esforcemos nosso espírito, não descobriremos um método de união que vincule mais uma criatura a Nossa Senhora".28

Recompensa demasiadamente grande

Quais são as vantagens dessa união?

A resposta vem por si. Basta considerar quem é Maria. Ela é nossa Mãe e, ao mesmo tempo, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo.

"Como nossa Mãe, Ela usa para conosco, se fosse respeitoso dizê-lo, de todos os preconceitos, parcialidades e parti-pris que uma boa mãe tem em relação a seu filho"29, chegando nesse amor materno quase que à fraudulência, como fez Rebeca em relação a Jacó.

Sendo também Mãe Perfeita do Filho Perfeito, a recompensa que Ela dê ao nosso amor só pode ser também perfeita, proporcionada, não ao valor do que Lhe demos, mas à generosidade d'Aquela que o recebeu. "Ego protector tuus sum, et merces tua magna erit nimis" - "Eu sou o teu protetor e tua recompensa demasiadamente grande" (Gn 15, 1), afirmou Deus a Abraão. O próprio Cristo, que quis tomar a forma de escravo no seio virginal de Maria para nos liberar do cruel cativeiro do demônio, há de ser o prêmio inefável da sagrada escravidão de amor.

Notas:

1 SÃO JOÃO DE ÁVILA, apud GUTIERREZ, OFM, Enrique. Sor Inés de San Pablo, Fundadora de la primera Esclavitud Mariana. Burgos: Aldecoa, 1984, p.21-22.
2 Santo Ildefonso de Toledo, apud BEATO JOÃO PAULO II. Homilia, 6/11/1982, n.4.
3 SANTO INÁCIO DE LOYOLA. Exercícios Espirituais, n.114.
4 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Traité de la Vraie Dévotion a la Sainte Vierge, n.68. In: OEuvres complètes. Paris: Seuil, 1966.
5 Idem, ibidem.
6 Idem, n.69.
7 Idem, n.70.
8 CONCÍLIO VATICANO II. Lumen gentium, n.60.
9 Cf. BEATO JOÃO PAULO II. Dom e Mistério. São Paulo: Paulinas, 1996, p.37.
10 SÃO LUIS MARIA GRIGNION DE MONTFORT, op. Cit., n.164.
11 Idem, n.63.
12 Idem, n.121.
13Idem, n.123.
14 Idem, ibidem.
15 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Comentários ao Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. In: Circular aos Sócios e Militantes da TFP. Outubro 1966, p.86.
16 SÃO LUIS MARIA GRIGNION DE MONTFORT, op. cit., n.257.
17 Idem, ibidem.

(Revista Arautos do Evangelho, Nov/2011, n. 119, p. 20 à 25)

Congregação para o Culto Divino criará “Comissão para a Arte e Música Sacra para a Liturgia”

Roma (Quinta-feira, 24-11-2011, Gaudium Press) No transcurso da próxima semana a Congregação para o Culto Divino instituirá oficialmente a Comissão para a Arte e Música Sacra para a Liturgia. Ela terá como tarefas colaborar com as comissões diocesanas encarregadas de valorizar os projetos de novas igrejas e aprofundar o tema da música e cantos que acompanham às celebrações eucarísticas, para que se integrem de forma harmônica com a liturgia.
A nova comissão não terá um mero caráter consultivo ou de conselho, mas fará uso dos poderes do dicastério a qual pertence. A nova comissão, cujos regulamentos estão sendo redigidos por estes dias, dará indicações precisas às dioceses sobre matérias, promovendo uma arte litúrgica que favoreça a recuperação do sentido do sagrado e do mistério na liturgia, e que parte do fato litúrgico para expressar através da arte as verdades da Igreja, favorecendo assim o "ars celebrandi" (a arte das celebrações, em latim).
Como se refere o jornalista Andre Tornielli no diário La Stampa, o prefeito da Congregação do Culto Divino, Cardeal Antonio Cañizares Llovera, em acordo com o Papa Bento XVI, considera as atividades da futura comissão como "muito urgentes".

