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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O Escapulário Azul da Imaculada Conceição de MARIA !!!

(http://a-grande-guerra.blogspot.com/2011/12/o-escapulario-azul.html)



A modernidade, extremamente marcada pelo naturalismo, racionalismo e materialismo, esqueceu a prática tão salutar das Indulgências, em épocas mais cristãs tão valorizadas.

Reagindo contra esta tendência, nada melhor aos verdadeiros cristãos que lançar mão do famoso "agere contra", ensinado por Santo Inácio de Loyola, ou seja, fazer o contrário do que faz a modernidade, e utilizar o mais que se possa o Tesouro Espiritual da Igreja, lucrando cada um o maior número de Indulgências que conseguir.

Para tanto, propomos aqui o uso do mais indulgenciado de todos os Escapulários aprovados pela Igreja: o Escapulário Azul da Imaculada Conceição.

Um escapulário é um pequeno objeto, feito de dois pedaços de pano unidos por algum fio e usados de modo que uma parte caia sobre o peito e a outra nas costas. Geralmente se ligam a uma determinada Ordem religiosa e sempre expressam uma devoção da Igreja. Ao aprová-los a Igreja anexa-lhes indulgências e privilégios espirituais.

Vários são os escapulários aprovados pela Igreja: o do Carmo, o da Santíssima Trindade, o da Paixão de Cristo e dos Sagrados Corações, o das Dores de Nossa Senhora, o do Preciosíssimo Sangue, etc. Dentre estes, o mais célebre é, sem dúvida, o Escapulário do Carmo, em razão da promessa feita por Nossa Senhora a São Simão Stock de que não morreria em pecado mortal aquele que morresse usando esse escapulário. De modo algum pretendemos ferir aqui a importância do Escapulário do Carmo, que permanece sempre o mais útil, pois que escapar do inferno é, evidentemente, mais urgente do que lucrar qualquer indulgência. O uso de um escapulário, todavia, não impede o de outro, e a Igreja possui, inclusive, uma fórmula para a imposição conjunta dos cinco principais escapulários, tanto é o seu desejo de que os fiéis tenham acesso ao seu Tesouro Espiritual e dele tirem o máximo proveito, quer para si, quer para as Almas do Purgatório.

Dentre todos os escapulários, o mais enriquecido de indulgências e privilégios pela Igreja é, reconhecidamente, o Escapulário Azul da Imaculada Conceição.

Revelado em 1616 por Nossa Senhora à Venerável Úrsula Benincasa (cujas virtudes foram proclamadas heróicas pelo papa Pio VI, em 7 de agosto de 1793), o Escapulário Azul foi anexado à Ordem dos Teatinos e enriquecido de favores pelos papas Clemente IX, Clemente XI, Gregório XVI e, sobretudo, por Pio IX, o papa que definiu o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

A imposição solene do Escapulário Azul é reservada aos padres teatinos, mas a imposição privada é facultada a qualquer sacerdote. Para se lucrarem seus tesouros é preciso usá-lo constantemente (sendo, porém, permitido tirá-lo para banhar-se), e rezar cada dia qualquer prece pelas intenções do papa.

Compõem-se o esse escapulário de duas peças de pano de algodão, de cor azul clara, retangulares, unidas entre si por algum fio de qualquer espécie, e usadas de modo que uma caia sobre o peito e a outra sobre as costas. Pode ser confeccionado em casa mesmo.

A Ordem dos Teatinos, fundada no século XVI por São Caetano de Tiene e pelo bispo João Pedro Caraffa (depois papa Paulo IV), tinha como objetivo principal a reforma dos costumes e a conversão dos pecadores. Também a Venerável Benincasa tinha como devoção especial orar pelos pecadores. Por sua vez, aquele que recebe o Escapulário Azul - revelado à Venerável Benincasa e ligado à Ordem Teatina - deve impor-se, ou fazer-se impor por seu confessor, alguma oração pela conversão dos pecadores, a ser rezada quotidianamente. Todavia, o não cumprimento desta cláusula não significa pecado e nem impede que se ganhem as indulgências do Escapulário em questão.

Isso exposto, passamos agora à longa enumeração das indulgências e privilégios do Escapulário Azul da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, começando pelo extraordinário privilégio da indulgência plenária quotidiana sem confissão nem comunhão.

