Site dedicado à Devoção do Misericordioso Coração de Jesus, Doloroso e Imaculado Coração de Maria, Coração Virginal de São José, verdadeira Santa Igreja de Cristo e ao Motu Proprio SUMMORUM PONTIFICUM de S.S. Papa Bento XVI referente as Celebrações Liturgicas na Forma Extraordinária do Rito Romano ou Rito Dâmaso-Gregoriano, no Brasil e no mundo, promoção e divulgação do sacro Canto Gregoriano.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
EM PLENA GRAÇA CONCEBIDA....
Já no primeiro instante de
sua concepção, Maria Santíssima foi enriquecida com uma plenitude
de graças superior à de todos os Anjos e Santos reunidos.
por Diác. Felipe García López
Ria, EP
Luz tênue, igreja
praticamente vazia, pouco ruído. É fim de tarde na cidade de
Granada. Num confessionário, um sacerdote reza seu Breviário,
enquanto permanece à disposição de qualquer fiel desejoso de
purificar sua alma. UmImaculada Conceição por Bartolomé Esteban
Murillo - Museu do Prado - Madri.jpgjovenzinho se aproxima e
ajoelha-se frente a frente com o ministro de Deus, como acontece
normalmente com esse povo categórico. Sem dúvida alguma, ele queria
confessar-se.
- Ave Maria puríssima! -
disse o padre, segundo o costume ali vigente.
- Sem pecado concebida! -
respondeu sem hesitar o penitente, tal como fazia desde sua infância.
Entretanto, o confessor o corrigiu, com a característica ênfase
ibérica:
- Não! Deves responder-me:
"Em graça concebida!".
Esse pequeno episódio revela
uma importante verdade teológica, e a frase do sacerdote encerra um
belo louvor à Mãe de Deus.
A maior plenitude concebível
abaixo de Deus
Voltemos nossa atenção para
um século e meio atrás, aos 8 de dezembro de 1854. Foi nesse dia
que o Beato Pio IX, falando ex cathedra, declarava ter sido a
Bem-Aventurada Virgem Maria "preservada imune de toda mancha do
pecadooriginal" 1 por singular graça e privilégio de Deus.
Proclamava assim, perante o regozijo do orbe cristão, que a doutrina
da Imaculada Conceição "foi revelada por Deus, e por isto deve
ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis".
Sublime prerrogativa esta, a
de ser preservada de toda mancha! Contudo, se analisarmos mais
detidamente, veremos que nessas palavras se encerra não só o
aspecto negativo do dogma - ter sido Ela concebida sem pecado - mas
também, necessariamente, o aspecto positivo dessa mesma realidade:
Maria foi concebida em graça e, como afirma o Concílio Vaticano II,
foi "enriquecida, desde o primeiro instante da sua Conceição,
com os esplendores duma santidade singular".3
O Espírito Santo habitou
n'Ela desde o início de sua existência, enchendo-A de seus dons,
virtudes e carismas com tanta abundância, conforme ensina o Beato
Pio IX: "Ela possui tal plenitude de inocência e de santidade
que, depois da de Deus, não se pode conceber outra maior".4
Desde o primeiro instante de
sua Imaculada Conceição
É a essa plenitude de graças
que faz referência o Arcanjo Gabriel na sua saudação: "Ave,
cheia de graça, o Senhor é contigo" (Lc 1, 28).
Enganar-se-ia quem objetasse
que o fato de Maria Santíssima estar repleta de graças não
significa que já o estivesse antes do anúncio do Anjo. Portanto A
imaginasse como uma moça boazinha, com suas falhas e defeitos, que
foi repentinamente tomada pelo Espírito Santo no momento da aparição
de São Gabriel.
Essa hipótese, entretanto,
repugna o nosso senso católico e contradiz os princípios da
Mariologia, pois, conforme explica um renomado teólogo do século
XX, a doutrina de que a graça inicial de Maria Santíssima fosse
superior à de todos os Anjos e Santos reunidos é "completamente
certa em Teologia".
Para explicar essa afirmação,
outro teólogo contemporâneo aduz diversos argumentos, entre os
quais o seguinte: "Como o ser preservada de pecado não é outra
coisa senão possuir a graça santificante desde o princípio da
existência, e como Maria foi preservada de modo singularíssimo do
pecado original, segue-se claramente que desde o princípio esteve
cheia de graça".
Especialmente esclarecedora é
a explicação de São Tomás. Argumenta ele que "quanto mais
próximo está alguém do princípio, seja qual for o gênero, mais
participa de seu efeito".7 Ou seja, assim como quem se coloca
mais perto do fogo mais se aquece, quanto mais uma alma se aproxima
de Deus tanto mais participa de seus dons. E conclui: "Ora, a
Bem-Aventurada Virgem Maria foi a que esteve mais próxima de Cristo
segundo a humanidade, pois foi d'Ela que Cristo recebeu a natureza
humana. Eis por que Ela tinha de obter de Cristo uma plenitude de
graça maior do que as outras pessoas".
É justamente essa proximidade
de Cristo, pela sua predestinação como Mãe de Deus, que explica a
plenitude de graças de Maria Santíssima desde o primeiro instante
de sua Conceição.
Tríplice plenitude de graça
Evidentemente, a plenitude de
graça em Maria não é idêntica à de seu Filho. Em Cristo, Autor
da graça, ela é absoluta; portanto, sem possibilidade de aumento.
Em Nossa Senhora, porém, é relativa e suscetível de crescimento,
na medida em que aumentava a capacidade da sua alma, de algum modo
unida à ordem hipostática. Segundo alguns teólogos, Maria crescia
em graça até durante o sono, pois Ela possuía a ciência infusa, e
esta continua funcionando quando a pessoa adormece.
Na realidade, com base no
Doutor Angélico,10 não deveríamos falar da plenitude de graça de
Maria, mais sim de uma tríplice plenitude vinculada ao privilégio
da maternidade divina: a dispositiva, concedida no instante de sua
concepção, com vistas a torná-La idônea a ser a Mãe de Cristo; a
perfectiva, no momento da Encarnação do Verbo, quando Ela recebeu
um imenso acréscimo de graça santificante; e a final ou
consumativa, ou seja, a que a alma possui na glória celestial.