A Tradição Oral na Bíblia

São Paulo recomenda e ordena a manutenção da Tradição Oral. Em1 Cor 11,2, por exemplo, lemos: “Eu vos felicito por vos lembrardesde mim em toda ocasião e conservardes as tradições tais como euvo-las transmiti” (4). São Paulo está claramente recomendando que mantenham a tradição oral, e deve ser notado em particular que elecongratula os fiéis por fazê-lo (Eu vos felicito...). Também é explícito no texto o fato de que a integridade desta Tradição oral apostólica era claramente mantida, da mesma forma como Nosso Senhor havia prometido, sob o auxílio do Espírito Santo (cf. Jo 16,13).

Talvez o mais claro apoio bíblico para a Tradição oral seja 2 Ts 2,15, onde os cristãos são enfaticamente advertidos: “Assim, pois, irmãos, ficai inabaláveis e guardai firmemente as tradições que vos ensinamos, de viva voz ou por carta”. 

Esta passagem é significante porque: 

a) mostra uma tradição oral apostólica vivente, 

b) diz que os cristãos estarão firmemente fundamentados na fé se aderirem a estas tradições e,

c) claramente afirma que estas tradições eram tanto escritas como orais. 

A Bíblia distintamente mostra aqui que as tradições orais - autênticas e apostólicas em sua origem - deveriam ser seguidas como componente válido do Depósito da Fé, então por quais razões ou desculpas os protestantes a rejeitam? Com que autoridade podem rejeitar uma exortação clara do apóstolo Paulo?

Além do mais, devemos considerar o texto desta passagem. A palavra grega krateite, traduzida aqui como “guardar”, significa “estar firme”, “forte”, “prevalecer” (5). Esta linguagem é enfática, e demonstra a importância da manutenção destas tradições. Obviamente, devemos diferenciar o que seja Tradição (com T maiúsculo), que é parte da revelação divina, das tradições da Igreja (com t minúsculo) que, mesmo que sejam boas, desenvolveram-se tardiamente e não fazem parte do Depósito da Fé.
Um exemplo de algo que seja parte da Tradição seria o batismo infantil; um exemplo de tradições da Igreja seria o calendário das festas dos santos. Tudo que venha da Sagrada Tradição é de origem divina e são imutáveis, enquanto que as tradições da Igreja são cambiáveis pela Igreja. A Sagrada Tradição serve-nos como regra de fé por mostrar no quê a Igreja tem consistentemente crido através dos séculos e como ela sempre entendeu uma determinada parte Bíblica. Uma das principais formas pelo qual a Sagrada Tradição foi transmitida a nós está nas doutrinas dos textos litúrgicos antigos, o serviço divino da Igreja.

Todos já notaram que os protestantes acusam os católicos de promoverem doutrinas novas e anti-bíblicas baseadas na Tradição, por afirmarem que tal Tradição contém doutrinas que são estranhas à Bíblia. Entretanto, esta acusação é profundamente falsa. A Igreja Católica ensina que a Tradição Oral não contém nada que seja contrário à Tradição Escrita. Alguns pensadores católicos afirmam, inclusive, que não há nada na Tradição Oral que não seja encontrado na Bíblia, mesmo que implicitamente ou em formas seminais. Certamente as duas estão em perfeita harmonia e complementam uma à outra. Para algumas doutrinas, a Igreja faz uso da Tradição mais que pelas Escrituras para seu entendimento, mas mesmo estas doutrinas estão incluídas nas Sagradas Escrituras. Por exemplo, as doutrinas seguintes são preferencialmente baseadas na Sagrada Tradição: batismo infantil, o cânon das Escrituras, o domingo como Dia do Senhor, a virgindade perpétua de Maria e a assunção de Maria.

