Minha lista de blogs

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

GRIGIO, O PROTETOR de DOM BOSCO !!!



por Ir. Angelis Ferreira, EP
  
Passou para a História um cão singular que salvou a vida de São João Bosco em diversas ocasiões. Seria mesmo um simples animal?
Por incrível que possa parecer, São João Bosco teve muitos inimigos, recebeu inúmeras ameaças e sofreu vários atentados. Sacerdote exemplar em tudo, nunca andou armado. A Providência Divina o defendeu sempre nos momentos de perigo.

De que modo?

Entre outros, servindo-se de um misterioso cão, de grande porte, focinho longo e orelhas tesas, parecido com um lobo. Por causa de sua cor cinza, recebeu o nome de Grigio, “Cinzento” em italiano.

“Vou morrer! Vou morrer!”

Numa noite de 1852, voltando sozinho para casa, o Santo percebeu que um bandido o seguia a poucos passos de distância, pronto a agredi-lo. Dom Bosco pôs-se a correr, mas, pouco adiante, deparou-se numa esquina com o resto do bando que lhe barrava o caminho. Parou de improviso e fincou o cotovelo no peito do primeiro agressor, que caiu por terra gritando: “Vou morrer! Vou morrer!”

O bom êxito da manobra salvara-o de um perseguidor, mas os outros avançaram ameaçadores. Nesse instante surgiu o cão providencial. Saltava de um lado para outro, dando latidos aterradores com tamanha fúria que os malfeitores tiveram de pedir a São João Bosco para acalmá-lo e mantê-lo junto de si, enquanto eles tratavam de fugir.

Um cão capaz de “prever o futuro”

Em outra ocasião, seu protetor o impediu de sair de casa.

Era noite, e Dom Bosco precisava sair. Mama Margarita procurou dissuadi-lo, mas ele a tranquilizou, pegou o chapéu e já ia saindo, acompanhado por alguns rapazes. No portão, encontraram o Grigio estendido no chão.

— Oh, o Grigio, tanto melhor, estaremos bem acompanhados! Levanta-te e vem conosco, disse o Santo.

Porém o cão, em vez de obedecer, rosnou e não se mexeu. Um dos rapazes o fustigou com o pé para ver se conseguia levantá-lo, mas ele arreganhou os dentes ameaçadoramente.

Mama Margarida disse então ao filho:

— Não quiseste ouvir-me, ouve agora o cão: não saias a esta hora!

Para satisfazer o desejo da mãe, Dom Bosco retornou à casa. Pouco depois, apareceu correndo um vizinho para preveni-lo de que não saísse naquele momento, pois quatro indivíduos armados rondavam pelos arredores, decididos a matá-lo.

O fato foi confirmado mais tarde por pessoas dignas de fé. Esse cão capaz de “prever o futuro” e agir em consequência era mesmo um simples animal irracional? O Fundador dos Salesianos não responde a esta pergunta. Mas ele fez a seus discípulos uma interessante narração, que transcrevemos abaixo com suas próprias palavras.

Relato de Dom Bosco

O Grigio foi assunto de muitas conversas e hipóteses várias. Muitos de vós o vistes e até acariciastes. Deixando de lado as histórias peregrinas que dele se contam, vou expor a pura verdade.

Por causa dos frequentes atentados de que eu era alvo, fui aconselhado a não andar sozinho ao ir à cidade de Turim ou de lá voltar.

Numa tarde escura, regressava para casa, com certo medo, quando vejo ao meu lado um enorme cão, que à primeira vista me assustou; como, porém, fazia-me festa como se eu fosse seu dono, travamos de imediato boas relações, e ele me acompanhou até o Oratório.

O que aconteceu naquela tarde repetiu-se muitas vezes, de modo que posso dizer que o Grigio me prestou importantes serviços. Vou relatar alguns.

Regressei bem escoltado ao Oratório

Em fins de novembro de 1854, numa tarde escura e chuvosa, voltava da cidade, pela rua da Consolata. Em determinado ponto percebi que dois homens caminhavam a pouca distância na minha frente. Aceleravam ou diminuíam o passo, toda vez que eu acelerava ou diminuía o meu. Quando, para não me encontrar com eles, tentava passar para o lado oposto, eles com grande habilidade colocavam-se à minha frente. Quis voltar sobre meus passos, mas não houve tempo: dando dois pulos para trás, lançaram-me um manto sobre o rosto. Um deles conseguiu amordaçar-me com um lenço. Queria gritar, mas já não podia.

Nesse preciso momento apareceu o Grigio. Urrando como um urso, lançou-se com as patas contra o rosto de um, com a boca escancarada contra o outro, de maneira que mais lhes convinha envolver o cão do que a mim.

— Chama o cachorro! — gritaram espantados.

— Chamo, sim, mas deixem os transeuntes em paz.

— Chama logo!

O Grigio continuava a urrar como urso enfurecido. Eles retomaram o caminho, e o Grigio, sempre ao meu lado, acompanhou-me. Regressei ao Oratório bem escoltado por ele.

Nem sequer cheirou a comida

Nas noites em que ninguém me acompanhava, assim que passava as últimas casas via despontar o Grigio de algum lado da rua. Muitas vezes os jovens do Oratório o viram entrar no pátio. Alguns queriam bater nele, outros, atirarem-lhe pedras.

— Não o molestem é o cão de Dom Bosco — disse-lhes José Buzzetti.