A morada que Deus preparou
para Si
Dizia o Doutor Melífluo que
De Maria nunquam satis - d'Ela não há o que baste. Pois Deus
depositou na Virgem Maria todas as perfeições que era possível uma
mera criatura ter. Ela transcende todos os Santos, como o Céu
transcende a Terra. Ela é a montanha preferida por Deus, para
habitar no tempo e na eternidade. Em louvor a Ela, canta o Salmista:
"Montes escarpados, por que invejais a montanha que Deus
escolheu para morar, para nela estabelecer uma habitação eterna?"
(Sl 67, 17).
Quão bela, santa e perfeita
morada preparou Cristo Senhor para Si! Quão sublime e magnífica a
Mãe que Ele deu para nós! (Revista Arautos do Evangelho,
Julho/2014,. 151, p. 36-37)
- Irmã, posso seguir os Anjos até o Céu??? "VIDA da VENERÁVEL ANA de GUIGNÉ."
Em 1915, um ano após o início
da primeira guerra mundial, enquanto os combates se atolam nas
trincheiras…todas as famílias de França sabem que uma visita de
oficiais do estado civil num lar significa o anúncio de uma morte a
frente de batalha. Assim, quando a 29 de julho de 1915, a Senhora de
Guigné vê o presidente da câmara de Annecy-le-Vieux chegar à
porta da sua residência, ela percebe que o seu marido, ferido já em
três ocasiões, não regressará mais. “Ana, se me queres
consolar, tens de ser boazinha”, diz a mãe à sua filha de
tão-somente quatro anos de idade, a mais velha dos seus quatro
filhos. A partir desse momento, a criança até aí voluntariosamente
desobediente, orgulhosa e invejosa, vai realizar, com tenacidade e
continuidade, um combate de cada instante a fim de se tornar boa, o
combate da sua transformação interior que ela vencerá graças à
sua vontade, obviamente, mas sobretudo – e é ela a dizê-lo –
através da oração e de sacrifícios que ela se impõe. Veem-na
ficar vermelha, serrando os seus pequenos punhos para controlar o seu
forte caráter perante as contrariedades que enfrenta; depois, pouco
a pouco, as crises diminuem até ao ponto dos seus familiares e
conhecidos ficarem com a impressão que tudo se lhe tornou agradável.
O amor pela sua mãe que ela quer consolar vai assim tornar-se o seu
caminho para o seu Deus. Este caminho encontra-se balizado pelas
numerosas reflexões de Ana que nos revelam a intensidade da sua vida
espiritual e pelos numerosos testemunhos dos seus próximos que
recordam os esforços contínuos que ela fazia para progredir na sua
conversão.
Vida curta, mas Santa
Para Ana de Guigné, o farol
que ilumina o seu caminho de conversão é a sua primeira comunhão à
qual aspira com todo o seu ser e toda a sua alma e que ela prepara
com alegria. Chegado o momento, a sua tenra idade necessitando uma
licença especial, o bispo impõe-lhe um exame que ela ultrapassará
com uma facilidade desconcertante. “Desejo que estejamos sempre ao
nível de instrução religiosa desta criança”, dirá o seu
examinador. A continuação da sua curta vida traduz a paz de uma
grande felicidade íntima alimentada pelo amor ao seu Deus que se
aplica, à medida que cresce, a um círculo de pessoa cada vez mais
vasto: seus parentes e familiares, pessoas com quem vai contatando,
os doentes, os pobres, os não crentes. Ela vive, reza, sofre pelos
outros. Atingida precocemente pelo reumatismo, ela sabe o que é o
sofrimento e corresponde-lhe com uma oferta: “Jesus, eu vo-lo
ofereço”, ou ainda “Ó, eu não sofro; aprendo a sofrer!” Mas
em dezembro de 1921, é afetada por uma doença cerebral – sem
dúvida uma meningite – que a força a permanecer acamada. Ela
repete incessantemente: “Meu Deus, eu quero tudo o que quiserdes”,
e acrescenta sistematicamente às orações que são feitas pelas
suas melhoras: “e curai também todos os outros doentes”. Ana de
Guigné morre na madrugada de 14 de janeiro de 1922 após este último
diálogo com a religiosa que vela por ela: “Irmã, posso ir com os
anjos?” – “Sim, minha bela pequena menina”. “Obrigada,
Irmã! Ó obrigada!”. Esta menina é uma “santa”, tal é então
o veredito geral. Os testemunhos abundam, artigos são publicados e o
Bispo de Annecy inicia em 1932 o processo de beatificação. Mas
então a Igreja não tinha tido ainda a necessidade de ajuizar sobre
a santidade de uma criança que não fosse mártir. Os estudos
conduzidos em Roma sobre a possibilidade da heroicidade das virtudes
da infância foram concluídos positivamente em 1981 e a 3 de março
de 1990 o decreto reconhecendo a heroicidade das virtudes de Ana de
Guigné e declarando-a “venerável” era assinado pelo papa João
Paulo II.
Notas escritas e
bilhetes
“Meu pequeno Jesus, eu vos
amo e para vos agradar tomo a resolução de obedecer sempre.”
(Bilhete deixado sobre o altar aquando da sua primeira comunhão)
“O pequeno Jesus, parece-me
que me respondeu no meu coração. Eu dizia-Lhe que queria ser muito
obediente e pareceu-me ouvir: sim, sê-o.” (bilhete à mãe 1917).
“Eu quero que o meu coração seja puro como um lírio”. “Quero
que Jesus viva e cresça em mim. Que meios tomar para isso?” (Notas
de retiro 1920). “Bem podemos sofrer por Jesus pois Jesus sofreu
por nós”.
Numa imagem do Calvário que
ela tinha feito, Ana escreve: “De pé diante da Cruz sobre a qual o
seu Filho estava suspenso, a Mãe das dores chorava com resignação.
Dai-me a graça de chorar convosco”. Ela acrescentava: “Porque
Jesus não é suficientemente amado”.
(Canto composto por Ana
para a comunhão)
Emprestai-m’O, Oh
Maria minha boa Mãe
Emprestai-me o vosso
filho, apenas um segundo,
Colocai-o nos meus
humildes braços.
Permiti-me, Maria
De beijar os pés do
vosso querido Filho
Que me deu tantas
graças.
Como eu desejo, ó Maria
Receber nos meus braços
o vosso Filho,
Dai-m’O, dai-m’O!
Que feliz eu sou agora
Pois tenho-O comigo!