A Sagrada Tradição complementa nossa compreensão da Bíblia ao mesmo tempo que não constitui uma fonte extra-bíblica de revelação, com doutrinas novas ou estranhas a ela. Muito pelo contrário: a Sagrada Tradição age como a memória viva da Igreja, relembrando-a constantemente o que criam os cristãos antigos, como entendiam e interpretavam as passagens bíblicas (6). De certa forma, é a Sagrada Tradição que diz ao leitor da Bíblia: Você está lendo um livro muito importante, que contém a revelação de Deus aos homens. Agora deixe-me explicá-lo como ela sempre foi entendida e praticada pelos cristãos desde o início dos tempos.

Notas:
(4) A palavra traduzida como ordenança é também traduzida como ensinamento ou tradição, por exemplo, a NIV traz ensinamento com uma nota dizendo: "ou tradição".
(5) Vine, op. cit., p. 564.
(6) Um exemplo desta forma interpretativa envolve Ap 12. Os Padres da Igreja entenderam a mulher vestida de sol como referência à Assunção da Virgem Maria. Alguém afirmar que esta doutrina não existia até 1950 (o ano em que o Papa Pio XII definiu-o como dogma de fé) corresponde a uma grande ignorância de história eclesial. Essencialmente, a crença surgiu desde o início, mas não fora formalmente definida até o século 20. Deve-se saber que a Igreja geralmente não costuma definir uma doutrina formalmente a não ser que esta seja questionada por correntes heréticas perigosas. Tais ocasiões requerem uma necessidade oficial de definir parâmetros sobre a doutrina em questão.

Fragmentos da obra "Scripture Alone? 21 Reasons to reject Sola Scriptura" de Joel Peters, traduzido e editado em português pelo Apostolado Veritatis Splendor na forma de ebook com o título "Somente a Escritura?". Tradução de Rondinelly Ribeiro Rosa. Pgs 15-17.

O pão dos hereges

São João Crisóstomo, esclarecido luminar de seu século, foi chamado “Crisóstomo” devido às torrentes de sagrada eloqüência que fluíam de seus lábios, e foi também chamado “martelo da heresia”, devido à eficácia e vigor de sua argumentação em defesa da Fé Católica.
Conseguiu, com sua pregação, converter inúmeros hereges macedônios. O senhor permitiu que acontecesse um fato maravilhoso com uma mulher que acontecesse um fato maravilhoso com uma mulher que se obstinava em permanecer filiada aos sectários, e tal fato determinou por fim sua perfeita conversão.
As verdades católicas expostas por Crisóstomo mostravam-se tão evidentes ao marido dessa mulher, que lhe pareceu que não deveria tolerar por mais tempo que sua esposa professasse os perniciosos erros da heresia.
Procurava persuadi-la  renunciar a eles e abraçar a verdadeira Fé Católica, mas nenhum fruto tirava de seus conselhos nem de suas longas discussões, porque era grande a tenacidade com que ela aceitava as opiniões heréticas.
Afinal, esgotados todos os meios de conduzi-la ao bom caminho, ameaçou de separar-se dela se não aderisse aos seus desejos, seguindo o bom exemplo que lhe tinha dado.
A mulher, para obedecer ao marido na aparência, mas perseverando na sua obstinação, lhe disse que faria o que pedia, mas, combinando antes com uma criada sua, foi a um templo de hereges e, tomando o pão falsamente consagrado que davam a seus adeptos, deu-o à criada para que o guardasse. Em seguida foi a Igreja dos católicos com seu marido, para comungar e assegurar-lhe que já era católica, e recebendo a Sagrada Hóstia, fingindo que se inclinava para orar, deu à criada que estava ao seu lado, e tomou dela o pão recebido dos hereges, o qual imediatamente se transformou em pedra.
A desventura da mulher, atônita e fora de si, procurou São João Crisóstomo para narrar-lhe o que lhe tinha acontecido, e ele a converteu à Fé Católica, e publicou o milagre, conservando-se em Constantinopla, para perpétua memória, aquela pedra em que o pão dos hereges se tinha convertido.

Sozomeno, Vida de San Juan Crisóstomo, liv.8, cap. 5. – Tradução Mendes Silva, Apostolado Spiritus Paraclitus.

