Minha lista de blogs

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SÃO FELIPE NÉRI e a sua ORIGINALÍSSIMA "PEREGRINAÇÃO às SETE IGREJAS"


O programa da "peregrinação" começava na Basílica de São Pedro, onde, após a leitura espiritual, fazia-se uma exposição doutrinária. Os participantes meditavam, comentavam, e Padre Filipe tirava a conclusão. Em seguida, todos se levantavam e se dirigiam para a Basílica de São Paulo, cantando hinos e salmos em compenetrada devoção. Ali chegando, ouviam uma nova conferência sobre a História da Igreja, a vida dos santos ou a Bíblia. E assim prosseguiam até o meio dia, quando assistiam à Missa e comungavam na Igreja de São Sebastião ou na de Santo Estêvão.Sao Felipe de Neri_1.jpg

Em seguida, servia-se uma refeição nos jardins da redondeza, sempre animada pela contagiante alegria de São Filipe. A "peregrinação" recomeçava com novo cortejo musical, passando por outros templos veneráveis. O número de conversões ultrapassava todas as expectativas.

Membros de importantes famílias, como a dos Médici e a dos Borromeu, estiveram, lado a lado, com crianças órfãs e humildes artesãos nesse exercício que, por seu fervor, censurava os cristãos tíbios e ao mesmo tempo os conclamava. Poderemos contar até mil pessoas peregrinando juntas num mesmo dia, entre elas quatro futuros papas - Gregório XIII, Gregório XIV, Clemente VIII e Leão XI - e o genial compositor Giovanni Pierluigi da Palestrina. São Filipe, porém, dava pouca importância aos cargos e talentos, se discernia nas almas a fealdade do pecado. Ele cumpria sua missão de purificá-las e torná-las humildes, quaisquer que fossem.

Ao cair da tarde, findava a meditação na Basílica de Santa Maria Maior, todos voltavam para casa carregados de bons propósitos e, o que é mais importante, com força para cumpri-los.

sábado, 21 de setembro de 2013

O GRANDE CISMA do OCIDENTE (1378) e o CONCÍLIO VATICANO II (1962)



ORAÇÃO: ... de Santo Tomás de Aquino, ouso indignamente parafrasear: “Espero nunca ter ensinado nenhuma verdade que não tenha aprendido de Vós, Senhor. Se, por ignorância, fiz o contrário, revogo tudo e submeto todos meus escritos ao julgamento da Santa Igreja Católica Romana”.

--------------------xxxxxxXXXXXXXxxxxxx---------------------


O GRANDE CISMA do OCIDENTE e o CONCILIARISMO

Grande Cisma: Ocorreu na Igreja Católica de 1378 a 1417, resultando na eleição de 3 papas simultaneamente por causa da rebelião de cardeais descontentes com o Papa legitimamente eleito em 8 de abril de 1378 sob o nome de Urbano VI, por não sair de Roma e se deixar submeter ao Rei da França.

Nesta triste época, infelizmente, o governo civil e religioso se confundiam, ou eram assumidos por leigos ou bispos através de seus cargos públicos ou religiosos, sem devidas virtudes e competências. Assim, havia grande decadência moral na vida religiosa e falta de santidade na vida sacerdotal.

Este fato resultou em tamanha divisão da cristandade que confundiu até São Vicente Férrer, que por fim apoiou o verdadeiro papa só durante o processo de reunificação da verdadeira Igreja de Cristo Jesus. Desde então, a Igreja se cobriu de descrédito, concorrendo para a emergência de movimentos de contestação, inclusive da Reforma Protestante em 1521.

Em 11 de novembro de 1417, o Concílio de Constança pôs fim ao Grande Cisma, e o novo Papa Martinho V, legitimamente eleito, se instala definitivamente em Roma.

Conciliarismo ou Teoria Conciliar: É uma doutrina surgida durante o CISMA que sustenta a teoria do concílio ecumênico ou universal com competência e autoridade suprema da Igreja sobre o papado, pois representa toda a Igreja, obtendo o seu poder diretamente de Cristo, considerando que em questões espirituais a autoridade reside na corporação de cristãos, personificada por um concílio geral da igreja, e não com o papa. Após a dissolução do cisma, o Papado confirmou a condenação do conciliarismo no Quinto Concílio de Latrão, 1512-1517. O gesto final foi a promulgação da doutrina da Infalibilidade Papal no Primeiro Concílio do Vaticano em 1870.

--------------------xxxxxxXXXXXXXxxxxxx---------------------


CONCÍLIO VATICANO II (1961) e o CONCILIARISMO

Concílio Vaticano II (CVII): Foi o XXI Concílio Ecumênico da Igreja Católica, convocado em 25 de Dezembro de 1961 pela bula papal "Humanae Salutis" do Papa João XXIII. O Concílio foi realizado em 4 sessões, que só terminaram em 8 de dezembro de 1965, já sob o papado de Paulo VI. Vale lembrar que o Papa João XXIII, que muitos acham modernista, foi o último Sumo Pontífice que reformou o antigo Missal Gregoriano (1962).

Sacrossanctum Concilium: É a constituição sobre Liturgia, promulgada pelo Concílio Vaticano II, indicando as modificações desejadas pelos participantes do Concílio no culto em geral da Igreja Católica. Foi o primeiro documento emitido pelo Concílio, bem como o único que foi preservado, dos esquemas preparatórios que a Cúria Romana havia preparado para o Concílio.