Então todos se puseram a acaricia-lo e o seguiram até o refeitório, onde eu estava ceando com alguns clérigos e padres, e com minha mãe. Ante tão inesperada visita, ficaram todos amedrontados.

— Não tenham medo, é o meu Grigio, deixem que ele venha — disse eu.

Dando uma longa volta ao redor da mesa, veio ter comigo, fazendo festa. Eu também o acariciei e ofereci-lhe sopa, pão e carne, mas ele recusou. Mais: nem sequer cheirou a comida.

Continuando então a dar sinais de satisfação, apoiou a cabeça sobre meus joelhos, como se quisesse falar-me ou dar-me boa-noite; em seguida, com grande entusiasmo e alegria, os meninos o acompanharam para fora. Lembro-me que naquela noite havia regressado tarde para casa e um amigo me havia trazido em sua carruagem.

Procuraram-no, mas ninguém o encontrou

A última vez que vi o Grigio foi em 1866, quando ia de Murialdo a Moncucco, à casa de Luís Moglia, meu amigo. O pároco de Buttigliera quis acompanhar-me por bom trecho de caminho, e isso fez com que a noite me surpreendesse no meio da estrada.

— Oh! se tivesse aqui o meu Grigio, que bom seria! — pensei.

Naquele momento o Grigio veio correndo em minha direção, com grandes demonstrações de alegria, e acompanhou-me pelo trecho de caminho que ainda devia percorrer, uns três quilômetros. Chegado à casa do amigo, conversei com toda a família e fomos cear, ficando meu companheiro a descansar num canto da sala. Terminada a refeição, disse o amigo:

— Vamos dar de comer a teu cachorro.

E tomando um pouco de comida, levou-a ao cão, mas não o encontrou, por mais que o procurasse por todos os cantos da sala e da casa. Todos ficaram admirados porque nenhuma porta, nenhuma janela fora aberta, e os cães da casa não deram nenhum alarme. Procuraram o Grigio nos quartos de cima, mas ninguém o encontrou.

Foi essa a última notícia que tive do Cinzento. Jamais soube de seu dono. Sei apenas que esse animal foi para mim uma verdadeira providência nos muitos perigos em que me vi metido.

Revista Arautos do Evangelho n.38 fev. 2005

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O PODER DA ORAÇÃO E O SUFRÁGIO DAS POBRES ALMAS DO PURGATÓRIO & COMO FREI CONRADO LIVRA UM JOVEM FRADE DESTAS PENAS GRANDÍSSIMAS



Poucos dias depois da morte de um Jovem Frade sua alma apareceu a Frei Conrado, estando ele devotamente em oração, diante do altar do dito convento, e o saudou devotamente como a seu pai.

Frei Conrado lhe perguntou:

– “Quem és?”

Respondeu:

– “Eu sou a alma daquele frade jovem que morreu há dias”.

E Frei Conrado:

– “Ó filho caríssimo, que é feito de ti?”


Respondeu ele:

–“Pela graça de Deus e pela vossa doutrina vou bem, porque não estou danado: mas por certos pecados meus, os quais não tive tempo de purgar suficientemente, suporto grandíssimas penas no purgatório: mas te peço, pai, que, como por tua piedade me socorreste quando eu era vivo, assim agora queiras socorrer-me nas minhas penas, dizendo por mim algum pai-nosso, porque a tua oração é muito aceita de Deus”.

Então Frei Conrado, consentindo benignamente no pedido e dizendo por ele uma vez o pai-nosso com REQUIEM AETERNAM, disse aquela alma:

–“Ó pai caríssimo, quanto bem e quanto refrigério eu sinto! Peço-te que o digas uma outra vez”.

E Frei Conrado disse e, dito que foi, disse a alma:

–“Santo pai, quando tu rezas por mim, sinto-me todo aliviado; pelo que te peço que não cesses de rezar por mim”.

Então Frei Conrado, vendo que aquela alma era tão ajudada pelas suas orações, disse por ela cem pai-nossos e tendo terminado, disse aquela alma:

–“Agradeço-te, pai caríssimo, da parte de Deus pela caridade que tiveste comigo; porque pelas tuas orações estou livre de todas as penas e me vou ao reino celestial”.

E dito isto partiu aquela alma.

Então Frei Conrado, para dar alegria e conforto aos frades, lhes contou por ordem toda aquela visão.

Em louvor de Cristo bendito. Amém.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

AS MENSAGENS DE NOSSA SENHORA DE LA SALETTE E OS CASTIGOS AOS BISPOS OPOSITORES !!!



Parafraseando as palavras da própria vidente, Irmã Melânia, de 1903: "Os bispos que consideraram que o segredo estava dirigido a eles, foram grandes inimigos desta mensagem de misericórdia, da mesma forma que os sumos sacerdotes que condenaram o Salvador... De fato, eles tinham razão para reagir, pois o segredo apenas refletia suas vidas desviadas".

Mensagem-1- Os sacerdotes, ministros de meu Filho, os sacerdotes, por causa da sua vida má, pelas suas irreverências e pela sua impiedade ao celebrar os santos mistérios, pelo amor ao dinheiro, o amor às honras e aos prazeres, os sacerdotes converteram-se em cloacas de impureza. Sim, os sacerdotes provocam a vingança e a vingança pende sobre suas cabeças.
Ai dos sacerdotes e pessoas consagradas a Deus que pelas suas infidelidades e más vidas crucificam meu Filho de novo! Os pecados das pessoas consagradas a Deus clamam ao Céu e atraem vingança, e eis que a vingança está às suas portas, porque já não se encontra ninguém para implorar misericórdia e perdão para o povo. Já não há almas generosas, já não há ninguém digno de oferecer a Vítima sem mancha ao Eterno, pelo mundo.