Saudações ao Santíssimo Coração de JESUS

 
Ave, ó Coração de meu Jesus, salvai-me! 
Ave, ó Coração de meu Criador, aperfeiçoai-me! 
Ave, ó Coração de meu Salvador, libertai-me! 
Ave, ó Coração de meu Juiz, perdoai-me! 
Ave, ó Coração de meu Pai, governai-me! 
Ave, ó Coração de meu Mestre, ensinai-me! 
Ave, ó Coração de meu Rei, coroai-me! 
Ave, ó Coração de meu Benfeitor, enriquecei-me! 
Ave, ó Coração de meu Pastor, guardai-me! 
Ave, ó Coração de meu Jesus Menino, atraí-me! 
Ave, ó Coração de meu Jesus morrendo na Cruz, satisfazei por mim! 
Ave, ó Coração de Jesus no Santíssimo Sacramento, alimentai-me! 
Ave, ó Coração de Jesus em todos Vossos mistérios e estados, dai-Vos! 
Ave, ó Coração de Jesus, meu Irmão, morai comigo! 
Ave, ó Coração de incomparável bondade, tende piedade de mim! 
Ave, ó Coração magnífico, resplandecei sobre mim! 
Ave, ó Coração caridoso, compadecei-Vos de mim! 
Ave, ó Coração misericordioso, respondei por mim! 
Ave, ó Coração pacientíssimo, suportai-me! 
Ave, ó Coração fidelíssimo, pagai por mim! 
Ave, ó Coração dulcíssimo, abençoai-me! 
Ave, ó Coração pacífico, acalmai-me! 
Ave, ó Coração belíssimo, encantai-me! 
Ave, ó Coração nobilíssimo, enobrecei-me! 
Ave, Coração bendito, Médico e remédio de todos os males, curai-me! 
Ave, ó Coração amante, fornalha ardente de amor, consumi-me! 
Ave, ó Coração modelo de toda perfeição, iluminai-me! 
Ave, ó Coração origem de toda felicidade, fortalecei-me! 
Ave, ó Coração, fonte de eterna benção, chamai-me, 
uni-me a Vós na vida e na eternidade!

(Oração retirada do livro "Adoremus: Manual de Orações e Exercícios Piedosos",
de Dom Eduardo Herberhold, OFM, 1926, 15ª edição)

Revelações da Santíssima Virgem a Santa Isabel de Turíngia

Levantava-me à meia-noite e ia ao Templo orar ao Senhor, diante do altar

Como narra São Boaventura Baduário, Santa Isabel de Turíngia, religiosa beneditina do mosteiro de Schoenau, recebeu a seguinte revelação da Santíssima Virgem: "Quando meus pais me deixaram no Templo, tomei a resolução de ter só Deus por Pai. Continuamente pensava no que havia de fazer para ser-lhe agradável." E, disse Nossa Senhora à Santa Brígida,: "Determinei, além disso, consagrar a Deus minha virgindade, e não possuir coisa alguma do mundo, entregando ao Altíssimo toda a minha vontade."

E novamente a Santa Isabel: "Entre todos os preceitos, adotei, amorosa e particularmente, o de amar a Deus. Levantava-me à meia-noite e ia ao Templo orar ao Senhor, diante do altar, para que me concedesse a graça de observar os preceitos e de contemplar a que seria a Mãe do Redentor. Roguei-lhe que me conservasse os olhos para vê-la, a língua para louvá-la, as mãos e os pés para servi-la e os joelhos para adorar em seu seio o Divino Filho."

Mas Santa Isabel, ao ouvir isto, lhe perguntou: "Mas Senhora, vós não éreis cheia de graça e de virtudes?" Ao que respondeu Maria: "Sabe que eu me sentia a mais vil entre as criaturas, e a mais indigna das graças do Céu. Por isso pedia, constantemente, a graça e as virtudes."

