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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

NOSSA SENHORA DE ALTAGRACIA ou ALTA GRAÇA - “PADROEIRA DA REPÚBLICA DOMINICANA”




“Deus Pai ajuntou todas as águas e denominou-as mar; reuniu todas as suas graças e chamou-as de Maria”. (São Luis Maria Grignion de Monfort).

Encontramos no catecismo da Igreja Católica (1996) a definição de que: “A nossa justificação vem da graça de Deus. A graça é o favor, o socorro gratuito que Deus nos dá para responder a seu convite: torna-nos filhos de Deus.... Participantes da natureza Divina, da vida eterna”.

Sabemos que é pela graça que somos de Cristo e, em Cristo unidos aos outros membros de seu corpo místico. A graça é o sangue que nos une à cabeça, é o circular da vida Divina.

O que podemos, então dizer daquela que o próprio Arcanjo Gabriel saudou como “Cheia de Graça”. Ela estava inundada pela graça de Deus. Podemos chamá-la de Mãe da divina Graça porque foi toda agradável a Deus.

“Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto de Deus”. O Anjo lhe disse. A virgem Maria foi agraciada por Deus, que lhe ofereceu a mais alta graça, a maternidade divina!

São Tomas de Aquino ao interpretar a oração da Ave-Maria, concluiu: “A Santíssima Virgem superou aos anjos pela plenitude da graça, que com mais abundância existe nela do que em qualquer anjo. Para manifestá-lo disse Gabriel:, isto é, eu te reverencio por que me avantajas em abundância de graça.”

A ALTAGRACIA

A República Dominicana é um país do Caribe e tem como única fronteira terrestre o Haiti. Sua capital é Santo Domingo, e foi o primeiro território americano a ser descoberto por Cristóvão Colombo em 1492.

A população dominicana é constituída por 80% de negros – 5 % brancos – 15% outras raças. A religião predominante é a católica, com quase 79% da população, e tem como padroeira a Virgem de La Altagracia.

A imagem da “Altagracia” representa a cena do nascimento de Jesus na manjedoura de Belém, nela percebe-se em destaque a maternidade divina.

O rosto da SSma. Virgem demonstra serenidade, seus olhos baixos e suas mãos postas em arco, nos indicam adoração e contentamento. Sobre a sua cabeça vemos um véu azul escuro, coberto de estrelas como no céu. Em seu peito nota-se uma luz branca, em forma de triângulo, expressão do nascimento virginal de Jesus, que emana da manjedoura.

Uma coroa de pérolas adorna sua cabeça em referência a sua condição de Rainha e Mãe do Rei Jesus. No fundo do quadro encontramos a estrela de Belém e mais doze estrelas que a circulam.

Diante da mãe, contemplamos o Menino Jesus, dormindo sobre as palhas, e mais ao fundo São José trazendo em suas mãos uma lamparina.

O referido quadro possui 33cm de largura por 45cm de altura e segundo a opinião de especialistas, ele foi pintado no século XV.

No ano de 1978 o quadro foi levado para a Espanha e lá foi magnificamente restaurado.
O quadro da Altagracia teve o privilégio de ser coroado duas vezes, em 15 de agosto de 1922 por Pio XI e em 25 de janeiro de 1979, por João Paulo II.

Documentos, históricos comprovam que no ano 1502, na ilha de Santo Domingo, já se prestava culto a Virgem de La Altagracia, cuja imagem pintada a óleo foi trazida da Espanha pelos irmãos Alfonso e Antonio Trejo. Foi no ano de 1572 que se concluiu o Santuário Altagraciano, e em 1971 foi consagrada a atual basílica.

A piedade popular nos revela que um rico senhor de terras e gado, costumava viajar para negociar em Santo Domingo. Numa de suas viagens perguntou as filhas, que presentes gostariam de ganhar. A filha mais velha pediu roupas, sapatos, adornos, e a mais nova encomendou-lhe uma imagem da Virgem de La Altagracia.

Retornando da viagem, o comerciante estava indignado por não conseguir o presente da filha; o quadro da Virgem Altagracia.

Em uma hospedaria, em conversa com um velho amigo, narrou-lhe sua decepção em não atender um pedido tão simples de sua filhinha. Ouvindo a conversa, um velhinho exclama: “Como não conhecem a Altagracia? Eu a trago comigo!” Foi então que o ancião tirou do bolso, um pequeno lenço enrolado e disse: “Isto é o que você buscava”. Era a Virgem de Altagracia.

Já em casa e feliz, o comerciante entrega os presentes, e foi debaixo de uma laranjeira, que existe até hoje, que a imagem foi entregue a filha. Ali naquele local em Higuey é que foi construído o primeiro santuário.

Que a Virgem de Altagracia, volva sempre o seu olhar sobre as Américas e estenda o seu manto azul sobre seus filhos.


São José e Nossa Senhora, primeiros adoradores de Jesus, o verbo encarnado o Emanuel = “Deus Conosco”. Amém!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

QUARTA APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA DO BOM SUCESSO À MADRE MARIANA DE JESUS TORRES (20 de janeiro de 1610):


Vida admirável da Rev.da Madre Mariana de Jesus Torres, mística confidente de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Escrita pelo Rev.do Padre Manuel Sousa Pereira da Ordem Seráfica dos Menores do Convento Máximo de S. Francisco de Assis de Quito, Equador.