CONSTITUIÇÃO CONCILIAR
SACROSANCTUM CONCILIUM
SOBRE A SAGRADA LITURGIA
............
A língua litúrgica: traduções
36. § 1. Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular.
............
Língua
54. ......
Tomem-se providências para que os fiéis possam rezar ou cantar, mesmo em latim, as partes do Ordinário da missa que lhes competem.
............
101. § 1. Conforme à tradição secular do rito latino, a língua a usar no Ofício divino é o latim.
............
Promoção da música sacra
116. A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na acção litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar.
............
117. Procure terminar-se a edição típica dos livros de canto gregoriano; prepare-se uma edição mais crítica dos livros já editados depois da reforma de S. Pio X.
............

O Retorno da Teoria Conciliar: Se o Sacrossanctum Concilium não “ab-rogou” o Latim e nem o Canto Gregoriano, então porque as dioceses do mundo todo eliminaram discriminadamente a utilização dos mesmo nas Celebrações Litúrgicas do Missal Ordinário (Papa Paulo VI)???

Terá o Conciliarismo retornado de maneira sabotadora das ordens do Santo Papa, deixando o Santo Papa Paulo VI a se lamentar: “... a fumaça de satanás entrou na igreja...”

Terá se cumprido assim o Terceiro Segredo de Fátima???

O mal, se utilizando do Conciliarismo, favoreceu a ação de satanás neste novo desafio contra Deus, atingindo a SANTA MISSA em cheio???

Terá a Teoria Conciliar colaborado ao início do cumprimento da profecia do Livro de Daniel sobre a supressão do Sacrifício Perpétuo e o estabelecimento da abominação da desolação???

-------------------xxxxxxXXXXXXXxxxxxx--------------------



MOTU PROPRIO SUMMORUM PONTIFICUM


Em 07-07-2013 foi comemorado o sétimo aniversário do Motu Proprio SUMMORUM PONTIFICUM do Papa Emérito Bento XVI, que generosamente regulamentou as celebrações na forma antiga ou Dâmaso-Gregoriana (latim e canto gregoriano).

Graças a este grande presente de Deus, os fiéis do “Coetus Fidelium Stabilis” de Fortaleza-CE assistem regularmente desde 2007 à estas Missas Gregoriana. Este documento papal denominou-a de Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano, que antes chamávamos de Missa no Rito Dâmaso-Gregoriano, Missa Tridentina e etc., diferenciando-a da Forma Ordinária ou Missa Papa Paulo VI, que é celerada totalmente em vernáculo.

Não tratamos aqui sobre a legalidade da Missa Nova, pois os fiéis do “Coetus Fidelium Stabilis” de Fortaleza-CE seguem-na como válida, em obediência a Deus, a Santa Igreja e ao Santo Papa. Entretanto, após o Concílio Vaticano II muita confusão se estabeleceu entre os cristãos, inclusive São Pio de Pietrelcina pediu e recebeu autorização do próprio Papa Paulo VI para manter suas celebrações da Santa Missa na forma antiga.

Nos anos seguintes ao concílio de 1962-1965, estabeleceram-se crises que resultaram na perca de fieis e abusos litúrgicos durante as celebrações das Santas Missas, até com conivência de sacerdotes, cujos fatos foram inclusive combatidos pelo próprio Bento XVI.

Desta forma, porque tanta rejeição dos fiéis e dos sacerdotes a esta Santa Missa???

Rezemos para que o bom Deus nos mantenha eternamente o usufruto desta Missa no formato antigo, na Forma Extraordinária do Rito Romano ou Rito Dâmaso-Gregoriano, cuja esta última denominação se deve aos nomes dos papas dos primeiros séculos que foram responsáveis pela estruturação das Celebrações Eucarísticas na forma da liturgia rezada desde o século VI, em Latim e Canto Gregoriano, até o Concílio Vaticano II, que erroneamente foi interpretada com o poder de ab-rogar, substituir ou até proibir o uso Missal antigo.

O que é INVERDADE maligna...

domingo, 1 de setembro de 2013

Rezai o terço, diz Deus...



Texto atribuído a Charles Péguy (1873-1914)

Rezai o terço, diz Deus,
e não vos preocupeis com o que um tal tresloucado afirma:
que é uma devoção antiquada, que vai ser abandonada, esquecida.

Essa oração, digo-vos eu,
é um raio, uma luz do Evangelho:
ninguém a mudará.

Eu gosto do terço, diz Deus,
porque é simples e humilde,
como foi o meu Filho, como foi a minha Mãe.

Rezai o vosso terço e encontrareis ao vosso lado
toda a companhia reunida no Evangelho:
a pobre viúva que não chegou a estudar
e o publicano arrependido que já se esquecera do catecismo,
a pecadora apavorada, que muitos gostariam de espancar, de esmagar,
e todos os coxos, curados pela fé,
e os bons pastores, como os de Belém,
que descobriram o meu Filho e sua Mãe...

Rezai o vosso terço, diz Deus,
é preciso que a vossa oração, gire, gire e torne a girar,
como fazem entre vossos dedos as contas do rosário.