DOM GINOUILHAC:
A guerra começou com o sucessor de Dom Bruillard na diocese de Grenoble. 
Para livrar-se da Irmã Melânia, a desterrou para o carmelo de Darlington, na Inglaterra, com ameaça de excomunhão se retomasse à diocese. Em 1860, Melânia voltou, mas teve de exilar-se novamente. 
Pouco depois, o bispo enlouqueceu e morreu num manicômio.

DOM FAVA
Sucedeu o anterior que, também inimigo da mensagem, mandou a vidente para Altamura, sul da Itália, onde recebeu a graça dos estigmas e viveu sob a orientação do bispo de Lecce. 
Passados poucos anos, esse bispo foi encontrado morto em seu quarto, no chão, nu, olhos virados e punhos crispados.

DOM GILBERT
Bispo de Amiens, disse: "O segredo de La Salette não passa de um tecido de irreligiosidade, mentiras e exageros". 
Em 16 de agosto de 1889, foi encontrado morto no chão de sua casa e, durante o funeral, o ataúde caiu do catafalco.

DOM BARBOY
Outro famigerado inimigo de La Salette foi o arcebispo de Paris, que interrogou pessoalmente Maximino, pressionando-o a revelar a mensagem ainda secreta. Não o tendo conseguido, gritou-lhe: "As palavras da tua bela senhora estão cheias de estupidez, como estúpido deve ser o teu segredo". 
Ao que o vidente lhe replicou: "É tão certo que vi a. bela Senhora, quanto, em menos de três anos, vossa excelência será fuzilado".
Em 1865, esse bispo fora admoestado por Pio IX, por causa de desvios galicanos. Em seguida, no Concílio Vaticano I, se alinhou contra o Papa, junto com o tristemente célebre Dom Dupanloup, abandonando o concílio, num protesto silencioso contra a iminente definição da infalibilidade pontifícia.
De volta à França, cai vítima da fúria maçônica da Comuna. 
A caminho do paredão de fuzilamento, ele protesta, alegando que sempre defendeu a liberdade. Ao que um dos verdugos lhe responde: "Cala esta boca, a tua liberdade não é a nossa!" Tal foi o triste fim do arcebispo de Paris, naquele 24 de maio de 1871.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Nossa Senhora da Escada - Origem de Barueri/SP


(Fonte: Clique aqui)

O início do aldeamento em Barueri remonta ao ano de 1560, quando, em 18 de agosto, a Fazenda Baruery foi doada por Jerônimo Leitão. Acusado por proteger índios, o fazendeiro doou as terras aos jesuítas, entre eles José de Anchieta que, de posse de uma carta de sesmaria, fundou, em 11 de novembro de 1560, o Aldeamento de Baruery, com índios Guaianazes (do litoral de São Vicente) e Guaicurús (do Planalto de Piratininga).
Uma capela foi erguida onde existe o bairro da Aldeia de Barueri, e a primeira missa realizada por Anchieta data de 21 de novembro de 1560. Foi quando o jesuíta considerou Nossa Senhora da Escada como padroeira do aldeamento. A imagem da santa, esculpida em cerâmica, foi trazida de Portugal. Com a fundação do vilarejo de Sant´Ánna de Parnayba, em1580, a harmonia entre índios e jesuítas ficou ameaçada pelas constantes investidas dos bandeirantes, que capturavam índios para utilizar como mão-de-obra escrava. Para reconstituir a população que estava sendo dizimada, o padre Affonso Gago, no início do século XVII, começou a fazer expedições pelo sul do país, trazendo para Baruery, índios Carijós. Baruery era a mais importante aldeia jesuística do Brasil.
Em 1632, com a saída de João de Almeida (que comandou o aldeamento por 22 anos) os vereadores da Vila São Paulo passaram a encontrar irregularidades no aldeamento, então sob a administração de João de Ocampo y Medina, recém chegado do Paraguai. Havia uma lei de 1611, dizendo que qualquer padre só poderia administrar o aldeamento após três anos residindo no Brasil. Isto tornava a administração de Ocampo y Medina irregular. Liderados pelo vereador Antonio Raposo Tavares, um grupo de ouvidores esteve em Baruery, e constatou que o administrador era ilegal. Corria o ano de 1633. Cabe lembrar que a Câmara era constituida, na época, por ex-bandeirantes, com histórico de muitas investidas contra missões jesuísticas.
A capela foi fechada e, de posse de uma lista com 64 assinaturas de moradores da região, interviram no aldeamento, expulsando os jesuítas. Data desta época um relatório de Ocampo, afirmando que a capela foi reaberta, provocando violenta represália por parte do grupamento de oficiais, liderados pro Antonio Raposo Tavares. A capela foi depredada, seus móveis e utensílio foram atirados ao rio e os índios feito escravos. A contradição do relatório está no fato de que, na semana seguinte, a capela foi reaberta e foram realizadas missas no local.