I. Indulgências plenárias que se podem lucrar sem confissão nem comunhão:

- Ao fiel que usa o Escapulário Azul devidamente imposto, concede-se lucrar as mesmas indulgências plenárias que são concedidas àqueles que visitam as sete basílicas de Roma, a igreja da Porciúncula de Assis, a igreja de Santiago de Compostela e a Terra Santa, quotidianamente, a cada vez que rezarem 6 (seis) Pai-nossos, 6 Ave-Marias e 6 Glórias-ao-Pai, em honra da Santíssima Trindade e da Bem-Aventurada Virgem Maria concebida sem pecado, orando ao mesmo tempo pela exaltação da Santa Igreja Romana e pela extirpação das heresias. Para lucrarem-se estas indulgências não é necessário dizer outras orações, nem confessar-se e nem comungar, bastando estar em estado de graça (e este, em caso de pecado grave, pode ser recuperado por um ato de contrição unido ao propósito de confessar-se depois). Todas estas são aplicáveis aos defuntos. Este extraordinário privilégio foi reconhecido e confirmado pela Santa Sé em decreto de 31 de março de 1856, confirmado pelo papa Pio IX em 14 de abril do mesmo ano.

II. Indulgências plenárias nas condições de costume:

Ao fiel que usa o Escapulário Azul devidamente imposto, concede-se lucrar uma indulgência plenária a cada um dos dias abaixo, desde que nesse dia comungue, reze qualquer oração pelas intenções do Papa, tenha arrependimento e propósito de emenda até de seus pecados veniais, e tenha se confessado no dia ou semana anterior, sem ter de rezar outras preces. Remontam ao Decreto do papa Gregório XVI, de 12 de julho de 1846. São os seguintes dias:

- No dia da imposição do escapulário;
- Na hora da morte;
- Todo primeiro domingo do mês;
- Todo sábado da Quaresma;
- Na domingo e na sexta-feira da semana que antecede a Semana Santa;
- Na Quarta, Quinta e Sexta-Feira da Semana Santa;
- Em um dos dias das Quarenta Horas;
- No primeiro domingo de Julho;
- No primeiro e último domingo da novena de Natal;
- Nas festas do Natal, Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Invenção e Exaltação da Santa Cruz;
- Nas festas da Imaculada Conceição, da Purificação, da Anunciação, da Assunção e da Natividade de Nossa Senhora;
- No dia 2 de agosto, festa da Porciúncula;
- Nas festas de São Miguel, Anjos da Guarda, São José, São João Batista, São Pedro e São Paulo, Santo Agostinho, Santa Teresa de Ávila e Todos os Santos.
- Uma vez durante qualquer retiro de ao menos 3 dias;
- Uma vez num dia qualquer do ano, à escolha da pessoa;
- Nas festas principais dos teatinos, a saber: 24 de março, 12 de abril, 17 de julho, 7 de agosto, 10 de novembro e 13 de dezembro.
- No dia da primeira missa, se o que usa o escapulário é sacerdote;
- Duas vezes no mês, em dia à escolha da pessoa;
- Pode-se, além disto, ganhar as mesmas indulgências das Estações de Roma, nos dias designados pelo missal, visitando-se nesses dias uma igreja dos teatinos ou, se não for possível, a própria paróquia. Os dias assim designados pelo missal são: Os domingos do Advento; os dias 26, 27 e 28 de dezembro; as festas da Circuncisão do Senhor e da Epifania; os domingos da Septuagésima, Sexagésima e Quinqüagésima; a quarta-feira de Cinzas e todos os dias que lhe seguem, até ao domingo de Pascoela inclusive; a festa de São Marcos (25 de abril) e os três dias das rogações; a festa da Ascensão; a vigília de Pentecostes e todos os dias da semana que lhe segue; os três dias das 4 Têmporas).