Então, quando Eu quiser, garanto-vos,
recebereis o bom alimento,
que fortalece o coração, robustece e tranquiliza a alma.

Ide, diz Deus, rezai o vosso terço
e mantende vosso espírito em paz.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

REFLEXÃO: O Donatismo Antigo e o Tradicionalismo Moderno !!!

(Foto: Santo Agostinho debate com Bispos adeptos da Heresia Donatista)

HISTÓRIA:

O Donatismo foi uma HERESIA que culminou com o Cisma no Catolicismo do século IV ao século VII, tendo surgido nas províncias do Norte de África. Foi criado por Donato, o grande, que era presbítero-supervisor de Cartago por volta do ano 332. Sustentavam que a Igreja não devia perdoar e nem admitir pecadores, e que os sacramentos, tal como o batismo e outros, administrados pelos “Traditores” (cristãos que haviam negado a fé Cristã durante a perseguição de Diocleciano em 303-305, mas que posteriormente foram perdoados e readmitidos na Igreja) eram inválidos. Em oposição, a crença da Igreja Cristã na época era de que os “Traditores” poderiam voltar ao corpo da Igreja e ministrar os sacramentos, desde que o fizessem seguindo o ritual correto, sem a necessidade de rebatismo ou da reordenação.

Os Donatistas eram radicais em sua posição, achando-se a única igreja verdadeira tanto é que, eles não aceitavam o batismo realizado pelas demais Igrejas Cristãs. Quanto as suas cerimônias convencionaram-se como “THEOLOGIA REGENITORUM” por que para eles a condição espiritual do oficiante influencia nos efeitos da cerimônia, pois se achavam superiores ao demais cristãos e assim batizavam todos os cristãos que se filiassem a sua organização, achando necessário o desligamento do governo da Igreja Cristã, por a julgarem mundana.

SANTO AGOSTINHO:

Os donatistas queriam mais rigor nas disciplinas e criticavam a igreja por acharem hipócritas, para eles a igreja devia conter somente os puros. Agostinho combateu com eloqüência os donatistas e por volta do ano 400 ele escreveu: “ TEBATISMO “, um tratado em que ele combateu a doutrina donatista de batizar os cristãos já batizados. No tratado EPISTELA 93 Agostinho falou o seguinte sobre a questão do rebatismo:
“ Há grande diferença entre um apostolo e um beberrão; mas não há diferença nenhuma entre um batismo realizado por um apostolo ou por um beberrão.”

A briga de Agostinho com os donatistas levou-o a fazer pesados comentários, inclusive incentivando o governo a tomar a atitude de força-los a se integrarem na igreja popular. Mas não foi preciso usar de violência, pois os vários debates acabaram enfraquecendo o movimento donatista que a partir de 411 começou a diminuir em numero ate que se extinguiu.

A GRAÇA DIVINA:

Se os verdadeiros Cristão achassem de se batizar novamente porque descobriram que os Sacerdotes (legalmente ordenados) que os batizaram estavam em pecado, seria um verdadeiro pandemônio, pois se alguém já tivesse 20 anos de batizados e descobrisse depois de todo este tempo que o Padre que o batizou estava em pecado naquela época, então teria que se batizar de novo depois de todos estes anos e o pior; e se que o batizar de novo um dia também for descoberto que estava em pecado, este cristão devera batizar-se de novo e de novo.

REFLEXÃO:

Infelizmente, como se atualmente não bastasse a confusão própria causada pela interpretação da hermenêutica do Concílio Vaticano II, certo grupo de fieis se acharam no direito de, isoladamente do governo legítimo do Bispo de Roma, tomar decisões unilaterais a revelia do Catolicismo, se utilizando da Missa Gregoriana para este fim. Renegaram a salvação ao que assistem a “Missa Nova” com devoção e obediência ao Santo Papa. Não tem paciência de aguardar que aconteça a “Reforma das Reformas” tão alertada pelo Papa Emérito bento XVI que detectou desvios ou até abusos durante toda a trajetória da sua vida sacerdotal. Quem sabe seja esta a grande provação da Santa Igreja de Deus, contida no Terceiro Segredo de Fátima.

Deixemos ao legítimo representante de Pedro a responsabilidade da recondução do rebanho ao verdadeiro caminho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

CONSERVADORES x MODERNISTAS:

Colaboremos com o Santo Papa atendendo aos seus apelos sobre a Caridade, Fé e Esperança; aliada a Reverência Litúrgica durante as Santas Missas, tanto Nova como Antiga. Nunca a Igreja católica se viu tão manchada pela conduta errada de tantos fiéis e sacerdotes, que no afã de agradar o mundo juntos sacrificam o que é SAGRADO, a Santa Missa (liturgia).

COMENTÁRIO:

Mas afinal, quem mais atende as prerrogativas do Concílio vaticano II.

Serão os fiéis que buscam conservar a fé, assim como Deus é imutável em sua natureza e o tempo criado no céu é estático, apresentando-se só com o dia (luz eterna)???

Ou talvez serão os fiéis que atenderam o tal “Sopro do Espírito Inovador”???

Quem mais uma vez se assemelha aos fatos e acontecimentos da velha história do “Bezerro de Ouro”???