Diz a lenda que, neste ataque, alguns índios conseguiram fugir. Na correria, acabaram encurralados em um barranco, onde a morte era certa. Quando tudo estava perdido, os índios viram Nossa Senhora da Escada, indicando-lhes um caminho feito por uma escada de embira, por onde escaparam. Ainda neste ataque, em julho de 1633, sabe-se que os bandeirantes atiraram as imagens da igreja no rio Tietê. O rio corre de leste para oeste, passando por Baruery, Santana de Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus. Noventa e dois anos após este assalto, em 6 de agosto de 1725, José de Almeida Naves, que tinha um sítio em Pirapora do Bom Jesus, achou uma imagem, supostamente, uma das atiradas pelos bandeirantes durante o assalto à capela de Nossa Senhora da Escada. da Aldeia à Pirapora existe a distância de 30 quilômetros.O início do aldeamento em Barueri remonta ao ano de 1560, quando, em 18 de agosto, a Fazenda Baruery foi doada por Jerônimo Leitão. Acusado por proteger índios, o fazendeiro doou as terras aos jesuítas, entre eles José de Anchieta que, de posse de uma carta de sesmaria, fundou, em 11 de novembro de 1560, o Aldeamento de Baruery, com índios Guaianazes (do litoral de São Vicente) e Guaicurús (do Planalto de Piratininga.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SÃO FELIPE NÉRI e a sua ORIGINALÍSSIMA "PEREGRINAÇÃO às SETE IGREJAS"


O programa da "peregrinação" começava na Basílica de São Pedro, onde, após a leitura espiritual, fazia-se uma exposição doutrinária. Os participantes meditavam, comentavam, e Padre Filipe tirava a conclusão. Em seguida, todos se levantavam e se dirigiam para a Basílica de São Paulo, cantando hinos e salmos em compenetrada devoção. Ali chegando, ouviam uma nova conferência sobre a História da Igreja, a vida dos santos ou a Bíblia. E assim prosseguiam até o meio dia, quando assistiam à Missa e comungavam na Igreja de São Sebastião ou na de Santo Estêvão.Sao Felipe de Neri_1.jpg

Em seguida, servia-se uma refeição nos jardins da redondeza, sempre animada pela contagiante alegria de São Filipe. A "peregrinação" recomeçava com novo cortejo musical, passando por outros templos veneráveis. O número de conversões ultrapassava todas as expectativas.

Membros de importantes famílias, como a dos Médici e a dos Borromeu, estiveram, lado a lado, com crianças órfãs e humildes artesãos nesse exercício que, por seu fervor, censurava os cristãos tíbios e ao mesmo tempo os conclamava. Poderemos contar até mil pessoas peregrinando juntas num mesmo dia, entre elas quatro futuros papas - Gregório XIII, Gregório XIV, Clemente VIII e Leão XI - e o genial compositor Giovanni Pierluigi da Palestrina. São Filipe, porém, dava pouca importância aos cargos e talentos, se discernia nas almas a fealdade do pecado. Ele cumpria sua missão de purificá-las e torná-las humildes, quaisquer que fossem.

Ao cair da tarde, findava a meditação na Basílica de Santa Maria Maior, todos voltavam para casa carregados de bons propósitos e, o que é mais importante, com força para cumpri-los.

sábado, 21 de setembro de 2013

O GRANDE CISMA do OCIDENTE (1378) e o CONCÍLIO VATICANO II (1962)



ORAÇÃO: ... de Santo Tomás de Aquino, ouso indignamente parafrasear: “Espero nunca ter ensinado nenhuma verdade que não tenha aprendido de Vós, Senhor. Se, por ignorância, fiz o contrário, revogo tudo e submeto todos meus escritos ao julgamento da Santa Igreja Católica Romana”.

--------------------xxxxxxXXXXXXXxxxxxx---------------------


O GRANDE CISMA do OCIDENTE e o CONCILIARISMO

Grande Cisma: Ocorreu na Igreja Católica de 1378 a 1417, resultando na eleição de 3 papas simultaneamente por causa da rebelião de cardeais descontentes com o Papa legitimamente eleito em 8 de abril de 1378 sob o nome de Urbano VI, por não sair de Roma e se deixar submeter ao Rei da França.

Nesta triste época, infelizmente, o governo civil e religioso se confundiam, ou eram assumidos por leigos ou bispos através de seus cargos públicos ou religiosos, sem devidas virtudes e competências. Assim, havia grande decadência moral na vida religiosa e falta de santidade na vida sacerdotal.

Este fato resultou em tamanha divisão da cristandade que confundiu até São Vicente Férrer, que por fim apoiou o verdadeiro papa só durante o processo de reunificação da verdadeira Igreja de Cristo Jesus. Desde então, a Igreja se cobriu de descrédito, concorrendo para a emergência de movimentos de contestação, inclusive da Reforma Protestante em 1521.

Em 11 de novembro de 1417, o Concílio de Constança pôs fim ao Grande Cisma, e o novo Papa Martinho V, legitimamente eleito, se instala definitivamente em Roma.

Conciliarismo ou Teoria Conciliar: É uma doutrina surgida durante o CISMA que sustenta a teoria do concílio ecumênico ou universal com competência e autoridade suprema da Igreja sobre o papado, pois representa toda a Igreja, obtendo o seu poder diretamente de Cristo, considerando que em questões espirituais a autoridade reside na corporação de cristãos, personificada por um concílio geral da igreja, e não com o papa. Após a dissolução do cisma, o Papado confirmou a condenação do conciliarismo no Quinto Concílio de Latrão, 1512-1517. O gesto final foi a promulgação da doutrina da Infalibilidade Papal no Primeiro Concílio do Vaticano em 1870.