À sua mãe que lhe pergunta
por que razão deixou de usar o seu missal, ela responde: “Porque
sei de cor as suas orações e distraio-me facilmente ao lê-lo. Pelo
contrário, quando falo ao pequeno Jesus nunca me distraio. É como
quando falamos com alguém, Mãezinha, sabemos muito bem o que
dizemos”. (dezembro de 1919)
domingo, 25 de janeiro de 2015
“O QUE OS HOMENS ME PEDEM PELAS LÁGRIMAS DE MINHA MÃE, EU AMOROSAMENTE CONCEDO.” – REZE ESTA ORAÇÃO!!!
“Minha
filha, o que os homens Me pedem pelas lágrimas de Minha Mãe,
Eu
amorosamente concedo.”
“Este
rosário alcançará a conversão de muitos pecadores,
especialmente
dos possuídos pelo demônio.”
O
Rosário das Lágrimas tem 49 pequenas contas brancas divididas em 7
partes.
Semelhante
ao Rosário das Sete Dores de Maria, tem, no lugar da Cruz, a medalha
de Nossa Senhora das Lágrimas. Esse Rosário ou Coroa foi revelado a
uma religiosa em Campinas-SP, no início da década de 30, e tem
aprovação eclesiástica.
Imprimatur:
+ Francisco, Bispo de Campinas
Campinas, 8 de março de 1934
+ Francisco, Bispo de Campinas
Campinas, 8 de março de 1934
Oração
Inicial:
Eis-nos
aos Vossos pés, ó dulcíssimo Jesus Crucificado, para Vos oferecer
as Lágrimas d”Aquela que, com tanto amor, Vos acompanhou no
caminho doloroso do calvário.
Fazei,
ó bom Mestre, que nós saibamos aproveitar a lição que elas nos
dão para que, realizando a Vossa Santíssima Vontade na terra,
possamos um dia, nos céus, Vos louvar por toda a eternidade. Amém.
Nas
contas maiores:
Vede,
ó Jesus, que são as lágrimas d”Aquela que mais Vos amou na
terra… E que mais Vos ama nos céus.
Nas
contas menores:
Meu
Jesus, ouvi os nossos rogos. Pelas lágrimas de Vossa Mãe
Santíssima.
No
final:
Vede,
ó Jesus, que são as lágrimas d”Aquela que mais Vos amou na
terra… E que mais Vos ama nos céus. (3 vezes)
Oração
Final:
Virgem
Santíssima e Mãe das Dores, nós Vos pedimos que junteis os Vossos
pedidos aos nossos, a fim de que Jesus, Vosso divino Filho, a quem
nos dirigimos, em nome das Vossas Lágrimas de Mãe, ouça as nossas
preces e nos conceda, com as graças que desejamos, a coroa eterna.
Amém.
Jaculatórias:
Coração
de Jesus Crucificado, Fonte de amor e de perdão! Por Vossa mansidão
divina renovai a face da terra e reinai em nossos corações. Ó
Virgem dolorosíssima! As Vossas lágrimas derrubaram o império
infernal.
*
* *
sábado, 24 de janeiro de 2015
SANTA MARIA EGIPCÍACA ou SANTA MARIA EGÍPCIA ou MARIA DO EGITO (c. 344 – c. 421 ou 422)
Foi uma asceta do século IV
que se retirou para o deserto após uma vida de prostituição. É venerada como
patrona das mulheres penitentes, em especial na Igreja Copta, mas também na
Igreja Católica, Igreja Ortodoxa e Igreja Anglicana. A Igreja Ortodoxa celebra
o seu dia festivo no dia do seu «descanso», em 1 de abril e no "Domingo de
Santa Maria do Egito", o sexto domingo da Grande Quaresma.
Infância
e juventude
A principal fonte de
informação sobre Santa Maria do Egito é a Vita escrita por Sofrónio, Patriarca
de Jerusalém (634 - 638). Santa Maria nasceu algures no Egito, e aos doze anos
foi para a cidade de Alexandria, onde viveu uma vida dissoluta. Muitos escritos
se lhe referem como prostituta durante este período, mas, Sofrónio na sua obra
Vita afirma que se negou frequentemente a aceitar o dinheiro oferecido em troca
dos seus favores sexuais. Terá sido, segundo a hagiografia, impulsionada por
«um desejo insaciável e uma imparável paixão». Na mesma linha, a Vita expõe que
vivia principalmente da mendicidade, trabalhando na fiação de linho.
Peregrinação
a Jerusalém
Após 17 anos a viver este
estilo de vida, viajou para Jerusalém para a festa da Exaltação da Santa Cruz.
Empreendeu a viagem como uma espécie de "anti-peregrinação",
afirmando que esperava encontrar na multidão de peregrinos ainda mais parceiros
para a sua luxúria. Conseguiu o dinheiro para a viagem oferecendo favores sexuais
a outros peregrinos, e continuou o seu habitual estilo de vida por um curto
tempo em Jerusalém.
Na Vita relata-se que,
quando tentava entrar na Igreja do Santo Sepulcro para a celebração, uma força
invisível a terá impedido de o fazer. Consciente de que este estranho fenómeno
era por causa da sua impureza, sentiu um forte arrependimento e, ao ver um
ícone da Theotokos fora da igreja, rezou implorando perdão e prometeu renunciar
ao mundo convertendo-se em asceta). Pois, uma voz havia lhe dito que seus
pecados a tinham tornado indigna de comparecer diante de Deus, o que a fez
chorar amargamente.
Conversão
e Ascetismo
Mais tarde tentou de novo
entrar na igreja, e desta vez conseguiu-o. No mesmo instante, a força invisível
sumiu e ela pôde, enfim, entrar. Depois de venerar a relíquia da Cruz de
Cristo, regressou ao ícone em ação de graças, tendo escutado uma voz que lhe
dizia "Se cruzares o Jordão, encontrarás um glorioso descanso". De
imediato dirigiu-se para o mosteiro de São João Batista na margem do rio
Jordão, onde recebeu a comunhão.
Na manhã seguinte cruzou o
Jordão e retirou-se para o deserto para viver o resto da sua vida como uma
eremita. Segundo a lenda, levou para si apenas três pães (símbolo da
Eucaristia), e viveu do que podia encontrar na natureza. Após ter confessado e
comungado, a ex-mundana tornou-se totalmente uma penitente religiosa, foi viver
durante quarenta e sete anos no deserto, rezando e se alimentando só de
sementes, ervas e água.