CONCÍLIO VATICANO II:

CONSTITUIÇÃO CONCILIAR
SACROSANCTUM CONCILIUM
SOBRE A SAGRADA LITURGIA
PROÉMIO

Fim do Concílio e sua relação com a reforma litúrgica
..........
A língua litúrgica: traduções
36. § 1. Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular.
.........
Promoção da música sacra
........
116. A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na ação litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar.
.......

domingo, 11 de agosto de 2013

NOSSA SENHORA de COTIGNAC (1519) é a mesma NOSSA SENHORA das GRAÇAS ou da MEDALHA MILAGROSA (1830)


Confira no site do Santuário de Nossa Senhora das Graças, em Cotignac:
www.nd-de-graces.com/

"Que todos venham aqui, em procissão, para receber as graças que desejo derramar"

No dia 10 de agosto de 1519, o lenhador, Jean de la Baume, escalou o Monte Verdaille no alto de Cotignac. Ele estava sozinho e, como de costume, começava o dia em oração.

Após a reza, assim que se levantou, viu surgir, diante dele, uma nuvem, desvendando a Virgem Maria com o Menino Jesus nos braços, cercados por São Bernardo de Claraval (Clairvaux), Santa Catarina Mártir e o Arcanjo São Miguel. Nossa Senhora estava de pé, e tinha os pés apoiados sobre a lua crescente. Ela, então, se dirigiu a João, mais ou menos nesses termos:

"Sou a Virgem Maria. Dizei ao clero e aos Cônsules de Cotignac que construam uma igreja em minha homenagem, aqui neste local, chamada Nossa Senhora das Graças: e que todos venham em procissão para receber as graças que desejo derramar."


Em nossos dias, Nossa Senhora das Graças tornou-se um dos principais santuários marianos da Provence, Côte d'Azur, inclusive foco de peregrinação dos Pais de família e das Mães de família, a cada ano e, sempre, na primavera...

sábado, 27 de julho de 2013

UM PÁROCO FRANCÊS MULTIPLICA o NÚMERO de FIÉIS !!!!


FONTE: Defensores da Sagrada Cruz de Cristo JESUS

"Levar a Deus todas as almas que seja possível". O padre Michel Marie Zanotti Sorkine tomou esta frase a sério, e é o seu principal objetivo como sacerdote.
  
É o que está a fazer depois de ter transformado uma igreja a ponto de fechar e de ser demolida na paróquia com mais vida de Marselha. O mérito é ainda maior dado que o templo está no bairro com uma enorme presença de muçulmanos numa cidade em que menos de 1% da população é católica praticante.

Foi um músico de sucesso
A chave para este sacerdote que antes foi músico de êxito em cabarés de Paris e Montecarlo é a "presença", tornar Deus presente no mundo de hoje. As portas da sua igreja estão abertas de par em par o dia inteiro e veste batina porque "todos, cristãos ou não, têm direito a ver um sacerdote fora da igreja e o reconhece-lo".

Na Missa: de 50 a 700 assistentes
O balanço é impressionante. Quando em 2004 chegou à paróquia de S. Vicente de Paulo no centro de Marselha a igreja estava fechada durante a semana e a única missa dominical era celebrada na cripta para apenas 50 pessoas. Segundo o que conta, a primeira coisa que fez foi abrir a igreja todos os dias e celebrar no altar-mor. Agora a igreja fica aberta quase todo o dia e é preciso ir buscar cadeiras para receber todos os fiéis. Mais de 700 todos os domingos, e mais ainda nas grandes festas. Converteu-se num fenômeno de massas não só em Marselha mas em toda a França, com reportagens nos meios de comunicação de todo o país, atraídos pela quantidade de conversões.

Um novo "Cura de Ars" numa Marselha agnóstica
Uma das iniciativas principais do padre Zanotti Sorkine para revitalizar a fé da paróquia e conseguir a afluência de pessoas de todas as idades e condições sociais é a confissão. Antes da abertura da Igreja às 8h00 da manhã já há gente à espera à porta para poder receber este sacramento ou para pedir conselho a este sacerdote francês.

Os paroquianos contam que o padre Michel Marie está boa parte do dia no confessionário, muitas vezes até depois das onze da noite. E se não está lá, anda pelos corredores ou na sacristia consciente da necessidade de que os padres estejam sempre visíveis e próximos, para ir em ajuda de todo aquele que precisa.

A igreja sempre aberta
Outra das suas originalidades mais características é a ter a igreja permanentemente aberta. Isto gerou críticas de outros padres da diocese mas ele assegura que a missão da paróquia é "permitir e facilitar o encontro do homem com Deus" e o padre não pode ser um obstáculo para que isso aconteça.

O templo deve favorecer a relação com Deus
Numa entrevista a uma televisão disse estar convencido de que "se hoje em dia a igreja não está aberta é porque de certa maneira não temos nada a propor, que tudo o que oferecemos já acabou. No nosso caso em que a igreja está aberta todo o dia, há gente que vem, praticamente nunca tivemos roubos, há gente que reza e garanto que a igreja se transforma em instrumento extraordinário que favorece o encontro entre a alma e Deus".

Foi a última oportunidade para salvar a paróquia
O bispo mandou-o para esta paróquia como último recurso para a salvar, e fê-lo de modo literal quando lhe disse que abrisse as portas. "Há cinco portas sempre abertas e todo o mundo pode ver a beleza da casa de Deus". 90.000 carros e milhares de transeuntes passam e veem a igreja aberta e com os padres à vista. Este é o seu método: a presença de Deus e da sua gente no mundo secularizado.