--------------------xxxxxxXXXXXXXxxxxxx---------------------


CONCÍLIO VATICANO II (1961) e o CONCILIARISMO

Concílio Vaticano II (CVII): Foi o XXI Concílio Ecumênico da Igreja Católica, convocado em 25 de Dezembro de 1961 pela bula papal "Humanae Salutis" do Papa João XXIII. O Concílio foi realizado em 4 sessões, que só terminaram em 8 de dezembro de 1965, já sob o papado de Paulo VI. Vale lembrar que o Papa João XXIII, que muitos acham modernista, foi o último Sumo Pontífice que reformou o antigo Missal Gregoriano (1962).

Sacrossanctum Concilium: É a constituição sobre Liturgia, promulgada pelo Concílio Vaticano II, indicando as modificações desejadas pelos participantes do Concílio no culto em geral da Igreja Católica. Foi o primeiro documento emitido pelo Concílio, bem como o único que foi preservado, dos esquemas preparatórios que a Cúria Romana havia preparado para o Concílio.

CONSTITUIÇÃO CONCILIAR
SACROSANCTUM CONCILIUM
SOBRE A SAGRADA LITURGIA
............
A língua litúrgica: traduções
36. § 1. Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular.
............
Língua
54. ......
Tomem-se providências para que os fiéis possam rezar ou cantar, mesmo em latim, as partes do Ordinário da missa que lhes competem.
............
101. § 1. Conforme à tradição secular do rito latino, a língua a usar no Ofício divino é o latim.
............
Promoção da música sacra
116. A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na acção litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar.
............
117. Procure terminar-se a edição típica dos livros de canto gregoriano; prepare-se uma edição mais crítica dos livros já editados depois da reforma de S. Pio X.
............

O Retorno da Teoria Conciliar: Se o Sacrossanctum Concilium não “ab-rogou” o Latim e nem o Canto Gregoriano, então porque as dioceses do mundo todo eliminaram discriminadamente a utilização dos mesmo nas Celebrações Litúrgicas do Missal Ordinário (Papa Paulo VI)???

Terá o Conciliarismo retornado de maneira sabotadora das ordens do Santo Papa, deixando o Santo Papa Paulo VI a se lamentar: “... a fumaça de satanás entrou na igreja...”

Terá se cumprido assim o Terceiro Segredo de Fátima???

O mal, se utilizando do Conciliarismo, favoreceu a ação de satanás neste novo desafio contra Deus, atingindo a SANTA MISSA em cheio???

Terá a Teoria Conciliar colaborado ao início do cumprimento da profecia do Livro de Daniel sobre a supressão do Sacrifício Perpétuo e o estabelecimento da abominação da desolação???

-------------------xxxxxxXXXXXXXxxxxxx--------------------



MOTU PROPRIO SUMMORUM PONTIFICUM


Em 07-07-2013 foi comemorado o sétimo aniversário do Motu Proprio SUMMORUM PONTIFICUM do Papa Emérito Bento XVI, que generosamente regulamentou as celebrações na forma antiga ou Dâmaso-Gregoriana (latim e canto gregoriano).

Graças a este grande presente de Deus, os fiéis do “Coetus Fidelium Stabilis” de Fortaleza-CE assistem regularmente desde 2007 à estas Missas Gregoriana. Este documento papal denominou-a de Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano, que antes chamávamos de Missa no Rito Dâmaso-Gregoriano, Missa Tridentina e etc., diferenciando-a da Forma Ordinária ou Missa Papa Paulo VI, que é celerada totalmente em vernáculo.

Não tratamos aqui sobre a legalidade da Missa Nova, pois os fiéis do “Coetus Fidelium Stabilis” de Fortaleza-CE seguem-na como válida, em obediência a Deus, a Santa Igreja e ao Santo Papa. Entretanto, após o Concílio Vaticano II muita confusão se estabeleceu entre os cristãos, inclusive São Pio de Pietrelcina pediu e recebeu autorização do próprio Papa Paulo VI para manter suas celebrações da Santa Missa na forma antiga.

Nos anos seguintes ao concílio de 1962-1965, estabeleceram-se crises que resultaram na perca de fieis e abusos litúrgicos durante as celebrações das Santas Missas, até com conivência de sacerdotes, cujos fatos foram inclusive combatidos pelo próprio Bento XVI.

Desta forma, porque tanta rejeição dos fiéis e dos sacerdotes a esta Santa Missa???

Rezemos para que o bom Deus nos mantenha eternamente o usufruto desta Missa no formato antigo, na Forma Extraordinária do Rito Romano ou Rito Dâmaso-Gregoriano, cuja esta última denominação se deve aos nomes dos papas dos primeiros séculos que foram responsáveis pela estruturação das Celebrações Eucarísticas na forma da liturgia rezada desde o século VI, em Latim e Canto Gregoriano, até o Concílio Vaticano II, que erroneamente foi interpretada com o poder de ab-rogar, substituir ou até proibir o uso Missal antigo.

O que é INVERDADE maligna...

domingo, 1 de setembro de 2013

Rezai o terço, diz Deus...



Texto atribuído a Charles Péguy (1873-1914)

Rezai o terço, diz Deus,
e não vos preocupeis com o que um tal tresloucado afirma:
que é uma devoção antiquada, que vai ser abandonada, esquecida.