Tomo II

PROFECIA - A CRISE NO CLERO

"No clero secular haverá, nessa época, muito que desejar, porque os sacerdotes se descuidarão do seu sagrado dever. Perdendo a bússola divina, desviar-se-ão do caminho traçado por Deus para o ministério sacerdotal e apegar-se-ão ao dinheiro, em cuja obtenção porão demasiado empenho.

"E como esta Igreja padecerá nessa ocasião a noite escura da falta de um prelado e pai, que vele com amor paterno, com suavidade, fortaleza, tino e prudência, muitos sacerdotes perderão seu espírito, pondo em grande perigo suas almas.

"Em sua mão será posta a balança do santuário".

"Ora com instância, clama sem cansar-te e chora com lágrimas amargas no segredo de teu coração, pedindo a nosso Pai celeste que, por amor ao coração eucarístico de meu santíssimo Filho, pelo preciosíssimo sangue vertido com tanta generosidade e pelas profundas amarguras e dores de sua acerba paixão e morte, ele se compadeça de seus ministros e ponha termo quanto antes a tempos tão nefastos, enviando a esta Igreja o prelado que deverá restaurar o espírito de seus sacerdotes.

“A esse filho meu muito querido, amamos meu Filho santíssimo e eu com amor de predileção, pois o dotaremos de uma capacidade rara, de humildade de coração, de docilidade às divinas inspirações, de fortaleza para defender os direitos da Igreja e de um coração terno e compassivo, para que, qual outro Cristo, assista o grande e o pequeno, sem desprezar ao mais desafortunado que lhe peça luz e conselho em suas dúvidas e amarguras. E para que, com suavidade divina, guie as almas consagradas ao serviço de Deus nos claustros, sem tornar-lhes pesado o jugo do Senhor, que disse: "Meu jugo é suave e meu peso é leve".

"Em sua mão será posta a balança do santuário para que tudo se faça com peso e medida e Deus seja glorificado."

Para evitar que venha logo este prelado e pai, concorrerá a tibieza de todas as almas consagradas a Deus, no estado sacerdotal e religioso. Esta, aliás, será a causa do maldito Satanás apoderar-se destas terras, onde ele tudo obterá por meio de gente estrangeira e sem fé, tão numerosa que, como uma nuvem negra, toldará o límpido céu da então República consagrada ao sacratíssimo Coração de meu divino Filho.

"Com essa gente entrarão todos os vícios, que atrairão, por sua vez, toda sorte de castigos, como a peste, a fome, disputas internas e com outras nações e a apostasia, causa da perdição de um considerável número de almas, almas tão caras a Jesus Cristo e a mim.
"Para dissipar esta nuvem negra, que impede a Igreja de gozar o claro dia da liberdade, haverá uma guerra formidável e espantosa, na qual correrá sangue de nacionais e de estrangeiros, de sacerdotes seculares e regulares e também de religiosas. Esta noite será horrorosíssima, porque, humanamente, o mal parecerá triunfante.

"Será chegada, então, a minha hora em que eu, de forma maravilhosa, destronarei o soberbo e maldito Satanás, calcando-o debaixo dos meus pés e acorrentando-o no abismo infernal. Assim a Igreja e a Pátria estarão, por fim, livres de sua cruel tirania".

sábado, 2 de janeiro de 2016

SESSENTA E TRÊS CRIANÇAS RECITAM A LADAINHA DE NOSSA SENHORA NO LEITO DE SANTA CATARINA LABOURÉ (1876) !!!


Catarina Labouré (1806-1876) nasceu de numerosa família de agricultores Borgonheses (França). Por volta dos 14 anos, desperta em Catarina a vocação religiosa. Mas ela teve de enfrentar a recusa do pai, neste seu desígnio. Porém, em 1830, aos 23 anos, em 21 de abril de 1830, Catarina entrou, finalmente, para o noviciado das Filhas de Caridade, localizado em sua casa-mãe, Rue du Bac, 140 (Paris).

A partir de julho de 1830, ela foi agraciada com as aparições e segredou ao seu confessor: a Virgem Maria apareceu. Raios de luz saiam de suas mãos abertas, a iluminar o globo, sobre o qual está. Maria pediu-lhe que cunhasse e divulgasse uma medalha com a sua efígie e com a seguinte invocação: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.

No dia de sua morte, Catarina pediu que sessenta e três crianças recitassem, em torno de sua cama, a Ladainha de Nossa Senhora, cujas invocações estão no Ofício da Imaculada Conceição... Catarina via neste número, 63, a ilustração de uma tradição oral, que atribui à Virgem sessenta e três anos: quinze anos, vivendo seus primeiros anos e trinta e três, vividos junto a Jesus Cristo.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O ÍCONE (QUADRO) de NOSSA SENHORA do PERPÉTUO SOCORRO e a sua DEVOÇÃO !!!