Aproximadamente um ano antes
da sua morte, após cerca de 47 anos em retiro de solidão, contou a sua vida a
São Zósimo da Palestina, que se tinha encontrado com ela no deserto. Este,
quando conheceu inesperadamente esta mulher no deserto, viu que estava
completamente nua e quase irreconhecível como humana. Maria pediu a Zósimo o
seu manto para se cobrir com ele, depois contou-lhe a história da sua vida,
manifestando uma maravilhosa clarividência.
Morte
Combinaram encontrar-se de
novo no rio Jordão na Quinta-feira Santa do ano seguinte, e levar-lhe a
comunhão. Assim, no ano seguinte, Zósimo deslocou-se ao mesmo lugar onde se
reunira pela primeira vez com ela, a vinte dias de viagem do seu mosteiro, e aí
a encontrou morta. De acordo com uma inscrição escrita na areia ao lado da
cabeça, tinha morrido na mesma noite em que tinha recebido a santa comunhão e
de algum modo tinha sido milagrosamente transportada para o lugar onde a
encontraram, e o seu corpo ficou preservado incorrupto. Zósimo, ainda segundo a
lenda, enterrou o seu corpo com a ajuda de um leão do deserto. No regresso ao
mosteiro, relatou a historia de Maria aos irmãos, e entre eles ficou a tradição
oral até ter sido escrito o relato de São Sofrónio.
Há divergências entre as
diversas fontes sobre a data da vida de Maria do Egito. Os Bolandistas datam a
sua morte no ano 421, mas outros dão como data 522 ou 530. O único indício dado
na sua vida é que o dia do seu repouso foi 1 de abril, Quinta-feira Santa.
Segundo o calendário juliano em uso na época, há 24 anos em que o dia 1 de
abril foi quinta-feira. Destes, os anos nos quais a Páscoa seria em 4 de abril
são 443, 454, 527, 538, e 549.
É notável que o Synaxarion
exponha que Zósimo viveu durante o reinado do imperador Teodósio II o Jovem,
que reinou de 408 a 450 no Império Romano do Oriente. Segundo a tradição,
Zósimo viveu quase cem anos, morrendo no século VI, e na Vita diz-se que tinha
cinquenta e três anos de idade quando se reuniu com Santa Maria do Egito.
Veneração
O Templo de Portunus de Roma
foi preservado como igreja de Santa Maria do Egito no ano de 872. Na
iconografia clássica, Santa Maria do Egito é representada como uma anciã de
cabelo branco e de pele escurecida pelos longos anos no deserto, nua ou coberta
pelo manto que pediu a Zósimo. É representada muitas vezes com os três pães que
comprou antes de empreender a sua viagem ao deserto.
Há uma capela dedicada a
Santa Maria do Egito na Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, que comemora o
momento da sua conversão.
Influência
na sociedade
Em torno das ordens
religiosas inspiradas por Maria do Egito começaram a construir-se em Espanha
desde o século XIV diversos «estabelecimentos ou casas» denominadas
genericamente de Egipcíacas. Em 1372 foi fundada uma "casa de Egipcíacas"
em Barcelona. Em Espanha denominavam-se indistintamente como Arrependidas,
Recolhidas ou Egipcíacas as mulheres que abandonavam o exercício público da
prostituição, ou seja, as que eram antes da conversão denominadas «mulheres
públicas».
ORAÇÃO
Santa Maria do Egito,
que fostes perseguida desde a igreja do Santo Sepulcro por um anjo com uma
espada,
que te ajoelhastes
diante de um crânio, nua, mas vestida com teus
cabelos longos;
que recebestes a
Sagrada Comunhão de São Zózimo,
que sentastes debaixo
de uma palmeira, em contemplação, do
outro lado do Jordão;
que lavastes os
cabelos na Jordânia, como Maria Madalena, com o leão que cavou tua sepultura;
mulher segurando três
pães, mostrando como pouco era teu alimento,
por favor ore por
nós,
para que sempre
possamos ser puros
e perseverar nossa
alma sem pecado
até o último respiro
de nossa vida.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
“DAI-ME JESUS E PROMETO SER BOAZINHA…”
Entre os meninos e meninas mais pequeninos, puros e bons… costuma Jesus Menino escolher seus pajens (cruzadinhas) para que o
acompanhem aonde quer que vá.
Uma dessas crianças foi Santa Gema Galgani, uma santa de nossos tempos,
que durante toda a sua vida recordava com prazer as primeiras práticas que
tivera com Jesus Sacramentado, sendo ainda muito pequena.
O rosto de minha mãe, depois de receber a comunhão, dizia, ficava
radiante de alegria e meu coração batia mais depressa, quando ela me chegava a
seu peito, dizendo:
- Gema, aproxima-te de meu peito para dar um beijo a Jesus. Desde aquela
idade na cessava de pedir a suas professoras capelães que lhe dessem o seu
Jesus.
Eles olhavam para ela e sorriam, pois, apesar de ter nove anos, era tão
pequena que parecia ter apenas seis. Naquele tempo o Papa não havia dado ainda
o decreto da comunhão dos pequeninos e exigiam-se para a mesma instruções e conhecimentos
cabais.
- Tem paciência, diziam-lhe, até que tenhas a idade requerida.
Mas Gema pedia, sem se cansar:
“Dai-me Jesus, dai-me… E vereis que serei boazinha, não pecarei mais e
serei bem comportada. Dai-me Jesus, porque me parece que não poderei viver sem Ele”.
Estes belos sentimentos de um coração tão puro e amante moveram seus
superiores a apressar o dia feliz e suspirado e satisfazer-lhe as ânsias de
apertar Jesus a seu peito.
Gema tornou-se realmente uma grande Santa que mereceu as honras do altar.
* * *
NOSSA SENHORA DO DIVINO PRANTO - Sua História e a Cura Milagrosa da Irmã Elizabeth
Na comunidade das Irmãs
Marcelinas, em Cernusco, na Itália, berço da Congregação, o médico Dr. Bino, no
dia 6 de janeiro de 1924, apresenta seu diagnóstico a respeito de uma jovem
religiosa enferma, Irmã Elizabeth:
“Nada mais posso fazer por ela.
A medicina já não tem recursos neste caso…”. Muito querida por todos, a irmã
está cega, debilitada, prostrada por tremendas dores. Muitas vezes, fica,
durante horas e horas, inconsciente. Imersa em dores, o sorriso permanece em
seus lábios.