Finalmente, para que nos persuadamos da necessidade absoluta que temos de pedir a Deus as graças que nos fazem falta, acrescentou Maria: "Pensas tu que eu tenha possuído a graça e as virtudes sem fadiga? Fica sabendo que eu, graça alguma recebi de Deus, sem grande fadiga, oração contínua, desejo ardente, e muitas lágrimas e penitências." 

por Santo Alfonso de Ligório, doutor da Igreja. "Glórias de Maria" Edição brasileira da Editora Santuário, Aparecida, SP, pp. 278 e 279

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

MATERNIDADE ESPIRITUAL PARA SACERDOTES

Eliza Vaughan

É uma verdade evangélica que as vocações sacerdotais devem ser pedidas com a oração. Evidencia-o Jesus no evangelho quando diz: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois, ao Senhor da messe que envie  trabalhadores para a sua messe!” (Mt 9,37-38).
 

Oferece-nos um exemplo muito significativo a inglesa Eliza Vaughan, mãe de família e mulher dotada de espírito sacerdotal, que rezou muito para as vocações.

Eliza provinha de uma família protestante, a dos Rolls, que sucessivamente fundou a indústria automobilística Rolls-Royce, mas quando jovem, durante sua permanência e educação na França, havia ficado muito  impressionada pelo exemplar empenho da Igreja católica para com os pobres.

No verão de 1830, após o casamento com o coronel John Francis Vaughan, Eliza, apesar da forte resistência de seus parentes, converteu-se ao catolicismo. Havia tomado essa decisão com convicção e não somente por ter entrado a ser parte de uma famosa família inglesa de tradição católica. Os antepassados Vaughan, durante a perseguição dos católicos ingleses sob o reinado de Elisabeth I (1558-1603), preferiram sofrer a expropriação dos bens e a prisão antes que renunciar à própria fé.


Courtfield, a residência originária da família de seu marido, tornara-se, durante as décadas de terror, um abrigo para os sacerdotes perseguidos, um lugar onde celebrava-se a S. Missa. Desde então haviam passado três séculos, mas nada mudara no espírito católico da família.

Certa do poder da oração silenciosa e fiel, Eliza Vaughan reservava cada dia uma hora de adoração na capela da casa, rezando pelas vocações na sua família. Tornando-se mãe de seis sacerdotes foi grandemente atendida. Falecida em 1853, Mamãe Vaughan foi enterrada em Courtfield, na propriedade da família que ela tanto amara. Hoje Courtfield é um centro de exercícios espirituais da diocese de Cardiff.
 

Com o exemplo da santa vida de Eliza, em 1954 a Capela da Casa foi consagrada pelo bispo como “Santuário de Nossa Senhora das Vocações”, título que foi confirmado no ano 2000.

Doemos os nossos filhos a Deus

Convertida no fundo do coração, cheia de zelo, Eliza propôs ao marido de doar os filhos a Deus. Essa mulher de elevadas virtudes rezava cada dia durante uma hora frente ao Santíssimo Sacramento na Capela da residência de Courtfield, pedindo a Deus uma família numerosa e muitas vocações religiosas entre seus filhos. Foi atendida! Teve 14 filhos e morreu pouco depois do nascimento do último filho em 1853. Dos 13 filhos vivos, entre os quais 8 homens, seis se tornaram sacerdotes: dois em ordens religiosas, um sacerdote diocesano, um bispo, um arcebispo e um cardeal. Das cinco filhas, quatro se tornaram religiosas. Que benção para a família e quais efeitos para toda a Inglaterra! Todos os filhos da família Vaughan tiveram uma infância feliz, porque na educação sua santa mãe possuía a capacidade de associar de modo natural a vida espiritual e as obrigações religiosas com as diversões e a alegria. Por vontade da mãe faziam parte da vida quotidiana as orações e a S. Missa na capela da casa, bem como a música, o esporte, o teatro amador, a equitação e as brincadeiras. Os filhos não se entediavam quando a mãe lhes contava as vidas dos santos, que aos poucos se tornaram para eles amigos íntimos. Eliza levava consigo os filhos também nas visitas e nos cuidados aos doentes e aos sofredores das vizinhanças, para que pudessem nestas ocasiões aprender a serem generosos, a fazer sacrifícios, a doar aos pobres suas poupanças e seus brinquedos.