A importância da liturgia e da limpeza
E aqui está outro ponto chave para este sacerdote. Assim que tomou posse, com a ajuda de um grupo de leigos renovou a paróquia, limpou-a e deixou-a resplandecente. Para ele este é outro motivo que levou as pessoas a voltarem à igreja: "Como é podemos querer que as pessoas acreditem que Cristo vive num lugar se esse lugar não estiver impecável? É impossível."

Por isso, as toalhas do altar e do sacrário têm um branco imaculado. "É o pormenor que faz a diferença. Com o trabalho bem feito damos conta do amor que manifestamos às pessoas e às coisas". De maneira taxativa assegura: "Estou convicto que quando se entra numa igreja onde não está tudo impecável, é impossível acreditar na presença gloriosa de Jesus".

A liturgia torna-se o ponto central do seu ministério e muitas pessoas sentiram-se atraídas a esta igreja pela riqueza da Eucaristia. "Esta é a beleza que conduz a Deus", afirma.

As missas estão sempre cheias e incluem procissões solenes, incenso, cânticos bem cantados... Tudo ao detalhe. "Tenho um cuidado especial com a celebração da Missa para mostrar o significado do sacrifício eucarístico e a realidade da sua Presença". "A vida espiritual não é concebível sem a adoração do Santíssimo Sacramento e sem um ardente amor a Maria", por isso introduziu a adoração e o terço diário, rezado por estudantes e jovens.

Os sermões são também muito aguardados e, inclusive, os paroquianos põem-nos online. Há sempre uma referência à conversão, para a salvação do homem. Na sua opinião, a falta desta mensagem na Igreja de hoje "é talvez uma das principais causas de indiferença religiosa que vivemos no mundo contemporâneo". Acima de tudo clareza na mensagem evangélica. Por isso previne quanto à frase tão gasta de que "vamos todos para o céu". Para ele esta é uma "música que nos pode enganar", pois é preciso lutar, a começar pelo padre, para chegar até ao Paraíso.

O padre da batina
Se alguma coisa distingue este sacerdote alto num bairro de maioria muçulmana é a batina, que veste sempre, e o terço nas mãos. Para ele é primordial que o padre ser descoberto pelas pessoas. "Todos os homens, a começar por aquela pessoa que entra numa igreja, tem direito de se encontrar com um sacerdote. O serviço que oferecemos é tão essencial para a salvação que o ver-nos deve ser tangível e eficaz para permitir esse encontro".

Deste modo, para o padre Michel o sacerdote é sacerdote 24 horas por dia. "O serviço deve ser permanente. Que pensaríamos de um marido que a caminho do escritório de manhã tirasse a aliança?".

Neste aspecto é muito insistente: "Quanto àqueles que dizem que o traje cria uma distância, é porque não conhecem o coração dos pobres para quem o que se vê diz mais do que o que se diz".

Por último, lembra um pormenor relevante. Os regimes comunistas a primeira coisa que faziam era eliminar o traje eclesiástico sabendo a importância que tem para a comunicação da fé. "Isto deve fazer pensar a Igreja de França", acrescenta.

No entanto, a sua missão não se realiza apenas no interior do templo. É uma personalidade conhecida em todo o bairro, também pelos muçulmanos. Toma o café da manhã nos cafés do bairro, aí conversa e com os fiéis e com pessoas que não praticam. Ele chama a isso a sua pequena capela. Assim conseguiu já que muitos vizinhos sejam agora assíduos da paróquia, e tenham convertido esta igreja de São Vicente de Paula numa paróquia totalmente ressuscitada.

Uma vida peculiar: cantor em cabarés
A vida do padre Michel Marie foi agitada. Nasceu em 1959 e tem origem russa, italiana e da Córsega. Aos 13 anos perdeu a mãe, o que lhe causou uma "fatura devastadora" que o levou a unir-se ainda mais a Nossa Senhora.

Com um grande talento musical, apagou a perda da mãe com a música. Em 1977 depois de ter sido convidado a tocar no café Paris, de Montecarlo, mudou-se para a capital onde começou a sua carreira de compositor e cantor em cabarés. No entanto, o apelo de Deus foi mais forte e em 1988 entrou na ordem dominicana por devoção a S. Domingos. Esteve com eles quatro anos, e perante o fascínio por S. Maximiliano Kolbe passou pela ordem franciscana, onde permaneceu quatro anos.

Foi em 1999 quando foi ordenado sacerdote para a diocese de Marselha com quase quarenta anos. Além da música, que agora dedica a Deus, também é escritor de êxito, tendo publicado já seis livros, e ainda poeta.


Fonte: http://bibliotecadomosteiro.com.br/category/destaques/

sexta-feira, 26 de julho de 2013

RAÍZES DO CANTO GREGORIANO


Conheça a história desse canto sagrado, desde sua formação até seu auge e decadência, e algumas de suas principais características.