III. Indulgências parciais:

Ao fiel que usa o Escapulário Azul devidamente imposto, concede-se lucrar (bastando estar em estado de graça e ter a intenção geral de ganhar todas as indulgências que puder):

- 60 anos de indulgência pela prática da meditação diária por ao menos meia hora, a cada vez.
- 20 anos a cada dia das oitavas das festas de Nosso Senhor e outras festas de diversas Ordens Religiosas;
- 20 anos ao visitar os enfermos, ou, havendo impedimento para tanto, ao rezar 5 Pai-nossos e 5 Ave-Marias pelos enfermos;
- 7 anos e 7 quarentenas em todas as festas de Nossa Senhora não mencionadas acima;
- 7 anos e 7 quarentenas cada vez que se confessarem e comungarem;
- 5 anos e 5 quarentenas cada vez que visitarem uma igreja dos teatinos ou a própria igreja, rezando aí 5 Pai-nossos, 5 Ave-Marias e 5 Glórias-ao-Pai em honra da Santíssima Trindade e da Bem-Aventurada Virgem Maria concebida sem pecado, orando ao mesmo tempo pela exaltação da Santa Igreja Romana e pela extirpação das heresias;
 - 300 dias em cada dia da oitava de Pentecostes;
- 200 dias a cada vez que ouvir uma pregação;
- 60 dias a cada vez que se fizer qualquer ato de piedade;
- 50 dias a cada vez que se invocar devotamente os Nomes de Jesus e Maria;
- 50 dias a cada vez que rezar um Pai-nosso e Ave-Maria pelos fiéis vivos e defuntos.

(Essas quantidades de tempo mencionadas significam que o fiel recebe, do Tesouro Espiritual da Igreja, uma remissão das penas temporais de seus pecados já perdoados equivalente àquela que receberia um penitente dos primeiros séculos da Igreja por tantos dias ou anos de penitência pública e canônica.)

IV. Altar Privilegiado:

- Todas as missas que se dizem em qualquer altar, por um defunto que em vida trazia o Escapulário Azul, desfrutam dos benefícios de Altar Privilegiado (altar em que cada missa lucra indulgência plenária em favor da alma pela qual se oferece a missa).

Fórmula de Imposição do Escapulário Azul da Bem-Aventurada Virgem Maria

- Benedictio et Impositio Scapularis Caerulei B. Mariae Virg. Immaculatae -

(Aquele que receberá o Escapulário ajoelha-se; o sacerdote, revestido se sobrepeliz e estola branca, diz:)

- Adiutórium nostrum in nómine Dómini.
- Qui fecit caelum et terram.

- Dóminus vobiscum.
- Et cum spíritu tuo.

Orémus:

Dómine Iesu Christe, qui tégumen nostrae mortalitátis induére dignatus es, tuae largitátis cleméntiam humíliter imploramus: ut hoc genus vestiménti, quod in honórem et memóriam Conceptiónis beátae Maríae Vírginis immaculátae, nec non ut illo indúti exórent in hóminum pravórum morum reformatiónem, institútum fuit, bene+dícere dignéris; ut hic fámulos tuus, qui eo usus fuérit (vel haec fámula tua, quae eo usa fúerit; vel hi fámuli tui, qui eo usi fúerint; vel hae fámulae tuae, quae eo usae fúerint), éadem beáta María Vírgine intercedénte, te quoque induére mereátur (vel mereántur): Qui vivis et regnas in sáecula saeculórum. Amen.

(Depois o sacerdote, sem nada dizer, asperge o Escapulário com água-benta, e o impõem ao fiel que deve recebê-lo, dizendo:)

Accipe, frater (vel soror), scapuláre Conceptiónis beátae Maríae Vírginis Immaculátae: ut, ea intercedénte, véterem hóminem exútus (a) et ab omni peccatórum inquinaménto mundátus (a), ipsum pérferas sine mácula, et ad vitam pervénias sempitérnam. Per Christum Dóminum nostrum. Amen.

(E, tendo já imposto o Escapulário, o sacerdote diz:)

Et ego, ex facultáte mihi concéssa, recípio te (vos) ad participatiónem bonórum ómnium spirituálium, quae in Clericórum Regulárium congregatióne ex grátia Dei fiunt, et quae per Sanctae Sedis Apostólicae privilégium concéssa sunt. In nómine Pátris, et Fílli, + et Spíritus Sancti. Amen.

(Depois o sacerdote reza em língua vulgar, junto com aquele que recebeu o Escapulário, a seguinte oração, fazendo o padre uma genuflexão a cada vez:)

Laudes ac grátiae sint omni moménto, sanctíssimo ac diviníssimo Sacraménto. Et benedícta sit sancta et immaculáta Concéptio beatíssimae Vírginis Maríae, Matris Dei.