Às dez e trinta da noite, na
casa religiosa todas dormem. Na enfermaria, Irmã Elizabeth respira com muita
dificuldade. De repente, a religiosa começa a falar. As irmãs presentes escutam
atônitas o que ela diz:
“Oh! Como a Senhora é boa! Mas
eu tenho uma dor tão grande que nem sei oferecer direito a Deus… Reze a Senhora
que é tão boa!”.
As religiosas estão atentas,
mas não podem ouvir a resposta da ‘Senhora’ que, no entanto, fala: “REZA!
CONFIA! ESPERA! Voltarei de 22 para 23″.
Em meio ao seu sofrimento, a
enferma pensa na dor das outras irmãs enfermas: “Vá falar com Irmã Teresa, Irmã
Amália e com Irmã Elisa Antoniani, que há tantos anos está doente!”. A boa
‘Senhora’ sorri e desaparece.
Na manhã seguinte, as
companheiras de quarto comentam: “Ontem, à noite, Irmã Elizabeth não parava de
falar, sonhando”.
Prontamente ela respondeu: “Não
sonhei, falei com aquela ‘Senhora’”.
As religiosas sorriem
penalizadas. A enfermeira, bondosa e enérgica, repreende a Irmã Elizabeth,
dizendo: “Que pode ter visto, você, que está cega há um ano? Você sonhou e não
invente tolices!”
A Superiora, Irmã Ermínia
Bussola, também tenta convencê-la: “… Quero-lhe muito bem e não a engano.
Repito que, aqui em casa não veio ninguém de fora. Você sonhou.” A pobre Superiora
por toda a sua vida teve que lamentar-se de sua incredulidade. Foi, ao invés,
no plano de Deus, uma das tantas provas que autenticaram a aparição.
Irmã Elizabeth prossegue
tranquila carregando sua cruz.
De 22 para 23…
Chega fevereiro, trazendo neve
e frio intenso. A enferma aguarda um novo encontro com a ‘Senhora’ para o dia
2. Não dorme, ouvindo as batidas do relógio e conta as horas. A noite passa sem
nenhuma novidade. Vem a manhã do dia 3 e Irmã Elizabeth mal disfarça o choro.
A Superiora pergunta-lhe a
razão da tristeza. A enferma responde: “Ela não veio… tinha dito de 2 para 3… A
Superiora fica preocupada com as faculdades mentais de Irmã Elizabeth que piora
a cada dia. Novamente o médico é chamado. Sua opinião: “Desta vez é o fim. Não
há nada mais a fazer. A Irmã tem poucas horas de vida”.
No dia 22 de fevereiro, na
enfermaria, Irmã Gariboldi vela pela agonizante acompanhada de outra religiosa.
São vinte e três horas e quarenta e
cinco minutos.
As duas Irmãs rezam em voz
baixa. Pedem misericódria para a co-irmã que sofre tanto. Neste momento, Irmã
Elizabeth tem um sobressalto. As Irmãs acodem, pensando que chegou o momento
final.
Mas, aquela que há quinze dias
não fala, grita, agora: “Oh! a ‘senhora’! a ‘senhora’”! Trêmula, a Irmã
Gariboldi convida a outra Irmã a ajoelhar-se e murmura: “Se for a Senhora,
levá-la-á consigo!” Sem nada entender, as duas espectadoras ouvem atentamente:
“Oh! a ‘senhora’! De 22 para 23? Pois eu havia entendido de 2 para 3. E era de
22 para 23!…”
De repente, a Irmã Elizabeth se
ergue um pouco mais e sua atitude é de espanto quando diz:
“Mas, ‘senhora’… é Nossa
Senhora! É Nossa Senhora!” Ela vê que a Virgem traz o Menino Jesus nos braços e
ele está chorando. “Chora por meus pecados? Chora porque não o amei bastante?…”
As religiosas presentes nada
ouvem mas pressentem que algo extraordinário está ocorrendo. A Senhora
responde:
“…O Menino chora porque não é
bastante AMADO, PROCURADO, DESEJADO, também pelas pessoas que Lhe são
consagradas… Tu deves dizer isto!”
A Missão
Ir. Elisabeth Couleur
Irmã Elizabeth ainda não
percebe a missão que a Senhora lhe confia. Ela julga que a Virgem viera levá-la
ao paraíso, no que se equivoca. Maria quer dar-lhe uma missão e para tanto lhe
dá um sinal: devolve-lhe a saúde e desaparece com
seu Menino.
Alguém se lembra de chamar a
Superiora que se levanta, achando que vai encontrar a enferma dando seu último
suspiro. Ao invés disso, vê a doente luminosa, de
olhos radiantes.
Irmã Elizabeth corre a abraçar
a Superiora, exclamando: “Nossa Senhora curou-me e mandou-me dizer que Jesus
chora porque não é bastante AMADO, PROCURADO, DESEJADO, também pelas pessoas
que lhe são consagradas!”
O médico que a acompanhou
sempre afirmou: “A cura de Irmã Elizabeth não pode ser explicada pela ciência”.
Antes, ateu, converteu-se e tornou-se um cristão fervoroso.
Mais tarde, conseguida a
aprovação da Igreja para este culto de Nossa Senhora, foi modelada uma imagem,
de acordo com a descrição feita por Irmã Elizabeth.
Ainda hoje, em Cernusco e em
vários países, as Irmãs Marcelinas espalham esta devoção à Virgem Santíssima.
A afluência de peregrinações ao
local da aparição é grande. A capela já não é suficiente para conter todos
aqueles que, cheios de fé, diante da Virgem do Divino Pranto, REZAM, CONFIAM e
ESPERAM.
Jaculatória: Querido Menino
Jesus, amar-Vos-ei muito para enxugar as lágrimas que Vos faz derramar a
ingratidão dos homens.
* * *
sábado, 3 de janeiro de 2015
O SANTO PAPA JOÃO PAULO I e a IRMÃ LÚCIA !!!!
LEMA do BRASÃO - HVMILITAS
Encontro
do Santo Papa João Paulo I com a Irmã Lúcia em 1977:
A revista
italiana 30 Giorni revela, com base em declarações de um dos quatro
irmãos de João Paulo I, que a Irmã Lúcia, durante a visita que o
então Patriarca de Veneza lhe fez no Carmelo de Santa Teresa, em
Coimbra, sempre o tratou por "Santo Padre".
O Cardeal
Luciani fica impressionado e pergunta: "Porquê?", ao que a
Irmã responde: "Vossa Eminência um dia será eleito Papa".
E ele disse: "Sabe-se lá, irmã…", e a Irmã retorquiu:
"Será sim, mas o seu pontificado será muito breve".