Essa oração, digo-vos eu,
é um raio, uma luz do Evangelho:
ninguém a mudará.

Eu gosto do terço, diz Deus,
porque é simples e humilde,
como foi o meu Filho, como foi a minha Mãe.

Rezai o vosso terço e encontrareis ao vosso lado
toda a companhia reunida no Evangelho:
a pobre viúva que não chegou a estudar
e o publicano arrependido que já se esquecera do catecismo,
a pecadora apavorada, que muitos gostariam de espancar, de esmagar,
e todos os coxos, curados pela fé,
e os bons pastores, como os de Belém,
que descobriram o meu Filho e sua Mãe...

Rezai o vosso terço, diz Deus,
é preciso que a vossa oração, gire, gire e torne a girar,
como fazem entre vossos dedos as contas do rosário.

Então, quando Eu quiser, garanto-vos,
recebereis o bom alimento,
que fortalece o coração, robustece e tranquiliza a alma.

Ide, diz Deus, rezai o vosso terço
e mantende vosso espírito em paz.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

REFLEXÃO: O Donatismo Antigo e o Tradicionalismo Moderno !!!

(Foto: Santo Agostinho debate com Bispos adeptos da Heresia Donatista)

HISTÓRIA:

O Donatismo foi uma HERESIA que culminou com o Cisma no Catolicismo do século IV ao século VII, tendo surgido nas províncias do Norte de África. Foi criado por Donato, o grande, que era presbítero-supervisor de Cartago por volta do ano 332. Sustentavam que a Igreja não devia perdoar e nem admitir pecadores, e que os sacramentos, tal como o batismo e outros, administrados pelos “Traditores” (cristãos que haviam negado a fé Cristã durante a perseguição de Diocleciano em 303-305, mas que posteriormente foram perdoados e readmitidos na Igreja) eram inválidos. Em oposição, a crença da Igreja Cristã na época era de que os “Traditores” poderiam voltar ao corpo da Igreja e ministrar os sacramentos, desde que o fizessem seguindo o ritual correto, sem a necessidade de rebatismo ou da reordenação.

Os Donatistas eram radicais em sua posição, achando-se a única igreja verdadeira tanto é que, eles não aceitavam o batismo realizado pelas demais Igrejas Cristãs. Quanto as suas cerimônias convencionaram-se como “THEOLOGIA REGENITORUM” por que para eles a condição espiritual do oficiante influencia nos efeitos da cerimônia, pois se achavam superiores ao demais cristãos e assim batizavam todos os cristãos que se filiassem a sua organização, achando necessário o desligamento do governo da Igreja Cristã, por a julgarem mundana.

SANTO AGOSTINHO:

Os donatistas queriam mais rigor nas disciplinas e criticavam a igreja por acharem hipócritas, para eles a igreja devia conter somente os puros. Agostinho combateu com eloqüência os donatistas e por volta do ano 400 ele escreveu: “ TEBATISMO “, um tratado em que ele combateu a doutrina donatista de batizar os cristãos já batizados. No tratado EPISTELA 93 Agostinho falou o seguinte sobre a questão do rebatismo:
“ Há grande diferença entre um apostolo e um beberrão; mas não há diferença nenhuma entre um batismo realizado por um apostolo ou por um beberrão.”

A briga de Agostinho com os donatistas levou-o a fazer pesados comentários, inclusive incentivando o governo a tomar a atitude de força-los a se integrarem na igreja popular. Mas não foi preciso usar de violência, pois os vários debates acabaram enfraquecendo o movimento donatista que a partir de 411 começou a diminuir em numero ate que se extinguiu.

A GRAÇA DIVINA:

Se os verdadeiros Cristão achassem de se batizar novamente porque descobriram que os Sacerdotes (legalmente ordenados) que os batizaram estavam em pecado, seria um verdadeiro pandemônio, pois se alguém já tivesse 20 anos de batizados e descobrisse depois de todo este tempo que o Padre que o batizou estava em pecado naquela época, então teria que se batizar de novo depois de todos estes anos e o pior; e se que o batizar de novo um dia também for descoberto que estava em pecado, este cristão devera batizar-se de novo e de novo.

REFLEXÃO:

Infelizmente, como se atualmente não bastasse a confusão própria causada pela interpretação da hermenêutica do Concílio Vaticano II, certo grupo de fieis se acharam no direito de, isoladamente do governo legítimo do Bispo de Roma, tomar decisões unilaterais a revelia do Catolicismo, se utilizando da Missa Gregoriana para este fim. Renegaram a salvação ao que assistem a “Missa Nova” com devoção e obediência ao Santo Papa. Não tem paciência de aguardar que aconteça a “Reforma das Reformas” tão alertada pelo Papa Emérito bento XVI que detectou desvios ou até abusos durante toda a trajetória da sua vida sacerdotal. Quem sabe seja esta a grande provação da Santa Igreja de Deus, contida no Terceiro Segredo de Fátima.

Deixemos ao legítimo representante de Pedro a responsabilidade da recondução do rebanho ao verdadeiro caminho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

CONSERVADORES x MODERNISTAS:

Colaboremos com o Santo Papa atendendo aos seus apelos sobre a Caridade, Fé e Esperança; aliada a Reverência Litúrgica durante as Santas Missas, tanto Nova como Antiga. Nunca a Igreja católica se viu tão manchada pela conduta errada de tantos fiéis e sacerdotes, que no afã de agradar o mundo juntos sacrificam o que é SAGRADO, a Santa Missa (liturgia).