Um mercador de Creta havia roubado belo ícone da Virgem Maria, com o Menino Jesus nos braços, com a intenção de vendê-lo. Chegando a Roma, o homem ficou gravemente enfermo. Em sonho, viu a Virgem que o convidava a colocar o ícone num lugar honroso, para que lá ele fosse venerado:

“Atenção! Muitas vezes eu pedi que me retirassem desta casa, e vós não crestes em mim. É necessário, agora, fazê-lo o mais rapidamente possível, para que eu possa encontrar um lugar digno para que eu venha a ser venerada.”

Ele contou tudo a seu hospedeiro (anfitrião) romano e, logo depois, faleceu. 

Sua filha recebeu a visão da Virgem Maria, que lhe disse: “Procure a sua mãe e o seu avô e diga-lhes: Maria Santíssima do Perpétuo Socorro vos está advertindo e pedindo que a tirem desta casa; caso contrário, vós todos irão desaparecer.”

O ícone foi colocado numa Igreja, em Roma, onde foi venerado durante três séculos e, em seguida, confiado aos Redentoristas, pelo Papa. Eles distribuíram cópias com o teor de sua devoção, para as famílias e paróquias, no momento em que realizavam missões populares.

Jean Mathiot. Chrétiens Magazine n° 282, page 18, Octobre 2015.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O MONTE CARMELO (Israel):



Monte Carmelo é uma montanha na costa de Israel com vista para o Mar Mediterrâneo. O seu nome (Karmel) significa "jardim" ou "campo fértil". A grande cidade israelita de Haifa localiza-se parcialmente sobre o Monte Carmelo, além de algumas outras cidades menores, como Nesher e Tirat Hakarmel.

Este trata-se do local onde se deu o duelo espiritual entre o profeta Elias e os profetas de Baal. Foi no Monte Carmelo que Elias provou aos homens que o Deus de Israel era o verdadeiro Deus, e não Baal.

Monte Carmelo na história bíblica

Na história apresentada pela bíblia, o Monte Carmelo é citado como o sendo o local onde Elias desconcertou os profetas Baal, levando de novo o povo de Israel à obediência ao Senhor. Foi também no Monte Carmelo que, segundo a Bíblia, Elias fez descer fogo do céu, que consumiu por duas vezes os 50 soldados com o seu capitão, que o rei [ Acazias ] tinha mandado ali para prender o profeta, em virtude ter este feito parar os seus mensageiros que iam consultar Baal: Zebube, deus de Ecrom." (2Reis 1:9-15).
A bíblia ainda cita esta montanha como o local em que a mulher sunamita que perdera seu filho, foi encontrar-se com o profeta Eliseu (2Reis 4:8-31) para entender a sua perda.

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HISTÓRIA DO CARMELO



O Monte Carmelo é uma montanha que está na cordilheira de mesmo nome, em Israel (antiga Palestina), com 34 quilômetros de extensão limitando-se ao norte com Haifa, cidade marítima, pelo sul com as terras de Cesaréia, pelo leste com a planície do Esdrelon, e a oeste com o mar Mediterrâneo. O ponto mais elevado da cordilheira tem aproximadamente 525 metros acima do nível do mar, e é denominado Monte do Sacrifício. Pela sua notável posição geográfica, entre duas planícies e o mar, desde a Idade da Pedra, as suas numerosas grutas serviram de habitação, conforme estudos antropológicos que foram realizados nos esqueletos ali encontrados. Na lista das cidades de Tutmósis III (século XV antes de CRISTO) o Carmelo é chamado de “Cabo Santo”, nome que se supõe de um culto antigo que se fazia por lá, em honra do próprio Monte ou de seu Baal (conforme M. Avi-Yonah, em seu livro: “Mount Carmel and the God of Baalbek”). Na História Sagrada o Monte ficou famoso, por causa da disputa entre o profeta Elias e os sacerdotes fenícios de Baal. Nele os sacerdotes sacrificavam em honra de sua divindade Baal, da mesma forma que Elias fazia os sacrifícios em honra de DEUS. E foi neste mesmo lugar que o profeta, diante das autoridades e do povo de Israel, provou a impotência e ineficácia do deus Baal e mostrou a grandeza e o valor do verdadeiro DEUS. O fato aconteceu assim:

No fim do século IX aC, (874-853 antes de CRISTO), Acab reinava loucamente Israel junto com sua sanguinária esposa Rainha Jezabel, que logo mandou matar todos os profetas de DEUS e destruiu os altares de sacrifícios, trazendo para Israel os sacerdotes de Baal de Tiro, permitindo e incrementando o culto aquela divindade. O SENHOR mandou-lhe um pesado castigo, infringindo uma terrível seca ao país, deixando Israel sem condições de produzir alimentos e com uma minguada quantidade de água para o consumo humano, para o gado e a criação em geral. No final do terceiro ano de seca, DEUS chamou o profeta Elias e mandou que avisasse Acab, que ia acabar com a seca. O SENHOR, misericórdia infinita, infundiu luz na mente do profeta para ele alertar ao Rei e a Rainha sobre aquele modo insensato de viver e administrar o reino.