(Agora o sacerdote pode fazer uma alocução elogiando as indulgências anexas ao Escapulário Azul: "Hortetur fideles ut haec elogia saepe saepius repetant ad Indulgentias iis adnexas consequendas" - Decr. Pii VII, die 30 iun. 1818; Breve Leonis XIII, die sept. 1878; Decr. Pii X, die 10 apr. 1913; S. Poenit. Ap., 8. nov. 1934 et 12 iul. 1941).

(Há outras fórmulas para impor o Escapulário Azul, mais breves ou mais extensas que esta, que foi retirada do final do Breviário Romano para uso dos seminaristas, páginas 171 e 172. A lista das indulgências foi retirada da obra Meditações Sacerdotais, do Padre Chaignon, S. J., Volume III, 2ª edição, Pôrto:1935, Edições do Apostolado da Imprensa, páginas 785 - 789).

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Um Milagre de SÃO MIGUEL

Perto de Hierápolis, na Frigia, havia um lugar chamado Chonê ("escorrente"), onde havia uma fonte de águas milagrosas. Quando o Apóstolo João, o Teólogo, acompanhado de Filipe, pregou o Evangelho em Hierápolis, ele viu o lugar e profetizou que uma fonte de águas milagrosas brotaria ali, da qual muitos receberiam curas e que o grande Arcanjo de Deus Miguel visitaria. Bem pouco tempo depois, a profecia cumpriu-se: uma fonte d'água transbordou e ficou vastamente conhecida por seu poder miraculoso. Um pagão de Laodicéia tinha uma filha que era muda, o que lhe era motivo de muita tristeza. O Arcanjo Miguel apareceu-lhe num sonho e mandou que levasse a menina à fonte. Ele encontrou muitas ali muitas pessoas que buscavam a cura de várias enfermidades. Todas aquelas pessoas eram cristãs. O homem perguntou como ele acharia a cura, e os cristãos disseram-lhe: "Tens que orar ao Arcanjo Miguel, no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." O homem orou desta maneira, deu à filha um gole de água, e a menina começou a falar. O pagão, sua filha e toda sua casa batizaram-se, e ele construiu uma igreja sobre a fonte, dedicando-a ao Arcanjo Miguel.

Muito tempo depois, um jovem de nome Arquipo instalou-se ali e conduziu uma vida de austeridade, de jejum e oração. Os pagãos praticaram muitas maldades para com Arquipo, pois eles detestavam o fato deste santo lugar cristão emanar tamanho poder espiritual e atrair tantas pessoas. Os pagãos, em sua impiedade, deslocaram o curso do rio mais próximo para inundar a igreja e a fonte. Pelas orações de Arquipo, o santo Arcanjo Miguel abriu uma fissura na rocha diante da igreja, e água do rio escoou pela fissura. Eis como o lugar foi salvo e por que é chamado de Chonê ou "o que escorre", pois a água do rio escorria pela fissura aberta. Santo Arquipo labutou no ascetismo até á idade dos setenta anos e repousou pacificamente no Senhor.

ORIGEM DAS CRUZADAS

As guerras entre os países de religião ocidental e  os ocupantes muçulmanos na Terra Santa, principalmente em decorrência da ocupação  dos lugares de veneração dos cristãos  remontam ao século VII  com a ocupação dos maometanos e, mais tarde, os turcos (século XI) que dominaram a região. A princípio oito batalhas, denominadas cruzadas, estenderam-se de 1095 a 1270, se bem  que após esse período, durante muito tempo foram outras organizadas , porém, com características diferentes das Cruzadas primitivas.

Os cristãos na Palestina sempre haviam sido tratados com hospitalidade  pelos  muçulmanos. Os árabes também consideravam Jerusalém  uma cidade respeitável e Jesus, segundo eles, simplesmente um  dos profetas  que haviam precedido Maomé.  Quando Al-Hakim,  o califa louco do Cairo, destruiu a  igreja do Santo Sepulcro (1010), os próprios maometanos contribuíram substancialmente para a sua restauração.

Entretanto, com o avanço dos turcos  modificou-se completamente a situação.  Em 1070 os turcos haviam tomado Jerusalém aos árabes e  começaram então as  perseguições e profanações que os peregrinos narravam com cores vivas no Ocidente. 