COMENTÁRIO:

Mas afinal, quem mais atende as prerrogativas do Concílio vaticano II.

Serão os fiéis que buscam conservar a fé, assim como Deus é imutável em sua natureza e o tempo criado no céu é estático, apresentando-se só com o dia (luz eterna)???

Ou talvez serão os fiéis que atenderam o tal “Sopro do Espírito Inovador”???

Quem mais uma vez se assemelha aos fatos e acontecimentos da velha história do “Bezerro de Ouro”???

CONCÍLIO VATICANO II:

CONSTITUIÇÃO CONCILIAR
SACROSANCTUM CONCILIUM
SOBRE A SAGRADA LITURGIA
PROÉMIO

Fim do Concílio e sua relação com a reforma litúrgica
..........
A língua litúrgica: traduções
36. § 1. Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular.
.........
Promoção da música sacra
........
116. A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na ação litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar.
.......

domingo, 11 de agosto de 2013

NOSSA SENHORA de COTIGNAC (1519) é a mesma NOSSA SENHORA das GRAÇAS ou da MEDALHA MILAGROSA (1830)


Confira no site do Santuário de Nossa Senhora das Graças, em Cotignac:
www.nd-de-graces.com/

"Que todos venham aqui, em procissão, para receber as graças que desejo derramar"

No dia 10 de agosto de 1519, o lenhador, Jean de la Baume, escalou o Monte Verdaille no alto de Cotignac. Ele estava sozinho e, como de costume, começava o dia em oração.

Após a reza, assim que se levantou, viu surgir, diante dele, uma nuvem, desvendando a Virgem Maria com o Menino Jesus nos braços, cercados por São Bernardo de Claraval (Clairvaux), Santa Catarina Mártir e o Arcanjo São Miguel. Nossa Senhora estava de pé, e tinha os pés apoiados sobre a lua crescente. Ela, então, se dirigiu a João, mais ou menos nesses termos:

"Sou a Virgem Maria. Dizei ao clero e aos Cônsules de Cotignac que construam uma igreja em minha homenagem, aqui neste local, chamada Nossa Senhora das Graças: e que todos venham em procissão para receber as graças que desejo derramar."


Em nossos dias, Nossa Senhora das Graças tornou-se um dos principais santuários marianos da Provence, Côte d'Azur, inclusive foco de peregrinação dos Pais de família e das Mães de família, a cada ano e, sempre, na primavera...

sábado, 27 de julho de 2013

UM PÁROCO FRANCÊS MULTIPLICA o NÚMERO de FIÉIS !!!!


FONTE: Defensores da Sagrada Cruz de Cristo JESUS

"Levar a Deus todas as almas que seja possível". O padre Michel Marie Zanotti Sorkine tomou esta frase a sério, e é o seu principal objetivo como sacerdote.
  
É o que está a fazer depois de ter transformado uma igreja a ponto de fechar e de ser demolida na paróquia com mais vida de Marselha. O mérito é ainda maior dado que o templo está no bairro com uma enorme presença de muçulmanos numa cidade em que menos de 1% da população é católica praticante.

Foi um músico de sucesso
A chave para este sacerdote que antes foi músico de êxito em cabarés de Paris e Montecarlo é a "presença", tornar Deus presente no mundo de hoje. As portas da sua igreja estão abertas de par em par o dia inteiro e veste batina porque "todos, cristãos ou não, têm direito a ver um sacerdote fora da igreja e o reconhece-lo".

Na Missa: de 50 a 700 assistentes
O balanço é impressionante. Quando em 2004 chegou à paróquia de S. Vicente de Paulo no centro de Marselha a igreja estava fechada durante a semana e a única missa dominical era celebrada na cripta para apenas 50 pessoas. Segundo o que conta, a primeira coisa que fez foi abrir a igreja todos os dias e celebrar no altar-mor. Agora a igreja fica aberta quase todo o dia e é preciso ir buscar cadeiras para receber todos os fiéis. Mais de 700 todos os domingos, e mais ainda nas grandes festas. Converteu-se num fenômeno de massas não só em Marselha mas em toda a França, com reportagens nos meios de comunicação de todo o país, atraídos pela quantidade de conversões.

Um novo "Cura de Ars" numa Marselha agnóstica
Uma das iniciativas principais do padre Zanotti Sorkine para revitalizar a fé da paróquia e conseguir a afluência de pessoas de todas as idades e condições sociais é a confissão. Antes da abertura da Igreja às 8h00 da manhã já há gente à espera à porta para poder receber este sacramento ou para pedir conselho a este sacerdote francês.

Os paroquianos contam que o padre Michel Marie está boa parte do dia no confessionário, muitas vezes até depois das onze da noite. E se não está lá, anda pelos corredores ou na sacristia consciente da necessidade de que os padres estejam sempre visíveis e próximos, para ir em ajuda de todo aquele que precisa.

A igreja sempre aberta
Outra das suas originalidades mais características é a ter a igreja permanentemente aberta. Isto gerou críticas de outros padres da diocese mas ele assegura que a missão da paróquia é "permitir e facilitar o encontro do homem com Deus" e o padre não pode ser um obstáculo para que isso aconteça.