Acab recebeu Elias com frieza, censurando-o: “Ai está o flagelo de Israel”! (1 Rs 18, 17). O profeta respondeu: “Não sou eu o flagelo de Israel, mas tu e tua família, por que abandonaste DEUS e seguiste os baals. Pois bem, manda que se reúna junto a mim, no Monte Carmelo, todo o Israel, com os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal, que comem à mesa de Jezabel”. (1 Rs 18, 18) Elias quis provar ao Rei que o deus Baal não atuava e não tinha qualquer força, e assim, queria lhe mostrar o verdadeiro poder Divino.

Todo o povo foi reunido no Monte Carmelo e Elias se aproximando perguntou: “Até quando permanecerão na dúvida? Se JAVÉ é DEUS segui-o, mas se é Baal, segue-o”. (1 Rs 18, 21) E o povo não pode lhe responder. Então Elias mandou os quatrocentos e cinquenta sacerdotes de Baal esquartejar um novilho e colocá-lo sobre a lenha, no altar de sacrifícios, sem por fogo. Ele faria a mesma coisa com outro novilho. Depois mandou que eles invocassem o nome do deus deles e ele também ia fazer a mesma coisa. O deus que respondesse enviando fogo para queimar o sacrifício (holocausto) era o DEUS verdadeiro. Os sacerdotes rezaram, chamaram a sua divindade e até gemeram, desde a manhã até o meio dia e o deus Baal não respondeu. Elias então zombou, mandando que eles gritassem mais alto, podia ser que Baal estivesse tirando uma soneca! E nada aconteceu com o novilho deles. Então Elias pediu ao povo para se aproximar e na hora da oferenda, rezou: “JAVÉ, DEUS de Abraão, de Isaac e de Israel, hoje todos ficarão sabendo que TU és DEUS em Israel, que sou TEU servo e que é por TUA ordem que fiz todas essas coisas. Responda-me JAVÉ, responda-me, para que este povo reconheça que TU és JAVÉ, o DEUS, e que convertes os corações deles”! (1 Rs 18, 36-37) Então imediatamente caiu o fogo de JAVÉ e consumiu o holocausto (novilho) e toda a lenha, para que todos conhecessem quem era o verdadeiro DEUS e se convertessem. O povo admirado presenciou tudo e respeitosamente todos se prostraram com o rosto no chão dizendo e repetindo: “JAVÉ que é o DEUS! JAVÉ que é o DEUS”. Os profetas e sacerdotes de Baal foram todos presos e mortos. (1 Rs 18, 39-40)

Elias se aproximou do Rei Acab e recomendou que ele voltasse e ficasse no palácio: “Sobe, come e bebe, pois estou ouvindo o barulho da chuva”. E a seguir, o profeta subiu ao cume do Monte Carmelo para rezar, e então, viu se elevar do mar uma pequena nuvem como se fosse à mão de uma pessoa. Num instante o Céu escureceu e caiu uma forte chuva beneficiando toda a região. (1 Rs 18, 16-45)

Ao longo da sua vida, o profeta sempre revelou um imenso e ilimitado amor a DEUS, que lhe dava forças e a inspiração necessária à sua caminhada existencial. Recebeu do Altíssimo, uma quantidade preciosa de dons e virtudes , que impulsionava as suas atitudes, estando sempre pronto a agir dentro da justiça e do direito. O seu exemplo foi seguido por muitos, fundando uma admirável escola de profetas, da qual, o profeta Eliseu foi o seu primeiro discípulo.

Por outro lado, aquela nuvem benfazeja e em forma de mão enviada por DEUS, que deu origem aquela caridosa e providencial chuva, passou a ser interpretada como uma preciosa Intercessora, que trabalhou maravilhosamente a serviço do SENHOR e em benefício do povo, e por isso mesmo, foi compreendida como sendo obra da própria MÃE DE DEUS.

Quando os Cruzados chegaram à Terra Santa, no século XII, divulgou-se que encontraram vivendo no Monte Carmelo, uma colônia de eremitas que afirmavam ter o profeta Elias como fundador e patrono, e a MÃE DE DEUS como a VIRGEM DO CARMELO. O grupo foi aumentando com a adesão de cruzados, que não queriam continuar com a guerra e almejavam a paz e uma existência mais dedicada às orações.

No meio dos cruzados, entre os anos 1153 e 1159, também estava Bertoldo um soldado idealista  que veio da Europa. Inspirado no profeta Elias, foi para o Monte Carmelo, e lá, com o auxílio de companheiros e de eremitas que viviam no local, construiu uma pequena Ermida perto da gruta de Elias e próximo a algumas ruínas existentes.

Provavelmente em 1209, aqueles homens almejando organizar a Comunidade em que viviam, pediram ao Bispo Alberto, Patriarca de Jerusalém, que era um homem piedoso e de reconhecida sabedoria e prudência, que lhes fizesse uma Regra de vida, a qual receberam com respeito e a seguiram com muita devoção. Posteriormente fizeram aquele documento chegar às mãos de Sua Santidade o Papa Honório III, que o aprovou integralmente no dia 30 de Janeiro de 1226.