Nessa época,  um piedoso peregrino chamado Pedro d'Amiens, ao retornar da Terra Santa, foi ter com o Papa Urbano II a fim de descrever-lhe os vexames dos cristãos na Palestina e  profanação dos lugares santos pelos infiéis. Por este motivo, o Papa convocou o concílio de Clermont (1095), ao qual compareceram  muitos príncipes do Ocidente.   Lá compareceu também Pedro d'Amiens e expôs com tal emoção a triste situação do país de Cristo que todos os circunstantes,  em lágrimas,  romperam num grito uníssono de fé e coragem: "Deus o quer! Deus o quer! ". O Ocidente em peso pôs-se em movimento  para libertar do poder dos turcos a Terra Santa. 

Ocorre que antes  da definição e concretização das metas,  Pedro, o Eremita e um cavaleiro intitulado Gauthier Sans-Avoir (Valter Sem Tostão),  anteciparam-se aos planos do Papa Urbano II e partiram para o Oriente  com uma massa de 17.000 pessoas ignorantes, pobremente equipadas e sem nenhuma experiência militar.  Foi um movimento paralelo e independente que partiu em direção à Nicéia sem o prévio consentimento do Papa, sob a denominação "cruzada do povo".  Após uma travessia caracterizada por roubos, violências e  epidemias, foram  completamente trucidados pelos  turcos quando atacaram aquela cidade. Por isto,  não considera-se este movimento como a primeira cruzada, que teve  seu início em 1096, portanto, no ano seguinte. 

1ª. Cruzada 

A primeira  das cruzadas  partiu em 1096 e teve seu término em 1099. Os maiores  nomes da cristandade feudal nela figuravam, predominando franceses e normandos. Sob o comando de Godofredo de Buillon seguiram para Constantinopla. Os muçulmanos achavam-se divididos e os cruzados  tomaram facilmente Antioquia. Durante um período de três anos, após  renhidas batalhas, no dia  15 de julho de 1099, numa Sexta-Feira Santa,  os cruzados  tomaram Jerusalém. Por causa de sua coragem e piedade, os chefes dos exércitos o elegeram rei de Jerusalém. Conduziram-no à igreja do Santo Sepulcro, onde o aclamaram solenemente. Quando, porém,  lhe ofereceram a  coroa real, o duque  recusou-se a aceitá-la e disse: "Não permita Deus que eu cinja um diadema de  ouro no mesmo local em que o Rei dos reis foi coroado de espinhos".  Com  a  finalidade  de  defesa  foram criadas  ordens  militares-religiosas, como a  dos Hospitalários ou Cavaleiros de São João, a dos  Templários  e  a  dos Cavaleiros  Teutônicos, tendo o novo reino subsistido por quase  cem anos.  

2ª. Cruzada 

Saladino, um aventureiro curdo, tornou-se  sultão do Egito e reunindo os esforços do Egito aos de Bagdá, fez a pregação de uma guerra santa muçulmana  contra os cristãos. A contra-cruzada de Saladino atingiu seu objetivo precisamente em 1187, quando Jerusalém foi retomada. Esse fato suscitou a terceira cruzada, denominada "Cruzada dos Reis". 

3ª. Cruzada ("Cruzada dos Reis") 

A Cruzada dos Reis foi chefiada por  Frederico I (Frederico Barba Ruiva), imperador do Sacro Império Romano Germânico, Felipe Augusto, rei da França e Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra,os quais  não obtiveram êxito.  Frederico I morreu afogado no rio Selef, na Cicília. Felipe Augusto regressou logo, tendo perdido quase  todas as suas tropas e Ricardo Coração de Leão ficou na Palestina tentando em vão tomar Jerusalém. 

Esta terceira cruzada, contudo, marcou uma  importante transformação nas relações entre cristãos e muçulmanos. Ricardo Coração de Leão firmou com Saladino um tratado, mediante o qual este reconhecia aos cristãos o domínio de uma  faixa costeira  na Síria e permitia o livre acesso dos peregrinos a Jerusalém. 