Texto Original de Fabiana Oliveira: Raizes do Canto-gregoriano.html

O canto gregoriano é a forma mais antiga de música que sobrevive no Ocidente. Também conhecidas como cantochão, são as músicas dos serviços litúrgicos na Igreja Católica Romana. São canções vocais, compostas a partir dos textos bíblicos. Por isso, foram chamados com frequência de “uma Bíblia cantada”. Ligado intimamente à liturgia, o objetivo das melodias do canto gregoriano é favorecer o crescimento espiritual em todos. Para os que os cantam é, sobretudo, um momento de oração. O canto gregoriano surgiu com os primeiros cristãos que, sofrendo inúmeras perseguições, eram obrigados a realizar seus ritos em catacumbas. Ali, sua sensibilidade e espiritualidade se transformavam em música. Em 313, quando o Imperador Constantino concedeu liberdade religiosa aos cristãos, todas as formas de culto mudaram. E em 391, quando a Igreja Cristã foi declarada Igreja do Estado do Império Romano, os cantores profissionais asseguraram que as melodias religiosas se disseminassem através de toda a nova Igreja. O nome canto gregoriano surgiu como uma homenagem ao papa Gregório Magno (590-604), que fez uma coletânea de peças, publicando-as em três livros: Graduale(cantos solos e corais para todas as festas católicas); Kyriale (cantos para as partes fixas das missas); e Antiphonale (cantos, hinos e orações dos monges). Além disso, Gregório também iniciou a Schola Cantorum, um grupo de ministros que se dedicavam exclusivamente às basílicas romanas e que contribuiu enormemente para o desenvolvimento do canto gregoriano. 

O AugeDurante o século 8, o coração político da Europa Ocidental se moveu para o reino dos francos, o que teve repercussões também sobre a música da Igreja. Em 754, Pepino, o Breve, enviou o monge beneditino Chrodegang, bispo de Metz, a Roma. Chrodegang ficou muito impressionado pela liturgia nas missas papais, que estavam no seu cume artístico por aqueles dias. O bispo, sem dúvida, lembrava-se das tradições piedosas em Metz e persuadiu o Papa Estêvão II a acompanhá-lo à França para colocar as coisas em ordem. Cantores romanos (entre eles, o famoso Simeon) seguiram o papa para o Norte, onde introduziram seu repertório. Os cantores francos imitaram seus colegas com grande criatividade: tomaram a estrutura melódica básica (Cantilena Romana) e acrescentaram algumas fórmulas tipicamente gaulesas. Esse processo resultou num incrível enriquecimento musical. Na segunda metade do século 8, a aproximação política entre o reino francês e o papado possibilitou um maior conhecimento da liturgia romana. A coroa francesa decretou, então, sua adoção em todo o reino. Nota-se nesse tempo que os primeiros registros escritos começaram a aparecer primeiramente na França, depois partiu para muito além de suas fronteiras. Apesar das diferenças gráficas, a uniformidade do conteúdo mostra uma leitura única de uma tradição inteira. Os textos (palavras e algumas notações musicais) escritos nos livros transformaram-se em um texto oficial de referência. O fascínio geral do canto romano com sua arquitetura modal passou a atrair os músicos gauleses que, então, utilizaram-no de uma maneira completamente diferente. Inicialmente, os registros serviram como uma espécie de memória para garantir a performance e a interpretação adequada. Os tons musicais ainda eram ensinados “de ouvido”. Com o aumento gradual de indicações nos manuscritos, porém, houve uma diminuição no papel da memória oral. Em conseqüência, o canto gregoriano entrou em total decadência no final da Idade Média: os manuscritos oferecem pouco mais do que “uma sucessão pesada e maçante de notas quadradas”.

O ResgateNo Renascimento, o canto gregoriano foi redescoberto. As melodias foram “corrigidas” pelos estudiosos de música da Igreja, assim como as composições literárias, que são o texto oficial da liturgia romana. A forma que persistiu por 200 anos é conhecido como o “canto simples”. A Abadia Beneditina de Solesmes, na França, entre Les Mans e Angers, foi pioneira na revitalização do canto gregoriano a partir de 1833.  O enorme trabalho empreendido pelos monges resultou em publicações mais tarde declaradas livros oficiais da Igreja Católica Romana.

Canto de louvorO canto gregoriano é geralmente utilizado a serviço das práticas litúrgicas: dos ofícios e da missa. Os ofícios consistem, basicamente, na entoação dos salmos cantados – desde a Idade Média – pelos monges nas chamadas horas canônicas, denominadas: matinas, laudas, primas, terças, sextas, nonas, vésperas e completas. A missa, o ato mais importante da Igreja Católica, organiza-se em torno da Eucaristia. Depois de sucessivas adições e alterações, ela chegou a uma forma em voga até hoje. Assim, apresenta uma parte fixa, “o ordinário”, e outra parte, suprimível, ou executada de acordo com a época do ano litúrgico: “o próprio”. Kyrie, Glória, Credo, Sanctus, Agnus Dei e Ite missa est ou Benedicamus Domino compõem o ordinário. Intróito, Gradual, Aleluia ou Tracto (este cantado durante a Quaresma), Ofertório e Comunhão compõem o próprio. O fato de a missa variar muito, conforme a época litúrgica, explica o grande número de peças que compõem a coleção de cantos.