Naquele local ermo, vivendo abrigados na própria natureza, aqueles homens puderam cultivar ardorosamente a devoção a VIRGEM MARIA, manifestando a grandeza de seu amor. Inicialmente ao ar livre, unidos ao redor da rústica Ermida, junto à fonte de Elias, onde piedosamente rezavam a VIRGEM DO CARMELO, exaltando e louvando a bondade Divina. Na continuidade dos anos construíram um modesto Mosteiro que atendeu as suas necessidades.

Entretanto a ameaça otomana estava sempre presente, lutando contra os cristãos das Cruzadas e não desistindo de dominar a Terra Santa, mantinham uma sangrenta e impiedosa luta. Em consequência, alguns soldados cruzados, que já viviam com os eremitas do Monte Carmelo, com receio do inimigo mortal, desde o ano 1220 começaram a regressar aos seus países de origem na Europa.

Pelo ano 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra, alguns daqueles eremitas que habitavam o Monte Carmelo. Simão Stock, que vivia no interior do país e era um homem de oração, austero e penitente, assim que soube se uniu a eles. Segundo uma lenda que se mantém viva até hoje, o fato de Simão se ter unido aquele grupo mariano foi em consequência de uma forte inspiração. Enquanto rezava, lhe foi sugerido que se unisse a aqueles eremitas devotos de MARIA que vinham do Oriente Médio.

No ano de 1238, quando finalmente a Terra Santa caiu em poder dos muçulmanos, a maioria dos eremitas fugiu para as suas pátrias: Itália, Grécia, França, Inglaterra, e aqueles que ficaram, imaginando que poderiam continuar no Monte sem qualquer dificuldade, foram massacrados pelos turcos.

Na Europa, nas diversas regiões onde se fixaram aqueles eremitas, eles foram se reunindo em pequenos grupos, cada um procurando se adaptar ao novo ambiente, vivendo do modo que todos viviam, trabalhando incansavelmente para alcançar os seus ideais e objetivos. E dessa maneira, com esforço e dedicação também deram vida a uma força interior idealizadora, que se mantinha acesa em seus corações, a qual deu origem a Ordem Carmelita.

Por causa da devoção que tinham a NOSSA SENHORA, ficou popularmente conhecida como a Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada VIRGEM MARIA do Monte Carmelo ou Ordem do Carmo, ou simplesmente Carmelitas.

A Ordem Carmelita cresceu e se espalhou por muitos países. No século XVI, na Espanha, houve uma renovação liderada por Santa Teresa d'Ávila com o precioso auxílio de São João da Cruz, famosos místicos da Ordem do Carmo, dando origem aos Carmelitas Descalços. È um estilo de vida diferente do anterior, acrescentando novos elementos à formação religiosa, criando o que é denominado “Carisma Teresiano”. Por outro lado, a palavra “Descalço”, na Idade Média, era usada para expressar a pobreza, o despojamento interior que fazia parte das ordens reformadas. Por essa razão, vivendo o novo Carisma a Comunidade Religiosa adotou também o nome Descalço, com o mesmo objetivo de cultivar a pobreza e o despojamento interior. Todavia embora com sua denominação própria de "Carmelitas Descalços", pertencem a mesma Ordem do Carmo.

Atualmente, o espírito Carmelita também é vivido por leigos nas Ordens Terceiras, nas Confrarias e Fraternidades do Escapulário, na Juventude Carmelitana Missionária, Infância Missionária Carmelitana e nas diversas congregações que estão agregadas à Ordem do Carmo.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

DOM BOSCO descreve MAOMÉ e a sua RELIGIÃO !!!



Nasceu este famoso impostor em Meca, cidade da Arábia, de família pobre, de pai gentio e mãe judia.

Errando em busca de fortuna, encontrou-se com uma viúva negociante em Damasco, que o nomeou seu procurador e mais tarde casou-se com ele.

Como era epilético, soube aproveitar-se desta enfermidade para provar a religião que tinha inventado e afirmava que suas quedas eram outros tantos êxtases, durante os quais falava com o arcanjo Gabriel.

A religião que pregava era uma mistura de paganismo, judaísmo e cristianismo. Ainda que admita um só Deus, não reconhece a Jesus Cristo como filho de Deus, mas como seu profeta.

Como dissesse com jactância que era superior ao divino Salvador, instavam com ele para que fizesse milagres como Jesus fazia; porém ele respondia que não tinha sido suscitado por Deus para fazer milagres, mas para restabelecer a verdadeira religião mediante a força.

Ditou suas crenças em árabe e com elas compilou um livro que chamou Alcorão, isto é, livro por excelência; narrou nele o seguinte milagre, ridículo em sumo grau.

Disse que tendo caído um pedaço da lua em sua manga, ele soube fazê-la voltar a seu lugar; por isso os maometanos tomaram por insígnia a meia lua.

Sendo conhecido por homem perturbador, seus concidadãos trataram de dar-lhe morte; sabendo disto o astuto Maomé fugiu e retirou-se para Medina com muitos aventureiros que o ajudaram a apoderar-se da cidade.

Esta fuga de Maomé se chamou Egira, isto é, perseguição; e desde então começou a era muçulmana, correspondente ao ano 622 de nossa era.