(Fonte: Edição
especial do Correio da Manhã - "Os Papas - De São Pedro a João
Paulo II" - Fascículo XI, "Leão XIII lança doutrina
social da Igreja", página 263, ano 2005)
Do
livro "O Diário Secreto de João Paulo I":
Segundo Ricardo de la
Cierva, a única pessoa que teria tido acesso ao diário pessoal do
papa, ele reproduziu no livro "O Diário Secreto de João Paulo I" um trecho
em que o pontífice revela a premonição de sua morte.
De acordo com o livro,
em julho de 1977, ele teria visitado irmã Lúcia, a anciã
protagonista das aparições de Fátima, no convento das Carmelitas
de Coimbra.
Entre longos silêncios e súbitos olhares fixos, a
religiosa teria lhe dito a frase: “E quanto ao senhor, senhor
padre, a coroa de Cristo e os dias de Cristo”.
Em seu diário, João
Paulo I teria escrito: “Os dias de Cristo serão meus dias, minhas
semanas, meus anos? Não sei”. Aquele era o 25o. dia de seu
pontificado – que durou exatos 33 dias.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
A FÉ DIANTE DO TRIBUNAL DA RAZÃO
por Thiago de Oliveira Geraldo - 2011/06/24
(Revista Arautos do Evangelho, Junho/2011, n. 114, p. 18 à 23)
Para cumprir o encargo de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo por todo o mundo, os primeiros cristãos tinham necessidade de adaptar-se à cultura de seus ouvintes. O Apóstolo das Gentes realizou isso de forma admirável em seu discurso no Areópago de Atenas.
Fazendo parte da planície da Ática, com seu solo rochoso e pouco fértil, Atenas viu nascer em seu seio insignes pensadores cujos nomes reboam no mundo da cultura há mais de dois mil e quinhentos anos. Ali floresceram, nos séculos V e IV a.C., três figuras de proa da Filosofia: Sócrates, Platão e Aristóteles, o último dos quais recebeu de notáveis estudiosos elogios como este: "Mais do que ‘o mestre daqueles que sabem', como o reconhecia Dante, Aristóteles merecia ser chamado de o inspirador daqueles que questionam, em todos os campos do saber, da ação, da produção".1 Ou ainda como este outro, do qual poderia se ufanar o mais prestigioso dos intelectuais hodiernos: "Poucos homens fundaram uma ciência; afora Aristóteles, nenhum fundou mais de uma".2
"MAIS FÁCIL ENCONTRAR UM DEUS DO QUE UM SER HUMANO"
Durante séculos, defrontavam-se em Atenas expoentes de diversas escolas de pensamento nos campos do saber, da moral, da política. Havia também nessa cidade banhada pelo Mar Egeu, como em toda a Grécia antiga, um confronto entre as crenças politeístas e o rigor do pensamento puramente humano, levando a intermináveis discussões acerca das divindades e da origem do mundo. "Em Atenas é mais fácil encontrar um deus do que um ser humano" 3, ironizava Petrônio, escritor romano do primeiro século. E no século seguinte, o escritor grego Pausânias assim qualificava os atenienses: "eles são também mais piedosos que os outros povos".4
Nesse contexto de acirradas disputas culturais e religiosas, imagine- -se qual deveria ser o espírito de fé e a capacidade intelectual de um cristão para anunciar de modo convincente a Boa Nova na metrópole das ciências, a pensadores de diversas escolas filosóficas, dotados de agudo senso crítico e hábeis na esgrima da dialética.
Essa missão a Providência Divina confiou-a ao Apóstolo das Gentes, "o homem que Deus chamou e enviou para empreender a difusão universal do Cristianismo".5
DISPUTAS DIÁRIAS COM JUDEUS E GREGOS
Varão de rija têmpera, acostumado aos sacrifícios e às adversidades, São Paulo pregava denodadamente o Evangelho de Jesus Cristo em todos os lugares aonde o conduzia seu zelo apostólico. E sua audácia missionária não esmoreceu quando se viu obrigado a permanecer alguns dias em Atenas, à espera de Silas e Timóteo, para juntos continuarem viagem até Corinto.
Mesmo estando nela de passagem, como permanecer naquela cidade sem evangelizar? Impossível para aquele que falou de si mesmo: "Anunciar o Evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade que se me impõe. Ai de mim se não anunciar o Evangelho!" (I Cor 9,16).
Quanto ao ambiente que São Paulo encontrou na capital da cultura, escreve um abalizado exegeta: "A cidade carecia naquele tempo de importância política, e mesmo comercialmente tinha decaído muito; mas continuava sendo ‘a pupila da Grécia' (Filon), ‘a tocha de toda Grécia' (Cícero). Como sede das grandes escolas filosóficas e berço da mais refinada cultura grega, destacava-se sobre as demais cidades do Império Romano e exercia irresistível força de atração sobre quantos aspiravam a adquirir ciência e cultura, especialmente sobre a juventude da nobreza romana".6
No entanto, a primeira reação do Apóstolo quando tomou contato com a realidade ateniense foi de aversão: "Enquanto esperava Silas e Timóteo, em Atenas, Paulo ficou revoltado ao ver aquela cidade entregue à idolatria" (At 17, 16). Sua indignação, fruto da fé, aumentava nele o desejo de aproveitar a ocasião para anunciar Jesus Cristo crucificado àqueles adoradores de ídolos. E São Paulo sabia adaptar-se ao público que o ouvia.
Nas missões realizadas pouco antes em várias cidades, pregou nas sinagogas a judeus, revelando-se exímio conhecedor das Escrituras e demonstrando, com base nelas, ter sido necessário que Cristo padecesse e ressurgisse dos mortos (cf. At 17, 3). Em Atenas habitavam também alguns judeus, mas o ardoroso evangelizador percebia bem que ali a imensa maioria de seus ouvintes seria constituída por gregos, cuja mentalidade era bem diferente da dos israelitas. E lançou-se logo à conquista de almas também nesse campo, pois como narram os Atos dos Apóstolos, São Paulo disputou "na sinagoga com os judeus e prosélitos, e todos os dias, na praça, com os que ali se encontravam" (At 17, 17).