Tempos contemporâneosEm 1994, houve uma “redescoberta” do canto gregoriano quando foi lançado pela EMI Records, em CD, um disco gravado há mais de 20 anos pelos monges do Mosteiro de Santo Domingo de Silos, norte da Espanha. O disco alcançou o primeiro lugar em vendas em vários países, atingindo a marca de cinco milhões de cópias vendidas. Depois desse sucesso foram lançados vários CDs por monges ou corais leigos de várias partes do mundo. Apesar de o objetivo e características técnicas, por exemplo, permanecerem intactos, é importante dizer que as influências modernas, em dada medida, também atingiram essa música sacra. Admite-se, por exemplo, o acompanhamento de instrumentos musicais, como o órgão, e os cantores não têm de necessariamente ter uma ligação tão estreita com a Igreja. 

A importância do textoO canto gregoriano se baseia antes de tudo sobre o texto. Suas raízes estão nos textos litúrgicos lidos em voz alta. A principal prioridade de qualquer cantor ou coro deve ser sempre a clareza e a inteligibilidade. As palavras, as sentenças e os constituintes são parte de um todo  tem de ser cantadas daquele modo. Para garantir a pronúncia adequada, o canto gregoriano está ligado indissoluvelmente ao latim.

Características Técnicas:

• É o canto oficial da Igreja Católica.
• O texto é em latim.
• A importância é dada ao texto e não à música (o objetivo é propagar a fé e não fazer um recital).
• É prosódico (um tipo de canto falado).
• Não há predominância de vozes, ou seja, é homofônico.
• As melodias são simples com pouca mudança de notas e uma tessitura menor que uma oitava.
• É monofônico (uma única linha melódica).
• É diatônico (escalas sem alteração cromática ou microtonal).
• É modal (escalas de sete sons, ligeiramente diferentes das nossas escalas).
• O ritmo depende das palavras, portanto é livre de fórmulas de compasso.
• É cantado “à capela”, isto é, sem o acompanhamento de instrumentos.
• Não há preocupação com a dinâmica.
• O andamento, geralmente, é lento.
• Os compositores são anônimos.


domingo, 14 de julho de 2013

UM CONFESSIONÁRIO DA ESCOLA ANTIGA REAVIVA A EXPRESSÃO “PERDÃO”



Por Ann Marie Somma da Religion News News


DERBY, Conn. (RNS) O Reverendo Janusz Kukulka não pode dizer ao certo que seus paroquianos estão pecando mais, mas certamente eles estão fazendo fila diante do novo confessionário para lhe contar seus pecados. Durante anos, Kukulka, contentava-se em absolver pecados em uma sala privada assinalada com uma placa de saída à direita do altar de Santa Maria da Igreja Católica da Imaculada Conceição.

Mas algo aconteceu durante a Quaresma deste ano. Pela a primeira vez, Kukulka percebeu realmente que faltavam dois confessionários na parte de trás de sua igreja. Eles haviam desaparecido por quatro décadas, banidos durante os anos 70 para dar lugar a unidades de ar condicionado durante uma renovação inspirada no Concílio Vaticano Segundo. Eles devem ter sido belos, pensou Kukulka. E imaginou as suas portas de painéis de carvalho escuro e formas arqueadas para combinar com a arquitetura gótica da igreja projetada pelo ilustre arquiteto do século IXX, Patrick Keely.

A ausência deles era marcante, especialmente, quando a Arquidiocese de Hartford havia pedido às paróquias para estender os horários de confissão durante a Quaresma, parte de uma campanha de relações públicas para fazer com que os católicos retornassem ao sacramento da reconciliação. Assim, em um domingo Kukulka anunciou o seu desejo à congregação. “Disse-lhes que queria um confessionário visível”, ele contou. Ele recebeu um dentro de uma semana. Os paroquianos Timothy Conlon e Patrick Knott se mexeram rápido para atender o desejo de seu padre. Eles pensaram em construir um confessionário, mas o custo era proibitivo para a paróquia sem grana. Assim, eles recorreram à Internet, onde Conlon encontrou um confessionário antigo à venda em Iowa pelo eBay.

Conlon voou para Iowa e voltou para Derby trazendo o confessionário de carro. A esposa de Knott, Elisa, doou o custo $1.100,00 do confessionário em honra de seus pais, que eram paroquianos devotos da igreja. Uma placa acima do confessionário ostenta seu nome. “É um sucesso!”, disse Conlon. Patrick Knott, que nunca havia se confessado em uma sala privada, disse que uma longa fila se formou em fevereiro, quando Kukulka atendeu a primeira confissão no confessionário. Ele foi o primeiro a experimentá-lo. Recebi o status de celebridade, ele contou. “Não foi nada mal”. Kukulka disse que desde então as confissões estão em alta na igreja.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

POEMA DE NOSSO SENHOR DA CRUZ:


Beijo a esponja encostada aos Vossos lábios incontaminados,
com que a amargura da transgressão
me foi transformada em doçura.

Tivesse podido eu degustar aquele fel,
que dulcíssimo alimento não teria sido!

Tivesse podido eu tomar o vinagre,
que bebida agradável!

Aquela coroa de espinhos
teria sido para mim um diadema régio.

Aquelas cusparadas
me teriam ornado como esplêndidas pérolas.

Aquelas zombarias
me teriam ornado como sinal de profundo obséquio.

Aquelas bofetadas
me teriam glorificado como o prestígio mais alto.