O Alcorão está cheio de contradições, repetições e absurdos. Não sabendo Maomé escrever, ajudaram-no em sua obra um judeu e um monge apóstata da Pérsia chamado Sérgio.

Como o maometismo favorecesse a libertinagem teve prontamente muitos sequazes; e como pouco depois se visse seu autor à frente de um formidável exército de bandidos, pode com suas palavras e ainda mais com suas armas introduzi-lo em quase todo o Oriente.

Maomé depois de ter reinado nove anos tiranicamente, morreu na cidade de Medina no ano 632.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

APARIAÇÕES de NOSSA SENHORA no WISCONSIN (EUA) em 1859


A Virgem Maria apareceu a uma imigrante belga em 1859, em Wisconsin

Durante a leitura do decreto, ontem, durante uma Missa especial no Santuário de Champion, Dom David Ricken, bispo de Green Bay, disse: "Declaro, com certeza moral e de acordo com as normas da Igreja, que os acontecimentos, aparições e locuções dadas a Adele Brise, em outubro de 1859, apresentam a substância de caráter sobrenatural, e eu, pela presente, aprovo tais aparições como dignas de fé - ainda que não obrigatórias - para os fiéis cristãos".

A declaração de ontem converteu o santuário de Nossa Senhora do Socorro de Champion no primeiro e único lugar nos Estados Unidos de uma aparição da Virgem Maria oficialmente aprovada.

Deslumbrante

As aparições - foram três - ocorreram em 1859. Nossa Senhora falou com Adele Brise (1831-1896), uma jovem imigrante de origem belga.

Foi no começo de outubro quando Brise viu a Virgem pela primeira vez: uma Senhora vestida de branco deslumbrante, com uma faixa amarela na cintura e uma coroa de estrelas na cabeça.

A visão desapareceu lentamente depois de alguns instantes, sem falar com Brise.

No domingo seguinte, 9 de outubro, Brise estava indo à Missa quando a Senhora voltou. Depois da Missa, Brise teve a oportunidade de perguntar ao seu confessor sobre as aparições, e ele lhe disse que, se era uma mensageira do céu, ela a veria novamente. Ele a encorajou a perguntar-lhe, em nome de Deus, quem era e o que queria dela.

No caminho de volta para casa, Nossa Senhora apareceu novamente e Brise fez o que seu confessor tinha recomendado.

"Eu sou a Rainha do Céu, que reza pela conversão dos pecadores, e desejo que faças o mesmo - respondeu a Senhora à pergunta de Brise. Recebeste a Sagrada Comunhão nesta manhã e isso é bom. Mas deves fazer mais. Faze uma confissão geral e oferece a Comunhão pela conversão dos pecadores. Se não se converterem e fizerem penitência, meu Filho vai ser obrigado a castigá-los."

Uma das mulheres que estavam com Brise lhe perguntou com quem ela estava falando e por que elas não conseguiam ver ninguém.

"Ajoelhem-se - disse Brise -, a Senhora disse que é a Rainha do Céu." Diante disso, a Senhora olhou amavelmente para as companheiras de Brise e disse: "Bem-aventurados os que creem sem ver".

A Senhora continuou: "O que fazes aqui parada, enquanto tuas companheiras trabalham na vinha do meu Filho?".

"O que mais posso fazer, querida Senhora?", perguntou Brise.

"Reúne as crianças deste país selvagem e mostra-lhes o que deveriam saber para salvar-se."

"Mas como lhes ensinarei o que eu mesma sei tão pouco?", replicou Brise.

"Ensina-lhes seu catecismo, como fazer o sinal da cruz e como se aproximar dos sacramentos; isso é o que eu desejo que faças - disse a Senhora. Vai e não tenhas medo. Eu te ajudarei."

O pai de Brise construiu uma pequena capela no local e ela continuou cumprindo o mandato de Nossa Senhora, uma missão que continuou até sua morte, em 1896.

A aprovação de Dom Ricken chegou depois de uma investigação de quase dois anos - desde janeiro de 2009 - sobre os acontecimentos e suas consequências.

A diocese de Green Bay postou em seu site material sobre aparições na Igreja.

Os documentos esclarecem que é o bispo diocesano, e não a Santa Sé ou a conferência episcopal, o responsável por julgar a autenticidade das aparições que supostamente acontecem em sua diocese.

Também se observa que nem todas as supostas aparições são aprovadas pela Igreja, e que nos Estados Unidos, por exemplo, supostas aparições em Necedah (Wisconsin) e Bayside (Nova York) foram examinadas e declaradas falsas.


"Ninguém pode provar o sobrenatural - recorda a declaração. A Igreja julga as aparições com base na sua coerência com as Sagradas Escrituras, com a Sagrada Tradição e com os ensinamentos da Igreja, nos benefícios espirituais subsequentes na vida das pessoas, e se há algo na vida do vidente que desmente a credibilidade do relato."