4ª.  Cruzada ("Cruzada Veneziana") 

A quarta  cruzada foi preparada por Inocêncio III, o grande Papa da Idade Média. Os franceses, principalmente,  acudiram ao apelo do Pontífice. Mas os planos do Papa, de atacar o Egito e  depois a Palestina, foram completamente deturpados pela influência de Veneza. A rica cidade italiana  exigiu 85.000 marcos de  prata para transportar os cruzados. Como não se conseguiu a quantia pedida, foi proposto um acordo pelos venezianos, no qual os cruzados os ajudariam a tomar a  cidade de Zara (hoje Zadar - Iuguslávia), no Adriático, cuja prosperidade  preocupava seriamente Veneza.  Contra a  opinião do Papa, o acordo foi feito e Zara saqueada. Em seguida os venezianos  sugeriram um ataque a Constantinopla, pois não lhes interessava  uma guerra contra os muçulmanos com os quais  comerciavam intensamente. 

Aproveitando-se  das lutas  internas pelo trono bizantino, os cruzados, apesar da oposição de Inocêncio III, dirigiram-se  com uma frota de  480 navios para Constantinopla.  A quarta cruzada transformou-se, assim,  em intrigas e rivalidades entre os príncipes cristãos , fazendo com que os santos lugares  caíssem no poder dos infiéis. Além disto, Constantinopla foi saqueada  totalmente, parcialmente destruída e, em meio à pilhagem, preciosos manuscritos foram inutilizados ou perdidos e  milhares de obras-primas foram roubadas, mutiladas ou esfaceladas. 

 5ª.  e 6ª. Cruzadas 

A quinta cruzada dirigida por André II da Hungria, não teve grande importância histórica.  A sexta, no entanto, comandada por Frederico II, alcançou a Palestina. Frederico II, como havia sido excomungado, não recebeu cooperação cristã. Por ter  conhecimentos em ciência e filosofia árabes, acabou entendendo-se amistosamente com o sultão Al-Kamil,  ocasião em que assinaram um tratado mediante o qual o Islã cedia aos cristãos Acre, Jafa, Sidon, Nazaré, Belém e toda a Jerusalém. 

 7ª e 8ª Cruzadas  

A sétima e oitava  cruzadas foram empreendidas  por Luís IX (São Luís), rei da França. Na sétima cruzada  foi ocupada a  cidade de Damieta, mas logo em seguida  foi feito prisioneiro o bom rei francês, tendo sido  obrigado a pagar pesado resgate. Em 1270 empreendeu uma expedição a Túnis (8ª. Cruzada), onde faleceu, vítima de uma epidemia. 

Consequência sociais e  religiosas das Cruzadas

Os efeitos  das  cruzadas  sobre a vida econômica e social da Europa constituem pontos de divergência entre os modernos historiadores. Não se pode afirmar que as Cruzadas tenham ocasionado a ruína do feudalismo. A desintegração feudal era um processo já em evolução e para ele talvez tenha  contribuido mais  a  peste negra (que matou um terço da população européia) do que as Cruzadas.  Todavia, as Cruzadas  apressaram a emancipação do povo. Muitos camponeses aproveitaram-se da  ausência de seus  senhores para libertarem-se da escravidão. 

Ademais, os grandes  centros da civilização sarracena não eram Jerusalém e Antioquia, mas sim Bagdá , Damasco, Toledo e Córdoba, não visados pelas expedições cristãs.  Contudo, foi sensível o incremento do comércio oriental. A prosperidade de  cidades  comerciais  italianas que substituíram Constantinopla como mediadora entre o comércio do Oriente e do Ocidente, foi paralela ao impulso recebido pela economia monetária da Europa. 

É inegável que as Cruzadas estimularam o interesse pelas  explorações e descobrimentos. Marcaram sem dúvida, o começo da expansão da  fronteira  européia. 

Paralelamente, no campo religioso, as fronteiras excitaram em todo o  oriente nova vida  e expansão de ordens  religiosas.  Devido às  invasões  dos povos bárbaros, as ciências por longo tempo se haviam refugiado nos conventos; então, porém, recomeçavam a  espalhar-se  entre o povo.  Fundaram-se  universidades e escolas, como em Paris  e Colônia, cujas  cátedras eram ocupadas por homens  distintos e  de vasto saber:  Santo Anselmo, 1109;   Alexandre de Hales,  1245;  Santo Alberto Magno, 1280;  São Tomaz de Aquino, padroeiro das escolas Católicas, 1274;  São Boaventura, 1274;  Venerável Duns Escoto, o "Doutor Franciscano", 1308. 