Eu Vos beijo, Senhor,
e a Vossa paixão é o meu orgulho.

Jorge de Nicomedia - (séc. IX)

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A HISTÓRIA DA ESTIGMATIZADA MARTHE ROBIN QUE VIVEU 53 ANOS SÓ DA COMUNHÃO EUCARÍSTICA



Vamos conhecer MARTHE ROBIN (ou Marta Rubin), que viveu de 1902 até 1981, ano de sua morte, e de 1928 até 1981 (53 ANOS)alimentando-se somente da Eucaristia. Por ter uma paralisia de faringe, não podia beber nenhum líquido.

Esta pequena camponesa ficou 53 anos no leito, recebendo em sua casa mais de 40 bispos, suscitando inclusive vocações sacerdotais ou consagradas. Recebeu mais de 100 mil pessoas em sua casa.

Marta nasceu em 13 de março de 1902, em Châteauneuf do Galaure, na França. Sua família era proprietária de terras. Em 1903 uma epidemia de febre tifóide contagiou quase toda a família. Uma irmã de Marta faleceu e a mesma ficou bastante debilitada.

Em 1909, empreendeu o caminho da escola; porém sua saúde a impediu de completar os estudos. Na paróquia de Châteauneuf do Galaure, a camponesa recebeu o sacramento da Confirmação em 1911 e fez sua primeira Comunhão em 15 de agosto de 1912.



Sempre devota de Nossa Senhora, Maria sempre foi para ela Mãe e Educadora. Em 1918 experimentou os primeiros efeitos de sua doença: uma encefalite.

Para conseguir recursos para a compra dos remédios, começou a costurar para fora. Viveu dez anos de luta contra a doença, que só piorava. Em 1928, no transcurso de uma Missão Paroquial de Châteauneuf, Marta entendeu que por uma graça de Deus, seria pela doença que poderia unir-se ao Coração de Jesus na Cruz.

Em um dia de dezembro do ano de 1928, MARTHE ROBIN viveu no momento de receber os sacramentos um encontro decisivo com o Coração de Jesus na Cruz.

Uma vida nova invadiria seu corpo e seu coração. Tudo fazia sentido: a doença que teria podido conduzí-la a uma lenta e segura destruição de sua pessoa em diferentes níveis se converteu, por paradoxal que pareça, em oportunidade para outra vida que iria construir-se de modo diferente.

Marta disse que, depois de anos de angústias, depois de tantas dificuldades de ordem física e inclusive moral, tinha escolhido Jesus.

Marta recebeu do Coração de Cristo, aberto na Cruz, o sentido de sua vida de doente: unida a Cristo, sua vida converteu-se em uma fonte de fecundidade para a Igreja e para o mundo.

Marta fez naquele momento a eleição de uma vida conforme à do Jesus Crucificado: “O Coração de Jesus na Cruz é a morada inviolável que escolhi nesta terra”. Seu pároco, Pe. Faure, foi testemunha ocular desse acontecimento e passou a acompanhá-la neste novo caminho.

A vida espiritual e a vida mística de MARTHE ROBIN se desenvolveram mesma de doente, que se transformou em meio de união e de comunhão, lugar de oferenda e de abandono. Também passou a viver em comunhão com Maria Santíssima, sua querida Mãe.

Mesmo prisioneira em seu leito até a morte, o desejo de apostolado apoderava-se dela: “Estou verdadeiramente ávida, tenho realmente fome de trabalhar para o Amor e a Glória de Deus”.

Um dos visitantes sacerdotes ficou impressionado por sua abertura universal: “A janela de sua pequena habitação estava aberta ao mundo inteiro”.

Em 1933 nasceu o Foyer de Charité, uma comunidade formada por leigos e sacerdotes vocacionados a viverem juntos a Palavra de Deus, anunciando a esperança àqueles que procuram Jesus e têm fome de sua misericórdia e de sua justiça. Tal obra cresceu e se multiplicou por diversos países.

Marta se preocupava com os mais necessitados e fazia confeccionar e expedir todo tipo de material para as obras missionárias voltadas para os pobres, doentes e encarcerados.

O segredo de Marta foi alimentar-se da Eucaristia. Durante 53 anos, sua vida sustentada milagrosamente pela Eucaristia confirmava as palavras do evangelho de João, capítulo 6, versículo 55:
- “A minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida”.

Marta, durante 53 anos, só se alimentou da Eucaristia. Só...

Perguntaram a Marta o que sentia às terças-feiras, quando recebia a Comunhão, seu único alimento e sua única bebida. Ela respondeu:

“Eu não me alimento mais do que isso. Se me umedecem a boca, não consigo engolir. A hóstia passa, e eu não sei como. Ela produz um efeito que é impossível descrever. Não se trata de uma comida comum, é algo completamente diferente. É uma vida nova que penetra em meus ossos. Como explicar? Sinto Jesus em todo o meu corpo... como se houvesse ressuscitado”.

“Tenho desejo de gritar aos que me perguntam se como (verbo comer), e dizer que eu como mais do que eles, porque me alimento da Eucaristia, o corpo e sangue de Jesus. Tenho desejo de dizer-lhes que eles impedem a ação desse alimento em suas vidas. Bloqueiam seus efeitos”.


Que Deus aumente sempre mais a nossa fé na presença real de Jesus na Eucaristia!