HOMENS INSACIÁVEIS DE NOVIDADES
Entre aqueles que ouviram São Paulo na ágora - nome com o qual os gregos denominavam a praça principal da cidade, onde ocorriam as discussões políticas - havia filósofos epicuristas e estoicos. Os primeiros tinham a fruição dos prazeres por principal finalidade da existência e, em consequência, fugiam da dor o quanto podiam; eram materialistas, mas não negavam a existência dos deuses, os quais, entretanto, raramente interferiam na vida dos homens. Para os segundos, ao contrário, a autossuficiência e a impassibilidade diante da dor eram tomadas como grandes virtudes.
Ao ouvirem a pregação daquele estrangeiro, alguns filósofos debicavam dele, chamando-o de spermológos, ou seja, charlatão ou tagarela. Outros lhe faziam uma das acusações que cinco séculos antes levaram Sócrates à morte nessa mesma cidade: a de propagar o culto a deuses estrangeiros. Porque São Paulo pregava Jesus e a Anástasis (Ressurreição), nomes que soavam para eles como um par de divindades. Conduziram-no então ao Areópago, antigo tribunal de Atenas, no qual se julgavam também questões religiosas e morais. Era ele, além de órgão jurídico, ponto de reunião dos atenienses e forasteiros que, nessa época, "não se ocupavam de outra coisa senão a de dizer ou de ouvir as últimas novidades" (At 17, 21).
Essa sede insaciável de novidades facilitava a atuação do Apóstolo: todos se mostravam ávidos de conhecer o que aquele estrangeiro teria a lhes dizer. Como começaria ele seu discurso perante o exigente auditório, constituído pelos representantes da mais elevada cultura?
Tratando-se de gentios, de nada adiantaria apresentar-lhes argumentos extraídos das Sagradas Escrituras. "Os primeiros cristãos, para se fazerem compreender pelos pagãos, não podiam citar apenas ‘Moisés e os profetas' nos seus discursos, mas tinham de servir-se também do conhecimento natural de Deus e da voz da consciência moral de cada homem"7 - observa o Beato João Paulo II.
Na cidade de Tarso, lugar de passagem para o comércio na Ásia, o jovem Saulo certamente não recebeu apenas a formação judaica tradicional, mas deve ter estudado também disciplinas helênicas, como a retórica. Em suas escolas, além da alfabetização, os alunos aprendiam ginástica e música.
PROCLAMAÇÃO DA FÉ COM SABEDORIA E SAGACIDADE
Chegara para o Apóstolo dos Gentios o momento de colocar a serviço da Fé aquilo que aprendera com a própria cultura grega. "O viver numa cidade helenista e a educação helenístico-judaica do jovem Paulo conferiram-lhe a competência para, mais tarde, como cristão, poder utilizar com autonomia e como patrimônio próprio, o espírito e a tradição do helenismo".8
Adaptou suas palavras ao público (Estratégia-01) que tinha diante de si e, contendo a indignação que lhe causara a idolatria dos atenienses, começou por lhes elogiar a religiosidade (Estratégia-02). Assim agindo, comenta o Beato João Paulo II, revelou sabedoria e sagacidade: "O Apóstolo põe em destaque uma verdade que a Igreja sempre guardou no seu tesouro: no mais profundo do coração do homem, foi semeado o desejo e a nostalgia de Deus".9
No entanto, seu olhar perscrutador captara um detalhe que lhe serviu para introduzir o tema de sua pregação. "Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: ‘A um Deus desconhecido' (Estratégia-03). O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio!" (At 17, 23). Sobre isto, comenta o estudioso Schökel: "O exórdio, como entrada na matéria, é magistral. Como um cumprimento cortês e ambíguo, que se transforma em crítica, e sabe perceber um valor profundo".10
A religiosidade dos gregos, entretanto, se orientava por uma perspectiva fortemente politeísta e pagã, estando a profusão de divindades, por eles cultuadas, vinculada às diversas vicissitudes que a vida apresenta. Os atenienses imaginavam que por trás de cada acontecimento havia sempre a ação de um deus, e temiam que desgraças lhes sobreviessem por causa de algum culto omitido ou mal realizado. Daí seu empenho em erigir altares até ao "deus desconhecido", como explica Fillion: "Habituados a ver em tudo, especialmente nas circunstâncias perigosas (guerras, tremores de terra, doenças, etc.), a manifestação da divindade, e sempre temendo ofender a algum deus desconhecido, eles recorriam a este meio para tornar propícios todos os deuses, grandes e pequenos, dos quais podiam temer um ato de vingança ou esperar um benefício".11
TAMBÉM NÓS SOMOS DA RAÇA DE DEUS
Na sequência do discurso, o Apóstolo arremete contra a idolatria: Deus, criador de tudo quanto existe, Senhor do Céu e da Terra, "não habita em templos feitos por mãos humanas", e de nada necessita, pois é Ele quem "dá a todos a vida" (cf. At 17, 24-25). Logo em seguida, lança um argumento alentador: o Deus vivo e verdadeiro não é um ser inacessível aos homens; pelo contrário, Ele nos incita a procurá-Lo, ainda que "às apalpadelas", porque na realidade Ele "não está longe de cada um de nós" (cf. At 17, 27).
Com o objetivo de aumentar o efeito de suas palavras perante aqueles ouvintes cultos e eruditos, São Paulo cita um verso do poeta grego Arato (séc. III a.C.) para afirmar que "também nós somos da raça de Deus" (At 17, 29).12 Valendo-se desse dito, o Apóstolo das Gentes mostra aos atenienses como é pouco sábio, para quem é "da raça de Deus", adorar imagens esculpidas por mãos humanas (Estratégia-04).
Entrando no ponto central de seu discurso, São Paulo apresenta um argumento especialmente sensível para quem fazia parte do tribunal do Areópago: Deus os convida a se arrependerem da idolatria, "porquanto fixou o dia em que há de julgar o mundo com justiça" (At 17, 31). Contudo, ao contrário do que acontece nos tribunais humanos, a advertência quanto a esse julgamento divino vinha unida à esperança de um grande perdão (Estratégia-05), como observa um conceituado exegeta do século XX: "Trata-se de uma oferta que Deus faz de sua graça e de seu perdão da vida anterior, transcorrida no pecado, a fim de que os homens possam superar o juízo".13
Até aqui, São Paulo fazia seu anúncio da Fé em termos principalmente filosóficos, mas chegara o momento de entrar no cerne da questão: Cristo ressuscitou dentre os mortos (Estratégia-06). Essa Ressurreição tantas vezes pregada por ele, como se lê nos últimos capítulos dos Atos dos Apóstolos, talvez seja o que mais lhe tenha causado acusações e perseguições. Assim o afirma o dominicano Michel Gourgues: "A fé na Ressurreição de Jesus e a esperança na ressurreição dos mortos se apresentam com insistência como o objeto central da Fé e da pregação cristã e como o principal motivo das oposições e das acusações contra Paulo".14
De tal forma São Paulo deu por toda parte testemunho da Ressurreição de Cristo que ele bem merecia ser cognominado Apóstolo da Ressurreição. "A aparição de Cristo ressuscitado a Paulo perto de Damasco é a vivência clave para a fé e para o ensinamento do Apóstolo".15 Como poderia ele, então, calar-se a respeito desse fabuloso acontecimento?