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

ORÍGENES (ὨΡΙΓΈΝΗΣ) de ALEXANDRIA ou ORÍGENES de CESAREIA ou ORÍGENES, O CRISTÃO (ALEXANDRIA, EGITO, A.D.: 185 - 253, sec. II)



SANTÍSSIMA TRINDADE

Orígenes como é comum nos escritores cristãos influenciados pelas doutrinas derivadas de Platão coloca as idéias platônicas na Mente Divina, na Sabedoria de Deus. O Filho de Deus, Segunda pessoa da Trindade, é a Sabedoria bíblica: Mente de Deus, substancialmente subsistente:

Deus sempre foi Pai, e sempre teve o Filho unigênito, que, conforme tudo o que expusemos acima, é chamado também de sabedoria (…) nesta sabedoria que sempre estava com o Pai, estava sempre contida, preordenada sob a forma de idéias, a criação, de modo que não houve momento em que a idéia daquilo que teria sido criado não estivesse na sabedoria… (Orígenes. Os princípios, livro I, 4, 4-5.).

Influenciado pelo medioplatonismo e pelo início do neoplatonismo Orígenes admite certa subordinação do Filho ao Pai, é importante ressaltar que tal subordinação foi exagerada por seus adversários. E que apesar de discordar da perfeita paridade entre o Pai e o Filho, na História da Filosofia de Giovanni Reale afirma que Orígenes defende que o Pai e o Filho possuem a mesma essência.

Ao contrário dos homens que tornaram-se filhos de Deus pela adoção do Espírito: "Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai!" (Romanos 8,15).

Orígenes afirma que Cristo é Filho por natureza, "o Filho unigênito do Pai". (Orígenes. Os princípios, livro I, 4, 4-5).

O que vai configurar o pensamento do Primeiro Concílio de Niceia, com a ressalva que Cristo Se fez menor do que o Pai quando Se encarnou até a morte na cruz, quando ressuscita ao terceiro dia e Se senta segundo Suas palavras à direita do Poder (Mt 26, 64).

MARIA NO CRISTIANISMO

O pensamento de Orígenes chama bastante atenção no que diz respeito a esse tema, pois alem de afirmar a virgindade de Maria, realça os olhos com que naturalidade afirma também a imaculada conceição de Maria: "Desposada com José, mas não carnalmente unida. A Mãe deste foi Mãe imaculada, Mãe incorrupta, Mãe intacta. A Mãe deste, de qual este? A Mãe do Senhor, Unigênito de Deus, do Rei universal, do Salvador e Redentor de todos." (Orígenes - Homilia inter collectas ex variis locis).

PRIMADO DE PEDRO

Conforme fragmento conservado na "História Eclesiástica" de Eusébio, III, Orígenes conta como foi o martírio do apóstolo Pedro em Roma: "Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo".

E professa também o Primado de Pedro: "E Pedro, sobre quem a Igreja de Cristo foi edificada, contra a qual as portas do inferno não prevalecerão. (…)" (In Joan. T.5 n.3).

BATISMO

Orígenes também atesta que a Igreja como sempre fez deve batizar as crianças: "A Igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar batismo também aos recém-nascidos". (Epist. ad Rom. Livro 5,9).

A CONTRA CELSO E A EXEGESE ALEGÓRICA

Orígenes dedicou uma de suas obras contra Celso, considerado um dos primeiros críticos da doutrina do cristianismo. Do que sabemos de Celso foi o próprio Orígenes quem nos deu a conhecer, inclusive a sua obra a Alêthês Lógos (O logos verdadeiro) e o livro "Discurso contra os Cristãos", obra em que Celso coloca claramente a forma como o judaísmo e Cristianismo se tornaram cópias de outras religiões, tanto na questão dos mitos da arca de Noé como a circuncisão onde Celso firma que os Judeus receberam essa tradição dos egípcios.

A partir de Orígenes, sabemos ainda apenas que ele é do século II, e que escreveu a sua obra por volta de 178, e, portanto, sob o reinado do imperador Marco Aurélio (que se deu de 161 a 180).

A Alêthês Lógos, de Celso, coloca em questão vários assuntos da crença relacionados à criação e à unidade de Deus, à encarnação e ressurreição de Jesus, aos profetas, aos milagres, etc. Ela questiona também assuntos da vida religiosa, não só sobre a moral, mas também sobre a participação da Igreja e dos cristãos na vida política e social.

Na seqüência, Spinelli analisa esses vários pontos que a Contra Celso de Orígenes se propõe a combater. A obra exegética de Orígenes se concentra sobretudo no tratado que ele desenvolveu. Sobre os princípios (Perì archôn). A exegese difundida e aplicada por ele está apoiada no que o judeu Fílon de Alexandria (20 a.C a 42 d.C.) concebeu como interpretação alegórica dos textos sagrados do judaísmo.

Filon era de opinião de que o texto bíblico, de um modo geral, carecia de ser interpretado historicamente (no sentido da crítica das fontes, da origem do texto e de seu contexto). Dado que as palavras tinham um sentido escondido, mas admirável e profundo, era necessário adentrar-se nessa profundeza, a fim de trazer à tona, além do sentido magnífico, todo o seu valor… É nessa mesma perspectiva de Fílon (representante da Escola Bíblica Judaica), e no ambiente das escolas exegéticas de Alexandria… que se desenvolveu a exegese de Orígenes.