Ela faleceu pouco depois do nascimento do décimo quarto filho, John. Dois meses após a sua morte, o coronel Vaughan, convencido que ela havia sido um dom da Providência, escreveu numa carta: “Hoje, durante a adoração, agradeci o Senhor, por ter podido devolver a Ele minha amada esposa. Abri a Ele o meu coração cheio de gratidão por ter-me doado Eliza como modelo e guia, a ela ainda
me liga um vínculo espiritual inseparável.

Que maravilhosa consolação e que graça me transmite! Ainda a vejo como sempre a vi frente ao Santíssimo com aquela sua pura e humana gentileza que lhe iluminava o rosto durante a oração”.


Trabalhai nas vinhas do Senhor

As numerosas vocações entre os filhos do casal Vaughan são realmente uma extraordinária herança na história do Reino Unido e uma benção que provinha principalmente da mãe Eliza. Quando Herbert, o filho mais velho, aos dezesseis anos anunciou aos pais que queria se tornar sacerdote, as reações foram  diferentes. A mãe, que havia rezado muito para que isso acontecesse, sorriu e disse: “Meu filho, eu já sabia há muito tempo”. O pai porém precisou de um pouco de tempo para aceitar o anúncio, pois sobre o filho mais velho, herdeiro da casa, havia colocado muitas esperanças e havia pensado para ele uma brilhante carreira militar. Como teria podido imaginar que Herbert iria se tornar arcebispo de Westminster, fundador de Millhill e sucessivamente cardeal?

Mas o pai também logo persuadiu-se e escreveu para um amigo:
“Se Deus quer Herbert para si, pode ter também todos os outros”.
Reginaldo porém casou-se, como Francis Baynham, que herdou a propriedade da família.

Deus chamou ainda outros nove filhos dos Vaughan. Roger, o segundo, tornou-se prior dos beneditinos e mais tarde amado arcebispo de Sydney, na Austrália, onde mandou construir a catedral. Kenelm tornou-se cisterciense e mais tarde sacerdote diocesano.

José, o quarto filho dos Vaughan, foi beneditino como o irmão Roger e fundador de uma nova abadia.  Bernardo, talvez o mais animado de todos, que amava muito a dança e o esporte, que não perdia uma diversão, tornou-se jesuíta.
 
Conta-se que no dia anterior ao seu ingresso na ordem, tenha tomado parte de um baile e tenha dito a sua parceira: “Este que estou fazendo com a senhora é meu último baile porque serei jesuíta!”. Surpresa, a jovem teria exclamado: “Mas por favor! Logo o senhor, que tanto ama o mundo e dança  maravilhosamente bem, quer ser jesuíta?”. A resposta, mesmo se pode ser interpretada de várias maneiras, é muito bonita: “Exatamente por isso me entrego a Deus!”.

John, o mais novo, foi ordenado sacerdote pelo irmão Herbert e sucessivamente tornouse bispo de Salford na Inglaterra. Das cinco filhas da família, quatro se tornaram religiosas.

Gladis entrou na ordem da visitação, Teresa foi irmã da misericórdia, Claire irmã clarissa e Mary priora junto às agostinianas. Margareta também, a quinta filha dos Vaughan, queria ser freira, mas não pôde por causa de sua saúde fraca. Viveu, porém, em casa como consagrada e passou os últimos anos de sua vida num mosteiro.

Herbert Vaughan tinha dezesseis anos quando no verão, durante um retiro espiritual, resolveu ser sacerdote. Foi ordenado em Roma aos 22 anos de idade e mais tarde tornou-se bispo de Salford na Inglaterra e fundador dos Missionários de Millhill, que hoje atuam no mundo inteiro. Finalmente tornou-se Cardeal e terceiro arcebispo de Westminster.

No seu brasão está escrito: “Amare et Servire!”. O seu programa estava enunciado na frase “O amor deve ser a raiz da qual brota todo o meu serviço”.