No entanto, quando o ouviram falar de ressurreição dos mortos, alguns de seus ouvintes caçoaram dele e outros interromperam o discurso, dizendo ironicamente: "A respeito disso te ouviremos ainda uma outra vez" (At 17, 32).
Assim, pois, os gregos que acreditavam na imortalidade da alma não foram capazes de aceitar a ressurreição dos mortos, algo que ultrapassava os limites de sua razão, e por isso zombaram do Apóstolo e de sua doutrina. Mas, esses mesmos apologistas da sabedoria e da lógica não conseguiam perceber a irracionalidade que supunha adorar deuses feitos de ouro, prata, pedra ou madeira, produtos da arte e da imaginação do homem.
FRACASSOU A PREGAÇÃO DE PAULO NO AREÓPAGO?
Aparentemente, sim. Alguns comentaristas, inclusive, foram levados a pensar que a carta escrita anos mais tarde para a comunidade de Corinto reconheceria o insucesso deste discurso: "Também eu, quando fui ter convosco, irmãos, não fui com o prestígio da eloquência nem da sabedoria anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado. [...] A minha palavra e a minha pregação longe estavam da eloquência persuasiva da sabedoria" (I Cor 2, 1-2.4a). (Estratégia-07)
Na realidade, São Paulo não fez em vão essa sua ufana proclamação de fé na Ressurreição de Cristo. Em primeiro lugar, seu exemplo serve de precioso estímulo para todos quantos são chamados a anunciar o Evangelho nos areópagos paganizantes de todos os tempos e cidades. Além disso, "alguns homens aderiram a ele e creram: entre eles, Dionísio, o Areopagita, uma mulher chamada Damaris; e com eles ainda outros" (At 17, 34).
Dos outros convertidos, pouco ou nada se sabe. Mas prestemos atenção no cognome de Areopagita, que indica se tratar de um membro da elite intelectual e judiciária da Grécia. Com efeito, "este título supõe que Dionísio fosse um personagem muito influente, pois segundo as leis de Atenas, chegava-se a esta elevada posição somente após ter ocupado outro posto oficial importante e atingido a idade de sessenta anos".16
Assim São Dionísio Areopagita entrou na História como um modelo de pensador convertido, que não precisou renegar sua cultura e ciência para tornar-se cristão. Pelo contrário, suas notáveis qualidades intelectuais e a vastidão dos seus conhecimentos jurídicos e filosóficos foram postos ao serviço da Igreja e marcaram, sem dúvida, seu ministério episcopal como primeiro Bispo de Atenas.
A FÉ CRISTÃ AUTÊNTICA NÃO CERCEIA A RAZÃO
O mesmo ocorre com qualquer povo ou nação que resolva abrir suas portas às benéficas influências da Igreja. Ensina, a este respeito, o Bem-aventurado João Paulo II: "O anúncio do Evangelho nas diversas culturas, ao exigir de cada um dos destinatários a adesão da Fé, não os impede de conservar a própria identidade cultural".17
São Paulo mostrou-se fiel ao anúncio da Boa Nova, adaptando-se às circunstâncias concretas que teve de enfrentar em Atenas; fiel também foi Dionísio, ao receber humildemente a Revelação. Pois, como nos ensina o Papa Bento XVI, a tendência moderna de considerar verdadeiro somente o experimental cerceia a razão humana. A autêntica Fé cristã não impõe limites à razão. Ao contrário, encontrando-se e dialogando, ambas podem expressar-se melhor. "A fé supõe a razão e aperfeiçoa-a, e a razão, iluminada pela fé, encontra a força para se elevar ao conhecimento de Deus e das realidades espirituais. A razão humana nada perde abrindo-se aos conteúdos da fé, aliás, eles exigem a sua adesão livre e consciente".18
Notas:
1 STIRN, François. Compreender Aristóteles. Petrópolis: Vozes, 2006, p.11.
2 BARNES, Jonathan. Aristóteles. 2.ed. São Paulo: Loyola, 2001, p.137.
3 PETRÔNIO, apud GOURGUES, Michel. El evangelio a los paganos. Estella: Verbo Divino, 1990, p.54.
4 PAUSÂNIAS, apud GOURGUES, op. Cit., p.54. Idem, ibidem.
5 CASCIARO, José María. Nuevo Testamento: traducción y notas. Pamplona: EUNSA, 2004, p.873.
6 WIKENHAUSER, Alfred. Los hechos de los apóstoles. Barcelona: Herder, 1973, p.287-288.
7 JOÃO PAULO II. Fides et ratio, n.36.
8 BECKER, Jürgen. Apóstolo Paulo, vida, obra e teologia. São Paulo: Academia Cristã, 2007, p.90.
9 JOÃO PAULO II, op. Cit., n.24.
10 SCHÖKEL, Luis Alonso. Biblia del Peregrino: Nuevo Testamento. Bilbao: Ega - Mensajero, 1996, t.III, p.348.
11 FILLION, Louis-Claude. La Sainte Bible. Paris: Letouzey et Ané, 1912, t.VII, p.741.
12 Assim se exprimia o poeta, em seu poema Fenómenos: "Que todo canto comece por Zeus! Nunca deixemos, mortais, seu nome sem louvor. Tudo está cheio de Zeus: as ruas e praças onde se reúnem os homens, o amplo mar e os portos; em qualquer lugar aonde vamos, todos necessitamos de Zeus. Somos, inclusive, de sua raça" (ARATO, apud GOURGUES, op. cit., p.56).
13 WIKENHAUSER, op. cit., p.307.
14 GOURGUES, op. Cit., p.60.
15 CASCIARO, op. Cit., p.883.
16 FILLION, op. cit., p.743.
17 JOÃO PAULO II, op. Cit., n.71.
18 BENTO XVI. Angelus, 28/1/2007.
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