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domingo, 8 de setembro de 2024

FESTA DE NOSSA SENHORA MENINA

Em Milão, esta festa remonta ao século X e a sua Catedral (Duomo), dedicada a "Maria Nascente" (Madonnina), foi consagrada em 20 de outubro de 1572, por São Carlos Borromeu. Ainda em Milão, na Rua Santa Sofia, encontra-se o santuário, que conserva a pequena estátua de “Maria Bambina” (Nossa Senhora Menina), confiado às Irmãs da Caridade das Santas Bartolomea e Vicenta. Entre 1720 e 1730, uma freira franciscana de Todi, Irmã Chiara Isabella Fornari, realizou, por devoção pessoal, algumas imagens graciosas, modeladas em cera, reproduzindo a imagem de “Nossa Senhora Menina”, envolvida em faixas. Em 1739, uma destas estatuetas foi doada às monjas Capuchinhas do Mosteiro de Santa Maria dos Anjos, em Milão, que difundiram a sua devoção, que, no contexto ambrosiano, encontrou logo um terreno preparado e fértil. 

No período de 1782 a 1842, várias Congregações religiosas foram suprimidas: primeiro, por decreto do Imperador Giuseppe II e, depois, por Napoleão. Por isso, a estatueta foi levada, por algumas freiras Capuchinhas, ao convento das Irmãs Agostinianas; depois, às Canônicas de Latrão, onde foi confiada ao pároco, Padre Luigi Bosisio, para que a doasse a um Instituto religioso, que pudesse manter viva a sua devoção. Enfim, a pequena estátua de “Nossa Senhora Menina” foi parar na Casa Geral das Irmãs da Caridade de Lovere, Bergamo, uma Congregação religiosa fundada, em 1832, por Bartolomea Capitanio, onde se tornou muito popular. Desde então, até hoje, as religiosas desta Congregação são chamadas "Irmãs de Maria Menina". Em 1884, lemos: «Eram sete horas da manhã, do dia 9 de setembro de 1884... A Madre Superiora foi à enfermaria visitar os enfermos e levou consigo a santa imagem: passou de leito em leito para que as freiras a pudessem beijar. Ao chegar ao leito da postulante, Giulia Macário, que não podia andar por causa de uma grave doença, ela pegou a imagem de Maria Menina, da qual era muito devota, e lhe pediu para ser curada. Imediatamente, sentiu um arrepio misterioso por todo o corpo, e exclamou: “Estou curada!”...». Desde então, “este milagre' é comemorado, todos os anos, no da 9 de setembro. A sua devoção popular expandiu-se devido às numerosas graças obtidas.

Para aquelas igrejas que seguem o calendário juliano, acontece em 21 de Setembro; para as do calendário gregoriano, em 8 de Setembro.

Esta festa tem sua origem em Jerusalém. Começou a ser celebrada no século V como festa da Basílica Sanctae Mariae ubi nata est, atualmente conhecida como Basílica de Santa Ana. No século VII, já era celebrada pelas igrejas bizantinas e em Roma, como festa do nascimento da Bem-Aventurada Virgem Maria. A festa foi incluída no calendário tridentino em 8 de Setembro e permanece, até hoje, nesta data.

Assim se exprimiu o Padre Antônio Vieira sobre essa celebração:

quarta-feira, 17 de julho de 2024

CANTIGO de LOUVOR a SS. VIRGEM MARIA SS. por Dante Alighieri em “La Divina Commedia”, canto XXXIII (fonte: Giulio Einaudi, Turim, 1954, pp. 676 e ss.)


 No último canto da Divina Comédia, Dante imagina São Bernardo dirigindo a Nossa Senhora uma oração na qual ele pede que seja dada ao poeta a visão de Deus.


 CANTO

Virgem Mãe, Filha de Teu Filho,

humilde e alta mais que (toda) criatura,

objetivo do eterno conselho (trinitário)

 

Tu és aquela que a humana natureza

nobilitaste tanto, que o seu Criador

Não desdenhou de fazer-se sua criatura.

 

No teu seio se reacendeu o amor

(de Deus para com o homem)

pelo qual, ardente na eterna paz,

fez germinar esta flor (a Igreja triunfante, formada pelos méritos da Redenção).

 

Aqui (no Paraíso) és para nós chama luminosa

de caridade, e na Terra, entre os mortais,

és de esperança fonte perene.

 

Senhora, és tão grande e tão valiosa,

que quem procura a graça e a Ti não recorre,

seu desejo quer voar sem asas.

 

A tua benignidade não somente socorre

a quem pede, mas muitas vezes

espontaneamente ao pedido se antecipa.

 

Em Ti misericórdia, em Ti piedade,

em Ti magnificência, em Ti se reúne

Tudo quanto na criatura existe de bondade.

 

Ora este (Dante) que desde a inferior lacuna do inferno até aqui (no Paraíso) 

tem visto as vidas espirituais uma a uma,

 

Suplica a Ti, por graça e força bastante, para poder com os olhos elevar-se 

mais alto rumo à Salvação Suprema (Deus)

 

E eu (Bernardo), que jamais pelo meu (próprio) ver me elevo mais do que

 ele consegue pelo seu ver (visão própria do homem), todas as minhas preces 

a Ti dirijo, e rogo, não são insuficientes, para que Tu lhe afastes toda nuvem

 

 De sua mortalidade (para que afastes os impedimentos devidos à sua natureza humana mortal), 

com as preces tuas, de tal maneira que o Sumo Prazer (Deus) se lhe revele.

 

Ainda Te rogo, Rainha, que podes aquilo que queres, que conserves sãs (isentas do mal), 

depois de tanto ver (o Inferno, o Purgatório, o Paraíso e, agora, Deus), as suas disposições. 

E vença a tua custódia as paixões humanas (...)


Fonte: “La Divina Commedia”, canto XXXIII (fonte: Giulio Einaudi, Turim, 1954, pp. 676 e ss.).

quarta-feira, 10 de julho de 2024