O templo deve favorecer a relação com Deus
Numa entrevista a uma televisão disse estar convencido de que "se hoje em dia a igreja não está aberta é porque de certa maneira não temos nada a propor, que tudo o que oferecemos já acabou. No nosso caso em que a igreja está aberta todo o dia, há gente que vem, praticamente nunca tivemos roubos, há gente que reza e garanto que a igreja se transforma em instrumento extraordinário que favorece o encontro entre a alma e Deus".

Foi a última oportunidade para salvar a paróquia
O bispo mandou-o para esta paróquia como último recurso para a salvar, e fê-lo de modo literal quando lhe disse que abrisse as portas. "Há cinco portas sempre abertas e todo o mundo pode ver a beleza da casa de Deus". 90.000 carros e milhares de transeuntes passam e veem a igreja aberta e com os padres à vista. Este é o seu método: a presença de Deus e da sua gente no mundo secularizado.

A importância da liturgia e da limpeza
E aqui está outro ponto chave para este sacerdote. Assim que tomou posse, com a ajuda de um grupo de leigos renovou a paróquia, limpou-a e deixou-a resplandecente. Para ele este é outro motivo que levou as pessoas a voltarem à igreja: "Como é podemos querer que as pessoas acreditem que Cristo vive num lugar se esse lugar não estiver impecável? É impossível."

Por isso, as toalhas do altar e do sacrário têm um branco imaculado. "É o pormenor que faz a diferença. Com o trabalho bem feito damos conta do amor que manifestamos às pessoas e às coisas". De maneira taxativa assegura: "Estou convicto que quando se entra numa igreja onde não está tudo impecável, é impossível acreditar na presença gloriosa de Jesus".

A liturgia torna-se o ponto central do seu ministério e muitas pessoas sentiram-se atraídas a esta igreja pela riqueza da Eucaristia. "Esta é a beleza que conduz a Deus", afirma.

As missas estão sempre cheias e incluem procissões solenes, incenso, cânticos bem cantados... Tudo ao detalhe. "Tenho um cuidado especial com a celebração da Missa para mostrar o significado do sacrifício eucarístico e a realidade da sua Presença". "A vida espiritual não é concebível sem a adoração do Santíssimo Sacramento e sem um ardente amor a Maria", por isso introduziu a adoração e o terço diário, rezado por estudantes e jovens.

Os sermões são também muito aguardados e, inclusive, os paroquianos põem-nos online. Há sempre uma referência à conversão, para a salvação do homem. Na sua opinião, a falta desta mensagem na Igreja de hoje "é talvez uma das principais causas de indiferença religiosa que vivemos no mundo contemporâneo". Acima de tudo clareza na mensagem evangélica. Por isso previne quanto à frase tão gasta de que "vamos todos para o céu". Para ele esta é uma "música que nos pode enganar", pois é preciso lutar, a começar pelo padre, para chegar até ao Paraíso.

O padre da batina
Se alguma coisa distingue este sacerdote alto num bairro de maioria muçulmana é a batina, que veste sempre, e o terço nas mãos. Para ele é primordial que o padre ser descoberto pelas pessoas. "Todos os homens, a começar por aquela pessoa que entra numa igreja, tem direito de se encontrar com um sacerdote. O serviço que oferecemos é tão essencial para a salvação que o ver-nos deve ser tangível e eficaz para permitir esse encontro".

Deste modo, para o padre Michel o sacerdote é sacerdote 24 horas por dia. "O serviço deve ser permanente. Que pensaríamos de um marido que a caminho do escritório de manhã tirasse a aliança?".

Neste aspecto é muito insistente: "Quanto àqueles que dizem que o traje cria uma distância, é porque não conhecem o coração dos pobres para quem o que se vê diz mais do que o que se diz".

Por último, lembra um pormenor relevante. Os regimes comunistas a primeira coisa que faziam era eliminar o traje eclesiástico sabendo a importância que tem para a comunicação da fé. "Isto deve fazer pensar a Igreja de França", acrescenta.

No entanto, a sua missão não se realiza apenas no interior do templo. É uma personalidade conhecida em todo o bairro, também pelos muçulmanos. Toma o café da manhã nos cafés do bairro, aí conversa e com os fiéis e com pessoas que não praticam. Ele chama a isso a sua pequena capela. Assim conseguiu já que muitos vizinhos sejam agora assíduos da paróquia, e tenham convertido esta igreja de São Vicente de Paula numa paróquia totalmente ressuscitada.

Uma vida peculiar: cantor em cabarés
A vida do padre Michel Marie foi agitada. Nasceu em 1959 e tem origem russa, italiana e da Córsega. Aos 13 anos perdeu a mãe, o que lhe causou uma "fatura devastadora" que o levou a unir-se ainda mais a Nossa Senhora.

Com um grande talento musical, apagou a perda da mãe com a música. Em 1977 depois de ter sido convidado a tocar no café Paris, de Montecarlo, mudou-se para a capital onde começou a sua carreira de compositor e cantor em cabarés. No entanto, o apelo de Deus foi mais forte e em 1988 entrou na ordem dominicana por devoção a S. Domingos. Esteve com eles quatro anos, e perante o fascínio por S. Maximiliano Kolbe passou pela ordem franciscana, onde permaneceu quatro anos.

Foi em 1999 quando foi ordenado sacerdote para a diocese de Marselha com quase quarenta anos. Além da música, que agora dedica a Deus, também é escritor de êxito, tendo publicado já seis livros, e ainda poeta.


Fonte: http://bibliotecadomosteiro.com.br/category/destaques/