Mais de dois milhões de homens aí sacrificaram  suas vidas.  Tantos sacrifícios não eram vãos, pois grandes benefícios decorreram dessas cruzadas, para toda a  sociedade. Também destaca-se  a fundação de ordens religiosas militares:  A Ordem dos Cavaleiros de São João e a dos Cavaleiros Teutônicos, como mencionamos no início, que tinham por fim aliviar os sofrimentos dos cristãos no oriente e  combater os sarracenos. 

As principais  ordens  monásticas fundadas  durante esta  época são:  a dos camaldulenses, por São Romualdo (1037); dos cartuchos, por São Bruno (1101); dos premonstratenses, por São Norberto (1134); dos cistercienses, por São Roberto e São Bernardo (1153); dos carmelitas, pelo b. Alberto (1214);  e  dos franciscanos, por São Francisco de Assis (1226). 

Em toda a parte floresceu a santa religião. Os fiéis construíram catedrais magníficas, que ainda hoje causam  admiração e a fundação dessas e outras ordens religiosas dava à Igreja um brilho especial. Grande é o número de santos que estas ordens contam em seu grêmio. A toda a parte do mundo mandaram seus missionários, para pregarem o Evangelho.
Ajude a divulgar o blogue: envie para um seminarista ou um sacerdote! Em CRISTO, A Edição.

Rosário salva pescadores portugueses !!!

LINK: rosario-salva-pescadores-portugueses


José Manuel Coentrão, mestre da embarcação ‘Virgem do Sameiro’, um dos protagonistas do naufrágio que emocionou todo o país e muito em particular as Caxinas, zona entre Vila do Conde e Póvoa de Varzim, falou ontem, pela primeira vez, sobre o sucedido, um relato pleno de emoção e coragem.

Foram 60 horas à deriva no alto mar, muita fé, muitas preces e um desespero que parecia não ter fim.

«Passa tudo pela cabeça. A família, a mulher, o filho, os amigos», recordou o pescador, de lágrimas nos olhos, ainda visivelmente consternado pelos acontecimentos ainda tão recentes e frescos na memória.

O mestre foi o primeiro a fazer soar o alarme: «Tinha mandado os homens descansar e, não sei como, apercebi-me de que havia água a entrar no barco. Foi tudo muito rápido. Enviei o primeiro very light às cinco horas da manhã, mas ninguém viu. Mais tarde atirei outro, já de dia, mas uma embarcação que passava ao longe também não se apercebeu», explicou José Manuel Coentrão, que sublinhou o recurso às preces e à fé como recurso para combater o desespero:

«Havia um terço na balsa, que é do pescador que ainda está no hospital. Rezámos muito a Nossa Senhora de Fátima. Eu rezava em voz alta e os outros oravam em silêncio. Não tenho dúvidas de que foi um milagre.» Fonte.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

30 de Novembro: Dia de Santo André Apóstolo

Santo André Apóstolo e a Santa Missa

Santo André, apóstolo, †70
Quando começou o julgamento, Egeas (governador romano) tinha dito: "Es tu aquele André que derruba os templos de nossos deuses, e mete tolices na cabeça dos simples, para que abracem essa religião supersticiosa, contra a qual os imperadores deram ordens as mais severas?"
André: "Estas ordens foram dadas por imperadores que desconhecem a verdade; desconhecem a Jesus Christo, o Filho de Deus, que veio a este mundo para salvar os homens; são deuses, mas abjetos demonios."
Egeas: "Os judeus crucificaram Jesus Christo justamente por causa desta doutrina"
André: "Ah! Se conhecesses o mysterio da Cruz e comprendesses quem é Ele, que, Creador de todos os homens, por amor de nós tomou livremente a Cruz sobre si, para nos salvar!"
Egeas: "Livremente não, porque foi processado, preso, condenado e crucificado."
André: "Quem como ele, predisse a morte; quem como ele, predisse o modo por que havia de morrer; quem como ele, depois de morto, resuscita glorioso do sepulcro; quem como ele, disse: "Eu tenho o poder de entregar minha vida e de rehave-la e confirma esta doutrina por fatos inegáveis, morreu porque quis, morreu livremente e a salvação é um fato que se impõe a crença de todos"
Egeas: "É um absurdo ser discipulo de um crucificado"
André: "Se me quiseres ouvir, eu te explicarei este mistério."
Egeas: “A desconhecem ainda os deuses, que morte na cruz não é mistério nenhum, antes vergonha e castigo.”
André: “Uma coisa e outra: um castigo porque pela morte de cruz foi tirada a culpa do peccado; mysterio, porque tornou fato a graça substituiu o castigo e aos fieis é garantida a vida eterna.”
Egeas: “Com estas fatuidades divertirás a quem quizeres; eu, porem te digo: Se não abandonares está religião, se não renderes honra aos deuses, eu te mandarei a flagelação e mesmo a cruz, visto lhe teres tanta veneração.”
André: “O sacrifício que eu dia por dia offereço, não é incenso, não são holocaustos de bois e carneiros, mas é o Cordeiro immaculado, offerecido a Deus vivo e verdadeiro. Os fieis bebem o sangue e comem a carne deste Cordeiro, que não morre e a todos dá vida.”