SÃO JUSTINO MÁRTIR ou SÃO JUSTINO de Nablus (A.D.: 100 - 165, sec II)



BATISMO

Vamos expor de que modo, renovados por Cristo, nos consagramos a Deus. Todos os que estiverem convencidos e acreditarem no que nós ensinamos e proclamamos, e prometerem viver de acordo com essas verdades, exortamo-los a pedir a Deus o perdão dos pecados, com orações e jejuns; e também nós oraremos e jejuaremos unidos a eles. Em seguida, levamo-los ao lugar onde se encontra água; ali renascem do mesmo modo que nós também renascemos: recebem o batismo da água em nome do Senhor Deus Criador de todas as coisas, de nosso Salvador Jesus Cristo e do Espírito Santo. Com efeito, foi o próprio Jesus Cristo que afirmou: Se não renascerdes, não entrareis no reino dos céus (cf. Jô 3,3.5). É evidente que não se trata, uma vez nascidos, de entrar novamente no seio materno. (Justino, "61", I Apologia, pp. 6, 419-22.)

Os que são batizados por nós são levados para um lugar onde haja água e são regenerados da mesma forma como nós o fomos. É em nome do Pai de todos e Senhor Deus, e de Nosso Senhor Jesus Cristo, e do Espírito Santo que recebem a loção na água. Este rito foi-nos entregue pelos apóstolos. (Justino (151 dC), I Apologia, 61.)

O CULTO PERPÉTUO DOS CRISTÃOS

Os apóstolos em suas memórias que chamamos evangelhos, nos transmitiram a recomendação que Jesus lhes fizera. Tendo ele tomado o pão e dado graças, disse: Fazei isto em memória de Mim. Isto é o Meu Corpo [Lc 22,19; Mc 14,22]; e tomando igualmente o cálice e dando graças, disse: Este é o Meu Sangue [Mc 14,24], e os deu somente a eles. Desde então, nunca mais deixamos de recordar estas coisas entre nós. (Justino, "66-67", I Apologia, pp. 6, 427-31.)

O DIA DO CULTO DOS CRISTÃOS

Justino afirma que os cristãos guardavam como dia sagrado a Deus o Domingo, pois foi neste dia que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos:

Reunimo-nos todos no dia do Sol [o primeiro dia da semana era denominado de dia de Sol no Império Romano até o século IV], não só porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, criou o mundo, mas também porque neste mesmo dia Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Crucificaram-no na véspera do dia de Saturno; e no dia seguinte a este, ou seja, no dia do Sol, aparecendo aos seus apóstolos e discípulos, ensinou-lhes tudo o que também nós vos propusemos como digno de consideração. (Justino, "66-67", I – Apologia, pp. 6, 427-31.)

DESCRIÇÃO DO CULTO DOS CRISTÃOS

No chamado dia do Sol, reúnem-se em um mesmo lugar todos os que moram nas cidades ou nos campos. Lêem-se as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas, na medida em que o tempo permite. Terminada a leitura, aquele que preside toma a palavra para aconselhar e exortar os presentes à imitação de tão sublimes ensinamentos.

Depois, levantamo-nos todos juntos e elevamos as nossas preces; como já dissemos acima, ao acabarmos de orar, apresentam-se pão, vinho e água. Então o que preside eleva ao céu, com todo o seu fervor, preces e ações de graças, e o povo aclama: Amém. Em seguida, faz-se entre os presentes a distribuição e a partilha dos alimentos que foram eucaristizados, que são também enviados aos ausentes por meio dos diáconos.

Os que possuem muitos bens dão livremente o que lhes agrada. O que se recolhe é colocado à disposição do que preside. Este socorre os órfãos, as viúvas e os que, por doença ou qualquer outro motivo se acham em dificuldade, bem como os prisioneiros e os hóspedes que chegam de viagem; numa palavra, ele assume o encargo de todos os necessitados. (Justino, "66-67", I Apologia, pp. 6, 427-31.)

EUCARISTIA

A Fé dos cristãos primitivos na eucaristia: Corpo e Sangue de Cristo:

Designamos este alimento eucaristia. A ninguém é permitido dele participar, sem que creia na verdade de nossa doutrina, que já tenha recebido o batismo de remissão dos pecados e do novo nascimento, e viva conforme os ensinamentos de Cristo. Pois não tomamos estas coisas como pão ou bebida comuns; senão, que assim como Jesus Cristo, feito carne pela palavra de Deus, teve carne e sangue para salvar-nos, assim também o alimento feito eucaristia (...) é a Carne e o Sangue de Jesus encarnado. Assim nos ensinaram. (Justino, Primeiro livro das Apologias, pp. 65-67.)

NOSSA SENHORA

Justino afirma que Jesus nasceu duma virgem (Maria), e que descende do rei Davi:
Dizia-se [Jesus] portanto, filho do homem, seja em razão de seu nascimento de uma Virgem que, como assinalei, era da raça de Davi, de Jacó, de Isaac e de Abraão, etc…
— mártir, Justino, "94-100", Diálogo com Trifão, pp. VI, 701ss.