Egeas: “Como é possível isso ?”
André: “Si quizeres tornar-te meu discípulo, eu t'o explicarei.”
A este convite de graça, Egeas respondeu com ordem de prisão. André foi encarcerado.
No dia seguinte sendo reiteradas as ameaças de morte e prestar culto aos Deuses romanos.
André respondeu ao Governador Egeas: “Meu martyrio tornar-me-á mais agradável a Deus; meu sofrimento pouco tempo durará, ao passo que teu tormento não terá fim”
Pregado na cruz, ficou dois dias nesta posição, edificando a todos os assistentes com os conselhos e orações. Aparecendo ainda com vida no terceiro dia, os fieis quizeram a força liberta-lo do tormento, mas quando puzeram mãos a obra, uma luz intensíssima desceu do céu envolveu o apostolo e depois de meia hora já tinha entregue a alma a Deus. Egeas sabendo de que o tinham sepultado o corpo do Apóstolo, enfureceu-se e pediu a exumação do cadáver. Deus porém castigou-o horrivelmente. Egeas ficou possesso do demônio e morreu em pleno desespero."Salve, santa Cruz, tão amada, tão desejada! Tira-me do meio dos homens, e entrega-me ao meu Mestre e Senhor, para que eu de ti receba o que por ti me salvou" (Santo André).

Fonte: Na luz Perpétua, Pe. João Batista Lehmann, 2ª. ed., Editora Lar Católico - Juiz de Fora - Minas Gerais, 1935

Texto disponível em:
http://www.sinaisdostempos.org/missa/santo_andre_missa.htm
*É conservada quase a mesma ortografia do livro original, repare na descrição da Missa.

Como os anjos compuseram o “Regina Coeli”

 

Era o ano 590, em Roma. Já devastada por um transbordamento do Tibre, que havia alagado a cidade reduzindo-a à fome, irrompeu uma terrível peste.

Para aplacar a cólera divina, o Papa S. Gregório Magno ordenou uma litania septiforme.

Isto é, uma procissão geral do clero e da população romana, formada por sete cortejos que confluíram para a Basílica Vaticana.

Enquanto a grande multidão caminhava pela cidade, a pestilência chegou a um tal furor, que no breve espaço de uma hora oitenta pessoas caíram mortas ao chão.

Mas S. Gregório não cessou um instante de exortar o povo para que continuasse a rezar, e que diante do cortejo fosse levado o quadro da Virgem que chora, do Ara Coeli, pintado pelo evangelista S. Lucas.

Fato maravilhoso: à medida que a imagem avançava, a área se tornava mais sã e limpa à sua passagem, e os miasmas da peste se dissolviam.

Junto da ponte que une a cidade ao castelo, inesperadamente ouviu-se um coro que cantava, por cima da sagrada imagem: “Regina Coeli, laetare, Alleluia!”, ao qual S. Gregório respondeu: “Ora pro nobis Deum, Alleluia!”. Assim nasceu o Regina Coeli.

Após o canto, os anjos se colocaram em círculo em torno do quadro. São Gregório Magno, erguendo os olhos, viu sobre o alto do castelo um anjo exterminador que, após enxugar a espada, da qual escorria sangue, colocou-a na bainha, como sinal do cessamento do castigo.

Como recordação, o castelo ficou conhecido com o nome de Sant’Angelo. Em sua mais alta torre foi posta a célebre imagem de São Miguel, o anjo exterminador.


(Fonte: “Lepanto”, Roma, set/out 83)